Muita responsabilidade ao filho pode gerar problemas sérios

Muita responsabilidade ao filho pode gerar problemas sérios

Atualizado: Quarta-feira, 20 Julho de 2011 as 10:11

Toda criança precisa ter responsabilidade, entretanto ela deve ser inerente à idade. Sobrecarregar seu filho não vai ajudá-lo a se desenvolver mais rápido. O excesso de tarefas pode causar problemas.  

Segundo a psicóloga Rosa Sanches toda criança precisa de limites desde pequenos, tanto na convivência familiar quanto escolar. "Tem que ficar claro que devemos diferenciar as responsabilidades de criança e responsabilidades de adultos. Sempre com muito amor, os pais devem colocar para as crianças que elas devem guardar seus brinquedos e arrumar o material escolar", explica.  

A psicóloga relata que a responsabilidade começa com o tempo. "Os pais devem colocar para os filhos que eles tem o local dele e horários, ou seja, a criança deve ter um espaço para brincar com seus brinquedos, não é bom que ela espalhe brinquedo para toda parte da casa. Deve ter horário para estudar, para comer, dormir. É necessário que as crianças tenham uma rotina, para que ela cresça um adolescente, um adulto, responsável", disse.  

Sanches revela que há uma fase da criança que os pais tendem a colocar seus filhos em diversas atividades para se ocupar o dia todo e, às vezes, por acreditar que será melhor para o seu desenvolvimento.  

"Se for menina, coloca no balé, jazz, natação... quando é menino, coloca na natação, judô, futebol e outras coisas. Essa atitude pode desencadear em sobrecarga, principalmente se a criança não gosta muito do que faz. É preciso ter cuidado", alerta.  

Ela diz ainda que é necessário que tudo deve ser como uma balança. "A criança deve ter responsabilidade, mas deve fazer o que gosta. Não é legal obrigá-la a freqüentar aulas de natação, se ela não gosta de natação", conta.  

Fase do irmãozinho  

Rosa Sanches revela que há pais que delegam responsabilidades de olhar o irmão mais novo, de trocar as fraldas, de alimentá-lo, entre outras coisas. Entretanto, para a profissional, isso pode ser preocupante.  

"Devemos delegar responsabilidades à criança desde que ela tenha condições de cumprir perfeitamente. Guardar brinquedo é diferente de tomar conta de irmão. A responsabilidade de uma criança não pode ser a mesma de um adulto", ressalta.  

A mesma coisa acontece com as tarefas domésticas. A criança não deve ter a obrigação de varrer a casa, de cozinhar e outros afazeres domésticos. "Os pais devem tomar cuidado se a responsabilidade é dele e está transferindo para a criança ou se realmente vai ajudar em seu desenvolvimento. É uma questão de razoabilidade, proporcionalidade e bom senso", acredita.  

Segundo a profissional, nada impede que a criança ajude nos serviços domésticos e no "cuidado" com os irmãos, entretanto a atitude deve partir dela e não se transformar numa obrigação.  

"A menina tende a ter a mãe como modelo e o menino o pai. Então, é normal que a menina queira usar os brincos da mãe, colocar sapato alto e o menino pegar a pasta do pai ou a roupa. A mesma coisa acontece com os afazeres domésticos. É normal que ela queira aprender a preparar um bolo e a mãe deve incentivar, mas sempre supervisionando. Se a menina quer ajudar a varrer, não tem problema, mas ela não deve se sentir obrigada a fazer isso", ressalta.  

Desvio de comportamento  

A criança sobrecarregada ela tende a querer chamar a atenção para as coisas que está fazendo. "A reação referente à sobrecarga de responsabilidade depende de cada criança, não é uma reação previsível. De uma forma geral, o desvio de conduta acontece quando no seio familiar há disparidade, ou seja, mal administrado, não há carinho, amor, atenção e compreensão", afirma Sanches.

A criança com uma carga de responsabilidade excessiva pode ficar estressada, desanimada ou agressiva . Além disso, pode sofrer com ansiedade, irritação, falta de apetite, agressividade, baixo rendimento escolar e gastrite.

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