Mulheres com bulimia e anorexia têm problemas de fertilidade

Mulheres com bulimia e anorexia têm problemas de fertilidade

Atualizado: Sexta-feira, 7 Outubro de 2011 as 8:56

Além de todos os perigos à saúde que os distúrbios alimentares provocam, um estudo alerta que a bulimia e anorexia prejudicam também a fertilidade da mulher. Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria do King´s College London analisaram questionários de cerca de 11.088 grávidas, entre a 12a e 18a semana de gestação. Dessas mulheres, 171 tiveram anorexia em algum momento de suas vidas, 199, bulimia, e 82, os dois problemas. Um dos resultados mostrou que aquelas com distúrbios alimentares poderiam levar mais de seis meses para engravidar se comparadas com as demais, além de ter duas vezes mais chances de precisar de tratamento para engravidar. 

Para Emerson Barchi Cordts, ginecologista e especialista em reprodução humana do Hospital São Luiz (SP), os problemas de fertilidade das bulímicas e anoréxicas se devem a alterações na produção de hormônios, por conta da deficiência de gordura e nutricional. Isso faz com que elas não ovulem ou tenham baixa qualidade de ovulação. E explica: “Essas mulheres têm dois distúrbios importantes. O primeiro é o começo de tudo, ainda na produção dos hormônios na hipófise, e o segundo é a deficiência na formação do estrogênio, responsável por preparar o útero para receber o embrião”, diz.

Outro dado do estudo mostrou que 41,5% das mulheres com anorexia e bulimia disseram que sua gravidez não foi planejada, comparando com 28,6% da população feminina geral. Segundo os cientistas, isso sugere que elas subestimam suas chances de concepção. “Por conta da menstruação irregular (algumas ficam meses sem menstruar), elas acreditam que não vão engravidar. Mas o ovário pode voltar a funcionar a qualquer momento”, diz Emerson. Outro ponto é que, como estão acostumadas com a ausência do ciclo, nem imaginam que podem estar esperando o bebê. 

E isso representa um problema enorme. Afinal, já têm uma situação nutricional ruim para elas mesmas, e agora têm um bebê em formação que precisa de energia, e obviamente vai tirá-la da mãe. “Entre os riscos, além de aborto, estão atraso no crescimento do embrião, parto prematuro, insuficiência placentária”, afirma o especialista. Por isso, se o pré-natal já é fundamental para qualquer grávida, para as mulheres com distúrbio ele é ainda mais importante, o quanto antes.

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