Na contra cultura, "Anel de Prata" propõe santidade aos jovens e faz sucesso

Na contra cultura, "Anel de Prata" propõe santidade aos jovens e faz sucesso

Atualizado: Quinta-feira, 30 Abril de 2009 as 12

Por Adriana Amorim

Um símbolo usado por mais de 100 mil adolescentes americanos, nas mãos de artistas da pop music, como Jonas Brothers e Hanna Montana, veiculado em redes de TV dos EUA,  o "Anel de Prata" está no Brasil desde janeiro. Aqui, o projeto já repercurtiu em programas como "Fantástico", da Rede Globo de Televisão, "Olga Bongiovani", na  Rede TV, e no portal de notícias G1.

O "Anel de Prata" nasceu há dez anos nos Estados Unidos, uma iniciativa do pastor Danny Patton, preocupado com a sexualidade de suas filhas e com a decadência moral americana. Ele propõe a espera do adolescente para viver experiências sexuais em um contexto de fidelidade e compromisso: o casamento.

Gerson Freire, pastor e ministro de louvor da igreja Presbiteriana em Buristis, em Belo Horizonte (MG), é o responsável pelo "Anel de Prata" na América Latina. Ele explica que o anel é mais do que uma bijouteria, é um símbolo, uma aliança de santidade que propõe a pureza sexual dos adolescentes em prol do compromisso com Deus. O projeto está baseado na passagem bíblica grafada na aliança, 1 Tessalonissenses 4:3-4, que diz "3.Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra. 4. Não na paixão da consupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus".

Para o pastor, o projeto é um "trabalho cultural relelevante", que iniciou com os cristãos, mas pode estender-se para pessoas que não são evangélicas: "Vai abençoar os adolescentes que participarem". Freire conta que no último MTV Awards (premiação musical da MTV americana), o anel foi motivo de discussão durante a apresentação: "Um inglês foi fazer uma brincadeira com o Jonas Brothers, a outra menina voltou e disse: 'Olha, as pessoas tem o direito de se guardarem sexualmente sim, isso é legal, você não precisa ser um pervertido'. Foi muito interessante o que aconteceu".

Após ensinamentos e ministrações, o adolescente decide se usará o anel. Freire relata que em algumas escolas quando o projeto chega há uma preparação de quatro semanas antes da entrega: "...é o símbolo de algo que aconteceu no coração do menino ou da menina, é igual a aliança de casamento. Você não fala vou usar uma aliança de casamento, vou comprar uma, não, tem todo um processo, tem sentido. No dia do casamento a aliança torna-se a representação de tudo aquilo que aconteceu ao longo do tempo".

Sucesso do projeto

Em oposição ao apelo sexual da mídia e chocando-se com a visão de sexualidade propagada na sociedade contemporânea, o "Anel de Prata" tem obtido êxito. Freire aponta que a própria sociedade reconhece que é preciso "parar o resultado que a pressão midiática" tem trazido aos adolescentes: "É um movimento de contra-cultura. A sociedade não está mais suportando a realidade que os apelos sexuais estão causando. Nós temos no Brasil o maior índice de aborto entre 11 e 16 anos de idade, segundo pesquisa da USP [...] Existe um clamor, só que o apelo da mídia é muito forte [...] Não precisa ser crente para perceber isso [...] o resultado é drástico: gravidez na dolescência, doenças sexualmente transmissíveis".

Segundo o pastor, usar o anel possibilita ao jovem assumir sua posição espiritual e dizer publicamente: "Eu estou me guardando" e dá oportunidade de evangelização, quando o adolescente é questionado sobre o motivo pelo qual está usando o anel, responde: "Eu estou usando porque eu me guardo, você não se guarda?". Freire reconhece que algumas pessoas podem participar das ministrações e usar o anel como modismo, para adequar-se ao grupo. Ele faz uma analogia: "É como colocar a aliança de casamento e não ter compromisso, depois sair e arrebentar a vida do outro, sem entender o que aconteceu naquele símbolo".

No Brasil

O lançamento oficial aconteceu em maio, no Tribal Generation. O evento foi realizado na cidade de Uberlândia (MG), um movimento de redes ministeriais que reuniu aproximadamente quatro mil participantes, entre eles brasileiros e latinos de 17 países.

No momento, a equipe do projeto trabalha a implementação, a tradução do material, a preparação da parte logística e a divulgação do projeto: "Semana passada nós tivemos na Bahia, primeiro lugar onde o pessoal iria usar os anéis, só que aconteceu um erro alfandegário e os anéis ficaram retidos [...] E isso está para chegar até 5 de outubro, um carregamento de 7500 anéis", expõe Freire.

Para adquirir um anel

Para liderar o "Anel de Prata" na América Latina, Gerson Freire não quis assumir fins lucrativos: "Na minha experiência eu sei que quando começa a rolar lucro na visão do ministério é muito perigoso, porque dá vontade de fazer o ministério porque aumenta o lucro. A lógica do mercado vai contra a lógica do Reino".

Os anéis de aço inox vêm acompanhados de um livro de discipulado e podem ser adquiridos através do site no valor de R$10,00. Os de prata serão encontrados por aproximadamente R$30,00. No entanto, eles só serão vendidos para quem já tiver participado das ministrações. "Se uma pessoa disser: 'Quero usar o anel de prata', eu vou dizer: 'Olha querida, vai ter um evento aí perto da sua casa'. Aí ela vai falar: 'Como assim? Eu só quero usar o anel'. Não tem jeito, a gente não vende, isso é símbolo de algo, de um processo", explica Freire.

Uma nova tribo - "WooW!!"

Como pastor e ministro de louvor, Gerson Freire tem habilidade em dialogar com jovens e adolescentes. Em suas ministrações, transformou uma brincadeira da equipe em um grito de guerra para a juventude: "WooW!!!", ele mesmo explica: "Estamos dizendo: 'Chega!'. Os meninos gritam mesmo: 'WooW!!!'. Nós não queremos viver debaixo dessa opressão do mundo, da erotização da adolescência. Toda tribo fica balizada em símbolos e expressões, então, nasceu essa expressão dessa nova tribo".

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