Não gostam dele!

Não gostam dele!

Atualizado: Segunda-feira, 22 Novembro de 2010 as 10:16

Se tem alguém no mundo com quem podemos contar, com certeza, vai ser um membro da nossa família. Afinal, pai, mãe e irmãos compartilham conosco todos os momentos da vida e, consequentemente, são nossos maiores alicerces. É por isso que quando algum deles - ou todos! – se volta contra nós é duro de segurar a barra. E, sem dúvida, uma das campeãs de discórdia entre pais e filhos são as escolhas amorosas. Ele é malandro, é muito mais velho, é mais novo, não tem futuro, é separado... O que não falta é defeito para alegar. Será que é possível o mar de rosas da relação permanecer depois dessas intempéries familiares?

Rejeição insuportável

Não é preciso que seus pais – irmãos, cachorro e papagaio – morram de amores pelo seu parceiro. É um direito deles não o considerarem a pessoa ideal, até porque você também sabe que ele está longe de ser perfeito. O problema é quando a implicância é descarada e constante. "Meu ex-sogro sempre deixou clara uma postura de reprovação quanto a mim. Ele olhava para a minha roupa, fazia cara feia por causa do meu jeito", conta o designer Francisco Rodrigues, de 28 anos.

Por mais que o casal tentasse deixar aquilo de lado, era impossível o mal-estar não contaminar a relação de alguma maneira. "Ele insistia que eu tinha que fazer um concurso público, porque achava que um designer não valia de nada para construir uma família, ter uma casa... Então, volta e meia era aquela ladainha, ele querendo fazer a cabeça da minha namorada e enchendo o meu saco também", reclama Francisco, dizendo que a reprovação do sogro, sem dúvida, influenciou no término do relacionamento, que durou três anos. "A gente queria casar e quase fizemos, mas além de outros problemas, isso atrapalhava muito, eu sempre me senti supermal. Pô, viver próximo de alguém que te acha um perdedor!", confessa ele.

Complô familiar

Ser rejeitado pela família do parceiro parece ser realmente deprimente. Só que isso não significa que quem está do outro lado sofre menos, não. Viver tendo que rebater as críticas, tentando convencer os pais não só das qualidades do namorado, como também do fato de que o que é bom para eles pode não ser o melhor para você é pra lá de desgastante. "Tive uma namorada, quando eu tinha 15 anos, que a minha mãe odiava. Achava ela muito grudenta", diz o estudante Thiago Ribeiro, de 23 anos, não excluindo a possibilidade da implicância da mãe ser um pouco de ciúme também.

"Quando ela soube então que eu tinha perdido a virgindade, deu chilique! Não deixou mais a menina frequentar a minha casa. Para piorar a situação, a mãe da minha namorada também passou a me odiar depois que soube que a gente transou e não pude mais ir à casa dela. Ou seja, um complô contra nós", define Thiago. Depois disso, o casal passou a se encontrar escondido, mas por pouco tempo. "Aí não deu mais, já tava tudo babado", explica o estudante.

Sensatez é o caminho

Por outro lado, existem pais e mães que demonstram impressionante serenidade e discernimento na hora de questionar a escolha amorosa da filha ou do filho. Aconteceu com a publicitária Michelle Gouveia, de 28 anos, cujos pais não a pressionaram nem quando souberam que o namorado colocou-lhe um par de chifres. "O Guilherme me traiu quando viajei para os EUA. O problema foi que ele fez isso numa festa na casa dos amigos do meu pai. Meus pais ficaram sabendo. Eu perdoei o Gui, mas eles não", conta. Mesmo assim não exigiram que a filha terminasse o namoro. "Eles não se meteram na minha vida, só que nunca mais trataram o Gui da mesma forma. Não eram mais carinhosos com ele. Na verdade, não achavam que o relacionamento fosse durar muito e foi realmente o que aconteceu. A traição tinha sido só um sinal de que as coisas não iam bem", acredita Michelle.

Segundo o psicólogo e sexólogo Cássio dos Reis, apesar do medo e da preocupação serem naturais, existem muitas famílias possessivas, que, ao invés de investirem no diálogo aberto, cerceiam a liberdade do jovem. "Quando o seu filho nasce, você se sente mais competente. Ele vai crescendo, se transformando em gente, só que você sempre tem a sensação de que ele é seu. A preocupação dos pais tem que servir de sinalização e não de boicote. Porque limitar a sua liberdade só vai incentivá-lo a transgredir de alguma forma", argumenta Cássio.

De nada adianta, entretanto, achar que a culpa pelos desentendimentos é toda dos pais que não conseguem lidar com o fato de seu rebento estar se tornando independente. "Qualquer pessoa que se envolve com outra tem que levar em conta que esse indivíduo é resultado da família que o criou e tentar conviver da melhor maneira possível”, recomenda o psicólogo, alegando que em muitos casos os familiares se sentem deixados de lado e passam a rejeitar a pessoa não por agressão, mas por defesa.

O segredo é procurar estar próximo, comparecendo aos eventos familiares, para que o diálogo se desenvolva cada vez mais. “O filho ou filha deve conversar bastante e tentar mostrar para a família que, apesar das diferenças que o separam de seu parceiro, existem muitas outras coisas que somam. Os pais, por sua vez, devem confiar naquilo que ensinaram, acreditando que ele terá capacidade de transformar as suas relações e escolher o que é melhor para si”, finaliza Cássio dos Reis.

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