Nova cirurgia cardíaca para recém-nascidos

Nova cirurgia cardíaca para recém-nascidos

Atualizado: Quinta-feira, 29 Julho de 2010 as 8:49

De cada mil crianças, oito nascem com um problema cardíaco. A maior parte deles é diagnosticada ainda dentro do útero. A tendência é que, nos casos que necessitem de cirurgia, ela seja feita nas primeiras horas de vida do bebê. E a medicina vem avançando para adaptar cada vez mais os tratamentos em cirurgias cardíacas em bebês. Uma nova técnica, desenvolvida pela cirurgião pediátrico Gláucio Furlanetto, está sendo realizada no Hospital Beneficiência Portuguesa de São Paulo. Ela é usada em crianças que nasçam com hipoplasia do coração esquerdo (quando as estruturas do lado esquerdo do coração não se desenvolvem da maneira esperada) – que representam 9% das cardiopatias congênitas e, até pouco tempo, era fatal. Furlanetto concedeu uma entrevista exclusiva à CRESCER:

CRESCER: Como é feita a cirurgia?

Gláucio Furlanetto: ela é fruto de um aperfeiçoamento da técnica de Norwood. Diferentemente da antecessora, em que a temperatura corporal era reduzida para 20º C (chamada hipotermina profunda) e os batimentos cardíacos interrompidos, nesta o coração do recém-nascido permanece batendo em 80% do tempo da cirurgia. A primeira cirurgia é feita logo após o nascimento. Mas é preciso fazer outras para correção total. A segunda é feita por volta do quarto ou sexto mês, e a terceira com um ano. Algumas conseguem ir para casa, outras precisam ficar internadas o tempo todo. A taxa de mortalidade, considerada aceitável para o Brasil, é de 25%. Em outros centros de excelência mundiais, essa valor é menor, 5%.

C.: Quais são os benefícios dessa nova técnica?

G.F.: Com ela, as chances de a criança ficar com sequelas, como déficit de aprendizado ou problemas neurológicos, são menores. Isso porque, como o coração continua batendo, o cérebro recebe oxigênio a maior parte do tempo e, portanto, fica mais protegido.

C.: E os pais? Como falar com eles?

G.F.: Se o problema for diagnosticado durante a gestação, eles já sabem que o bebê vai precisar de cuidados especiais, que não vai para casa tão cedo, que vai passar por uma cirurgia delicada. Mas se eles descobrem horas depois que o bebê nasce, é muito mais difícil. Por isso é fundamental o apoio por psicólogos, com familiares e outros pais que passaram por isso.

veja também