O futuro a quem pertence?

O futuro a quem pertence?

Atualizado: Terça-feira, 19 Abril de 2011 as 10:30

Quem tem filhos olha para o futuro. Acho que ninguém vai discordar, mas depois que a gente tem filhos fica preocupado com o que vai ser do mundo, o que vai ser deixado pra eles por nós, como pais, como nação e como humanidade.

Não que a gente não se preocupe com isso antes de ter filhos. Claro que a gente pensa nessas coisas e até toma atitude transformadoras. Mas, depois dos filhos, a coisa fica séria.

Bia e eu, por exemplo, nos casamos em 2000. Éramos fumantes e, seis meses depois de casados, paramos de fumar. Fazia todo o sentido. Se queríamos constituir família, nada melhor que cuidar da saúde agora, já! Meu sogro, cardiologista, ajudou, deu um empurrão e monitorou. Depois de três meses, estávamos livres do vício. Quatro anos depois, os filhotes chegaram. Não posso imaginar como seria ter os três pequenos se ainda fôssemos fumantes.

Eles nascem e a gente começa a se preocupar com coisas que podemos fazer agora para beneficiar o futuro, seja próximo ou distante. Começamos a nos preocupar com a alimentação, em levar uma vida mais saudável, fazer mais esporte e aproveitar mais a natureza.

É um certo instinto de preservação da espécie, acho eu. E também um pouco de preservação pessoal. Pensamentos como “quero estar aqui quando eles estiverem entrando na vida adulta” que levam a gente a tomar atitudes.

Depois, vem a preocupação com a vizinhança, com a segurança, com o meio ambiente, com a educação e com a escola. É um pacote de coisas que começa a habitar um pedaço do cérebro. E a gente começa a pensar que a poluição está demais, que as cidades estão muito sujas, que estão muito inseguras e que talvez seja melhor mudar pra outro bairro, onde tenha uma escola boa perto.

E aí vêm as grandes preocupações. Será que vai haver água suficiente no futuro? E os níveis de contaminação química do ambiente e do ar? E as florestas, vão estar aqui pra eles? E os oceanos, estarão limpos? E a violência no mundo, vai diminuir? E as escolas, proverão boa educação pra eles? E eu, estou de fato colaborando pra formar pessoas éticas, equilibradas e educadas pra enfrentar os desafios que o futuro pode apresentar?

Ter filhos não é brincadeira, não. Paradoxalmente, na primeira infância, o que importa mesmo é brincar. É brincando que aprendem. E, enquanto eles brincam agora, a gente procura transmitir os valores fundamentais para que eles sejam pessoas saudáveis, responsáveis, éticas e capazes de colaborar para que o futuro seja um pouco melhor.

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