O idoso e a morte

O idoso e a morte

Atualizado: Sexta-feira, 7 Outubro de 2011 as 9:53

Seguem algumas reflexões sobre o paciente terminal e a vivência da morte para ele, sua família e os profissionais que o rodeiam. Entender as alterações psicológicas que acompanham este processo contribui para uma postura mais humanizada perante o paciente e a família, além de facilitar a comunicação. Importante destacar que, independente da idade, a morte carrega consigo tristeza, ansiedade e medo do desconhecido.

A psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross observou que os pacientes terminais e suas famílias vivenciavam cinco etapas no processo de conciliação com a morte: negação, raiva, barganha por mais tempo, depressão e aceitação. Cada um destes estágios será brevemente explicado a seguir.

O estágio de negação se caracteriza pelo momento em que o paciente terminal nega que está doente, ou então é a família que o nega. Primeiramente devemos entender que a negação é um mecanismo de defesa, ou seja, de maneira inconsciente negamos aquilo que não damos conta de lidar naquele momento. E lidar com a iminência de nossa própria morte ou com a morte daqueles que amamos é muito difícil. Normalmente, após um período de negação, a pessoa começa a enxergar a realidade. É necessário respeitar este momento do paciente e da família, não se deve tentar fazê-los encarar a realidade a qualquer custo, pois eles podem não estar prontos para isto.

É muito difícil lidar com o paciente idoso e a família no estágio da raiva. Posturas agressivas para si mesmo e para com os outros, revolta e irritação intensa são esperadas neste momento. Um coisa é fato: se analisarmos friamente a situação, dá raiva constatar que sua vida ou daquele que você ama está chegando ao fim e ninguém pode fazer nada para reverter o quadro. Assim, quem convive com estas pessoas deve evitar ao máximo entrar em conflitos e aceitar os momentos de revolta do paciente, mesmo que estas atitudes sejam contrárias ao estilo de vida anterior do indivíduo.

O estágio de barganha é caracterizado pelo fato de o paciente idoso e sua família, de maneira consciente ou inconsciente, tentarem fazer trocas – seja com Deus ou com os profissionais que o assistem – com o intuito do restabelecimento de sua saúde. Pessoas nesta fase fazem peregrinações de fé, freqüentam diversas religiões, procuram práticas alternativas, fazem promessas (como, por exemplo, de oferecer ajuda financeira a uma igreja ou a alguém que necessita, busca mudar de atitude em seu dia a dia). Além desta barganha com o espiritual, algumas pessoas tentam também barganhar sua vida com o médico, oferecem presentes, pagamentos superiores aos honorários, numa forma de fazer uma troca disso tudo por sua vida.

O momento de depressão, como o próprio nome diz, é caracterizado por uma postura triste em relação ao seu estado. Ele já assimilou a gravidade da situação e sente-se triste e frustrado por não poder continuar seu projeto de vida, por ter de se separar daqueles que gosta. Por um lado, lidar com essas pessoas é mais fácil, elas não mais se opõem, não são agressivas, mas são extremamente tristes e emotivas. Por outro lado, este é um momento no qual pode haver um maior envolvimento das pessoas ao redor (sejam cuidadores, profissionais, amigos e familiares), o que pode ser prejudicial ao profissional.

Finalmente, no estágio de aceitação, o idoso em estado terminal aceita sua real condição sem raiva e sem tristeza. Ele pode aproveitar seus últimos momentos de vida perto daqueles que ama, pode querer conhecer novos lugares e se reconciliar com as pessoas com as quais outrora seu relacionamento podia estar abalado. A pessoa na fase de aceitação demonstra entendimento pelo que está acontecendo, porém com sabedoria par aceitar que neste momento nada mais pode ser feito para reverter o quadro, porém é o momento para se fazer coisas que não foram realizadas anteriormente.

Os que lidam com pacientes terminais idosos e suas famílias devem se lembrar que:

Estes estágios não acontecem necessariamente na mesma sequencia, alteram muito o estado emocional do idoso e da família, podendo dificultar as relações interpessoais. É necessário bom senso para acolher o idoso e sua família, respeitando sempre o momento difícil pelo qual ele está passando. Nem todas as pessoas passam por todos estes estágios, portanto, nem todos irão aceitar a morte de maneira tranquila. Crenças religiosas podem ajudar influenciar muito positivamente na maneira como cada um enxerga esta situação. Essas reflexões podem auxiliar todos os que lidam com o idoso em estado terminal e sua família e, principalmente, minimizar a ocorrência de problemas de comunicação e de conflitos familiares, que neste momento tão delicado dificultam muito mais todo o processo de vivência da morte.

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