O Jovem Não é o Futuro

O Jovem Não é o Futuro

Atualizado: Sábado, 2 Janeiro de 2009 as 12

Frequentemente ouço pessoas, inclusive lideres, referirem-se aos jovens como o futuro do Brasil ou da Igreja. Atribuem a eles a responsabilidade do amanhã, do porvir, do que virá.

Potencialmente são futuros pregadores, ensinadores, cantores. Futuro isso, futuro aquilo. O presente, não raras vezes, é ignorado; quando muito, sãos lhes direcionadas atividades de somenos importância.

O erro não está simplesmente em atribuir-lhes o futuro; mas em excluí-los do presente. Tratam os jovens como embriões ou simples projetos, cuja utilização somente se concretizará daqui a alguns anos ou décadas. Uma concepção que será idealizada somente quando os velhos se forem ou, ainda, um software que está em fase de elaboração e será executado exclusivamente quando o seu ‘tempo chegar’.

Não negligencio que muita coisa mudou. O espaço dos jovens acresceu e as oportunidades se intensificaram. Tanto na igreja quanto no ambiente secular os raios do sol começaram a bater nas faces dos mancebos e os ventos impulsionar os seus navios. Entretanto, tal evolução ainda é tímida se levarmos em consideração a potencialidade da mocidade e o modelo de trabalhos que lhes são destinados.

A falta de coragem que muitas pessoas têm em dar oportunidades à juventude no ambiente eclesiástico não têm, com certeza, Deus como modelo. Ele, aliás, foi quem mais acreditou no potencial dos moços. O sonhador José, o tímido Gideão e o bravo Davi são alguns desses exemplos. Que não dizer ainda do sábio Daniel e do fiel Timóteo que executaram, sem pestanejar, a vontade de Deus.

O jornalista cristão Sérgio Pavarini argumenta que a busca do crescimento da Igreja impulsionou a liderança a tratar os jovens e adolescentes em blocos. Mega concentrações, shows e congressos. Segundo ele, "A galera segue por aí ocupada com ensaios, conferências e jantares. Cheios de energia, eles têm o potencial sub explorado em arengas intermináveis do tipo ‘reuniões ordinárias’".

É óbvio que isso é imprescindível. É claro que esses trabalhos são louváveis. Quanto a isso, nada questiono. No entanto, não se pode esquecer do jovem na sua individualidade, no seu dia a dia. Afinal, com muita freqüência, encerrados aqueles eventos, os moços voltam para suas congregações, e, novamente, pegam o bonde do cotidiano. E lá continua estendida a cortina escrita: O jovem é o futuro da Igreja!

Uma das argumentação sobre a impossibilidade da atuação do jovens nos trabalhos de maior relevo é - a falta de experiência – . Dizem, freqüentemente, que falta "bagagem" aos moços. Ora, como adquirirão experiência se não lhes dão oportunidades. Como aprenderão a pregar se não os deixam chegar aos púlpitos?

É óbvio que falta experiência aos jovens. Isso é natural. Porém, só aprende quem pratica, diz o velho adágio. Dê-lhes oportunidades e eles correram em busca de informações. Concedam-lhes os púlpitos que eles prepararão seus sermões. Deixe-os lecionar que certamente se prepararão!

Apesar da pouca experiência dos mancebos, quando bem aproveitados, têm eles a plena capacidade de realizar trabalhos consistentes que produzirão frutos. O que não se pode fazer é destiná-los ao anonimato, desperdiçar talentos e não fazer uso do seu maravilhoso potencial. Pior que jogar pérolas aos porcos é mantê-las escondidas, cuja beleza não é apreciada e o brilho ofuscado.

Jovens cristãos que não são bem aproveitados durante a sua mocidade, resultarão em adultos improdutivos, despreparados, incompetentes e apáticos. Por essas e por outras é que não devemos temer em conceder oportunidades para os moços e moças da igreja cristã. Não podemos trancá-los em casulos. Não podemos negar-lhes atividades.

Desta forma, lembramos:

O jovem não é simplesmente o futuro, e sim o presente. O jovem não é um projeto, é uma realidade. O jovem não é incompetente, é mal utilizado. Os jovem não quer o futuro, e sim o presente. Pois, o porvir não basta! Por Valmir Nascimento Milomem Santos

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