O lado financeiro de morar sozinha

O lado financeiro de morar sozinha

Atualizado: Sexta-feira, 3 Abril de 2009 as 12

Especialista e pesquisadora do comportamento social e o uso do dinheiro de forma inteligente, a jornalista e publicitária Suyen Miranda, criadora do programa Saúde Financeira - Finanças Pessoais, responde às mais comuns perguntas sobre como começar o projeto de independência de moradia sem perder a cabeça na vida financeira.

1. Como deve ser a avaliação dos gastos e da renda mensal da mulher que deseja morar sozinha?

R: Morar sozinha implica em ter condições de bancar não somente os custos de moradia mas também ter uma margem para imprevistos, variáveis inesperadas (empregabilidade, imprevisibilidade nos pagamentos, despesas de saúde ou outras que não integram a rotina do orçamento). Há também o lado comportamental, ter ciência de que será necessário repensar o consumo de modo a ter sempre uma reserva já que morando sozinha há mais custos em jogo do que com a proteção da família ou dividindo com o marido ou mesmo amigos.

2. Como deve ser esse planejamento?

R: Ideal é ter uma reserva capaz de manter por oito meses as contas e despesas de se morar sozinho; exemplo: calculando que para bancar aluguel, luz, água (condomínio), taxas, telefonia, transporte, alimentação, vestimenta e despesas extras a mulher irá gastar mensalmente R$ 2 mil, é importante ter uma reserva de R$ 16 mil, que corresponde a oito meses de despesas sem nenhuma entrada de capital. Isso é importante principalmente para evitar situações desagradáveis de desemprego, atrasos no pagamento de salários ou mesmo a impossibilidade de trabalhar. Outro detalhe é que antes deste cálculo é preciso antever os custos da montagem do "lar independente", que são o mobiliário (cama, fogão, geladeira, sofá, etc.), além de eventuais reformas no imóvel para ter uma moradia confortável. Costumo dizer que se não existem estes recursos e a moradia será desagradável, melhor poupar mais para sair "bem", sem correr o risco de retornar para o antigo lar por falta de condições de moradia Morar sozinha é como casar, tem que estar bem preparada para que dê tudo certo.

3. Se as contas "baterem" exatamente com o salário mensal, ainda assim, ela pode morar sozinha?

R: Muito arriscado, até demais. Só se for em caso de emergência, risco de vida, algo que impeça permanecer morando com outras pessoas. Lembre-se que para sair é preciso montar o lar antes, e isso costuma custar pelo menos R$ 5 mil (o custo de fogão, cama, geladeira, além de roupa de cama, panelas, talheres, pratos, etc., custos que muita gente se empolga e esquece). Para iniciar a independência de forma inteligente é melhor que o orçamento tenha uma folga de 10% mensal para a montagem da nova casa.

4. É necessário fazer uma poupança mensal? Quanto tempo antes?

R: Pelo menos oito meses de despesas, como dito na pergunta 2; o tempo vai depender muito da disciplina de cada pessoa. O ideal é que isso seja feito de forma inteligente, ou seja, para começar a poupar para este projeto "independente", as finanças devem estar em ordem, sem dívidas pendentes, restrições de crédito (SPC, Serasa), pois fica muito difícil viver sozinha começando com dívidas que corroem qualquer orçamento.

5. Quanto devo guardar da renda para essa poupança?

R: Se morar sozinha é a prioridade, então toda a prioridade na economia deve reverter para este projeto. Vale inclusive fazer trabalhos extras para render um dinheiro a mais voltado para o projeto de ser independente na moradia. No dia a dia, depois da casa montada, é fundamental ter sempre uma reserva mensal na poupança não só para a casa mas para a realização de projetos e sonhos, que vão além de morar sozinha.

6. Quais são as despesas que costumam pesar mais no orçamento?

R: Aluguel e condomínio pesam, mas são custos fixos, que todo o mês tem o mesmo valor, portanto fáceis de prever e planejar. O que noto é um descontrole no consumo da alimentação e compras de impulso, itens que quebram qualquer planejamento eficaz.

7. Viver de aluguel ainda é um bom negócio?

R: Ter imóveis alugados e receber aluguéis mensais é um bom negócio para quem não quer correr riscos, pois é um investimento tradicional, sem variações. O que melhor remunera são aluguéis comerciais, menos sujeitos a inesperados, como falha no pagamento mensal do aluguel e facilidade de locação.

8. E quando se tem uma boa parcela para pagar o apartamento, vale apenas investir essa quantia e depois financiar? O que você recomenda?

R: Sem dúvida quanto maior for a entrada para a compra de um imóvel melhor será a condição de financiamento, com parcelas menores e em menos tempo. Há quem pense "prefiro financiar enquanto estou morando", e nisso há uma chance grande de perder dinheiro principalmente porque, se a parcela for pesada e por muito tempo, em qualquer atraso sequencial a perda do bem é um risco concreto. Sem falar que é desmotivador pagar juros que são altos (cerca de 1% ao mês e taxas) por períodos longos, de 15 a 20 anos. Compensa bem mais alugar um imóvel simples, e guardar dinheiro para comprar o imóvel desejado pagando o máximo de entrada e reduzindo bem o financiamento, e se a pessoa for muito disciplinada pode inclusive guardar bem e pagar à vista, negociando um preço competitivo. Vale lembrar que comprar um imóvel implica em gastar com certidões, escrituras que custam em torno de 5% do valor do imóvel.

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