O papel dos seios na vida da mulher

O papel dos seios na vida da mulher

Atualizado: Segunda-feira, 6 Junho de 2011 as 9:27

Duas aréolas que a gente mal nota e causam a mesma curiosidade que um cotovelo ou uma unha. Isto é, algo praticamente insignificante. É assim que vemos nossos peitos quando crianças. Quando começam a crescer, nos obrigam a assimilar uma nova peça na gaveta onde antes só havia calcinhas. E eis que chegamos à adolescência. Fontes de imenso prazer. Objetos de sedução. Nossa aflição ou orgulho. Assim passamos a vê-los quando o olhar do outro também conta pontos. E então, tudo aquilo se transforma novamente. Eles viram fonte de alimento de nossos filhos. O recurso mágico que os faz parar de chorar e obter algum aconchego nas horas difíceis de ser um bebê. Depois, ainda, podemos olhá-los como a um dos tantos sinais que nosso corpo dá, avisando que o tempo passou.

Apesar de totalmente diferentes, as visões acima servem para definir duas glândulas que acompanham as mulheres pela vida: os seios. Nossa convivência com eles nem sempre é pacífica. Ora nos faltam, ora nos sobram. Ora nos doem, ora nos fazem descobrir o deleite. Ora caem, ora racham, ora jorram e, às vezes, nos são penosamente extirpados. Apenas um fato é certo: eles nos definem.

Se a primeira grande transformação em nosso relacionamento com os seios se dá na adolescência - quando aquilo que a gente mal notava faz com que os outros comecem a comentar -, o segundo momento de revolução acontece durante a gravidez e a amamentação. Peitos doloridos, crescendo em ritmo veloz, são um dos primeiros sinais de que um bebê se instalou em nosso organismo. Aí, vira aquela corrida. No início, temos dois peitões e quase nenhuma barriga. Algo mais para Pamela Anderson ou aquelas americanas das propagandas do que para nossa idílica visão de mãe. Uma hora, finalmente a barriga se instala e ultrapassa o peito. "Tanto o útero como as mamas crescem muito durante toda a gravidez. O que acontece é que o útero está bem protegido dentro da pelve e esse crescimento demora para ser notado. As mamas estão mais expostas", afirma a pediatra Nina de Almeida.

Quando um óvulo é fecundado, toda a estrutura mamária se prepara para poder produzir leite. Os tecidos ficam mais espessos, os canalículos internos se tornam mais permeáveis e a pele do local onde o leite será produzido amadurece. É só o bebê nascer para que a barriga diminua e os seios se lancem desenfreados na producão. Nesse momento, prolactina e ocitocina entram em jogo, estimulando a glândula hipófise, no cérebro. "A prolactina prepara a mama para produzir o leite. A ocitocina comanda a ejeção do que já se formou dentro da glândula. Quanto mais o bebê suga, mais ele estimula a produção desses dois hormônios", diz André Marquez Cunha, obstetra e ginecologista. Aí, sabe aqueles seios que até então tinham sido seus bons companheiros de balada, seus parceiros de sexo? Esqueça. Eles não te pertencem mais. Seios, mamas ou como você queira chamá-los a essa altura, passam a ser a conexão entre a mãe e o bebê. Aquele elo que se mantém depois que o cordão umbilical foi cortado. Os maridos talvez não fiquem muito animados, mas a vida é assim: seu peito é a geladeira do seu filho. Onde ele busca comida, conforto e às vezes até um lanchinho fora de hora. Para você, erotismo provavelmente soe como uma palavra bem distante. Fora o medo das mamas aumentarem ou diminuírem. Ou simplesmente, caírem!

De fato, após a amamentação, isso pode acontecer. "Um organismo que inchou durante a gravidez e a descida do leite não será igual a um que nunca passou por isso", diz o obstetra Cunha. "Mas não é a amamentacão que provoca essa queda. Pelo contrário: a tendência é que o peito de quem amamenta caia menos", afirma. Segundo ele, se a mulher usar um bom sutiã durante a gravidez e a amamentação, não há problemas. O certo é que a gravidade exerce seu poder sobre todas - amamentem ou não.

É muito comum a mulher sentir um certo estranhamento com relação ao seu corpo após a gravidez e o aleitamento. Temos de lidar com muitas transformações. E os seios lá, sempre protagonistas. Em nossa sociedade, o peito é um objeto de desejo. Nós, mulheres, queremos ter peitos bonitos. Mesmo com funções acumuladas: alimentar, aconchegar. Mas tem de ser sexy também. Por acaso alguém achou que era fácil ser uma mulher de peito? E pensar que, em algumas culturas, os seios são desprovidos de apelo erótico e equivalem mesmo a um cotovelo...      

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