O problema das mães que são demitidas após a licença maternidade

O problema das mães que são demitidas após a licença maternidade

Atualizado: Segunda-feira, 25 Julho de 2011 as 9:22

Ainda é comum, no Brasil, que mulheres que voltam ao trabalho após a licença maternidade sejam demitidas pelas empresas, que buscam profissionais que possam dedicar mais tempo ao trabalho. A análise é da presidente da ABRH-AM, Elaine Medeiros, uma visão também compartilhada pela presidente da ABRH-BA, Maria Sampaio:

"Infelizmente, esse problema ainda é comum no Brasil e tem muito a ver com a falta de estrutura ou de planejamento das mulheres profissionais no retorno ao trabalho. É importante que as mulheres que trabalham e vão ter filhos planejem e construam uma estrutura familiar que apoie os cuidados com as crianças, pois do contrário elas terão que se ausentar muito e correrão riscos de perder o posto de trabalho. Sem essa estrutura bem definida, a dedicação e a concentração necessária ao trabalho nas organizações fica comprometido, e normalmente as empresas optam por efetuar desligamentos ao ter que enfrentar problemas como a falta de motivação para o trabalho ou acidentes", assinala Medeiros.

Segundo Ângela Abdo, presidente da ABRH-ES, as demissões de mães são mais frequentes em linhas de produção, em empresas de pequeno ou médio porte, ou em função do fato de que, durante a ausência da mulher que saiu para ter filhos, seu posto de trabalho foi preenchido com sucesso por outro profissional.

No segmento do funcionalismo público, explica Manoel de Oliveira, presidente da ABRH-DF, não há como demitir a mulher que deixa o trabalho para ter filhos, pois elas são amparadas pela legislação que garante o emprego.

"No serviço público, inclusive, as mulheres já estão usufruindo da licença maternidade de seis meses, que somada à licença amamentação e às férias, permite prolongar a presença da mãe ao lado do bebê", explica.

Mas Cibeli Pinheiro, Presidente da ABRH-PE, assinala que também é comum o inverso, ou seja, as mães pedem demissão assim que voltam da licença maternidade, para poderem dedicar mais tempo aos filhos.

Segundo Ralph Arcanjo Chelotti, Presidente da ABRH-Nacional, o fenômeno da maternidade no ambiente de trabalho ainda é complexo e preocupa tanto as empresas quanto a sociedade:

"O ambiente de trabalho, hoje cada vez mais competitivo, tem problemas para assimilar a mulher profissional que se torna mãe. Notamos que as empresas que lidam com essa questão com mais dificuldades são as pequenas e médias, justamente a grande maioria no Brasil, o que revela que o problema é, de fato, abrangente. A questão da mãe no trabalho precisa ser melhor compreendida pelas empresas e pela sociedade. Entendo que as empresas deveriam ser estimuladas a dar apoio à mãe profissional, pois isso ajudaria muitas a preservar essas profissionais. Há muitas alternativas a serem consideradas, como creches nas empresas, trabalho à distância, entre outras alternativas", assinala.

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