O que fazer com a obesidade infantil?

O que fazer com a obesidade infantil?

Atualizado: Terça-feira, 22 Abril de 2008 as 12

Os alimentos saudáveis e as brincadeiras ao ar livre foram deixados de lado e as crianças agora preferem o computador, o vídeo game e o fast-food. Essas mudanças de hábitos colaboram para a obesidade infantil. Segundo os dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), no Brasil, cerca de 15% das crianças são obesas. "Os pais devem estar mais atentos ao ganho excessivo de peso dos filhos na infância. É nessa fase que ocorre o aumento do número de células de gordura, que dirá como será o indivíduo na vida adulta", orienta a médica nutróloga, Beatriz Manzochi, que trata a obesidade infantil.

A especialista, que também é coordenadora técnica do Baby SIN ? Sistema Inteligente de Nutrição para bebês e crianças até 4 anos, explica que os períodos críticos para o surgimento da obesidade progressiva são os 12 primeiros meses de vida, a fase pré-escolar e a puberdade. "A obesidade progressiva está associada à hiperplasia das células de gordura (aumento do número dessas células) nessas fases. Na idade adulta, a obesidade ocorre pelo aumento do tamanho das células de gordura", esclarece a nutróloga.

Os cuidados para evitar que uma criança fique obesa começam cedo, no início da amamentação. "O aleitamento materno tem papel fundamental para evitar a obesidade na criança e pode ser substituído por fórmulas lácteas adequadas para a idade quando houver necessidade", afirma a Dra. Beatriz. No primeiro ano de vida são indicados alimentos complementares (são incluídos na alimentação do bebê logo após o período exclusivo do leite materno, como frutas e legumes, seguidos de caldos de carne e frango). "Os pais devem escolher corretamente os alimentos e evitar a utilização de mingaus e farinhas no primeiro ano de vida do bebê e sempre que a criança estiver acima do seu peso ideal", detalha a médica.

Uma rotina alimentar saudável da família, limitando fast-foods, lanches e guloseimas também ajudam a evitar a obesidade. "Os pais não devem usar a comida como recompensa, prêmio ou barganha e devem promover atividades para impedir o sedentarismo das crianças", salienta Dra. Beatriz.

Na escola

É importante a participação da escola no processo de educação nutricional e também observar o que as crianças levam para o lanche. "Alimentos mais 'fáceis' como salgadinhos, refrigerantes ou doces não são uma boa opção", observa a nutróloga.

Estar acima do peso pode também criar conflitos indesejáveis na escola. "As crianças gordinhas geralmente são vítimas de apelidos maldosos ou discriminatórios especialmente pelos colegas na escola. Essas crianças têm dificuldades em algumas brincadeiras e acabam sendo deixados de lado pelos amigos. Isso a torna retraída ou tenta chamar a atenção e acaba sendo ?o gordinho legal?", lamenta a nutróloga.

A família tem papel fundamental para perceber se a criança está ganhando peso e se tornando obesa. "O primeiro sinal é a perda muito rápida das roupas e também um interesse incomum por comer", alerta a médica.

O tratamento da obesidade infantil é indicado para crianças até 12 anos. "É essencial o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar e que a criança passe por uma reeducação e não uma dieta com restrições alimentares rigorosas, pois é ineficiente. A reeducação alimentar familiar é o que traz resultados efetivos na regularização do peso da criança", ensina.

Para saber se a criança está com sobrepeso, a especialista recomenda que os pais procurem o pediatra em um primeiro momento. Em seguida, o endocrinologista pode fazer uma avaliação e verificar se há algum problema glandular. Descartada essa suspeita, o tratamento segue para profissionais da área de nutrição, médico nutrólogo e nutricionista, que serão responsáveis por elaborar uma correta rotina alimentar e mudanças necessárias para a perda de peso. "A criança continuará crescendo e novos hábitos serão importantes para que ela receba os nutrientes essenciais para um crescimento saudável", salienta. Ela complementa que pode ser necessário o acompanhamento de um psicólogo especialista em crianças para identificar se há alguma causa emocional que está levando essa criança a comer errado.

O papel dos pais

Os pais podem ajudar no tratamento tendo atitudes positivas. "Ao invés de dizer: 'não coma isto', eles devem dizer: ?vamos comer uma salada de frutas'. Os pais não devem afirmar que o filho está gordo e sim incentivá-lo a cuidar do seu corpo para ter saúde", explica.

A conscientização dos pais é fundamental. Segundo a médica, quanto mais tarde o início de tratamento, maiores as chances de a criança ser obesa na vida adulta. Isso poderá significar problemas de hipertensão, colesterol alto, diabetes não insulino-dependente (antes exclusiva de adultos), doenças osteoarticulares por sobrecarga em articulações em desenvolvimento, doenças de pele e respiratórias. "O principal objetivo do tratamento é aprender a comer hoje para poder comer adequadamente na vida adulta e ter uma boa saúde", ressalta.

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