O que fazer depois que foi traído?

O que fazer depois que foi traído?

Atualizado: Quarta-feira, 21 Outubro de 2009 as 12

As salas dos terapeutas estão lotadas de pessoas traídas: no casamento, nos negócios, nas amizades, "pelo destino" e por aí vai. A palavra "fidelidade" tem maior significado para aqueles que sofreram algum tipo de traição. O próprio Jesus foi traído por alguém próximo, com quem convivia lado a lado. Ser traído no casamento, porém, é uma dor desestrutural, e só quem sentiu sua profundidade pode entender o peso e a necessidade desta edição.

Mas se é tão evidente que a infidelidade causa tantos prejuízos e rompimentos (apesar da dor realmente ser maior para o traído, ela ocorre de ambos os lados), por que continua acontecendo de forma cada vez mais constante? Pessoalmente, acho que a falta de percepção da própria vulnerabilidade nos conduz a flertar com o pecado e a tapar os ouvidos à voz de Deus. Além disso, uma certa dose de arrogância resulta em desprezo às precauções que visam a evitar um tombo desses.

"A falta de percepção da própria vulnerabilidade e uma certa dose de arrogância resulta em desprezo às precauções que visam a evitar um tombo"

Se fôssemos falar sobre traição mental, provavelmente todos nós, seres humanos, teríamos "culpa no cartório". Como Jesus colocou, o pecado começa na mente. Se ele for destronado e substituído por pensamentos abençoadores (Filipenses 4.8-9), não chegam ao ato propriamente dito. Há duas palavras de esperança: prevenção e reabilitação. Porém, se canalizarmos nossa força e nossa atenção na prevenção, será desnecessária a reabilitação. Com isto em mente, posso destacar algumas atitudes. Creio que devemos:

Conhecer nossa própria fraqueza, olhos abertos para identificar nossas situações de carência

Manter "antenas ligadas" para segundas intenções de terceiros

Perceber situações vulneráveis e ambientes propícios que possam toldar nossa razão e nos levar a atitudes de que, mais tarde, possamos nos arrepender

Lembrar que, além do inimigo, a nossa própria concupiscência nos atrai e seduz

Seria interessante se o ministério de apoio às famílias de nossas igrejas tivesse um programa de reabilitação, incluindo apoio espiritual e emocional aos cônjuges traídos e aos seus filhos, pois, em geral, a auto-estima desce na mesma proporção em que a autopiedade sobe. E, além das atitudes práticas para mantermos a fidelidade em nosso casamento, devemos buscar a Deus e refazer os votos de, primeiramente, não desagradá-lo, e pedir forças para nos manter firmes e fiéis - primeiramente a ele, pois, conseqüentemente, também o seremos a nosso cônjuge.

Iara Vasconcellos é tradutora e produtora da revista Lar Cristão. Participa, junto com o marido João Marcos, da área de ensino da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo.

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