Pai depois dos 50

Pai depois dos 50

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:24

A paternidade não tem um momento exato para chegar. Aos 20, 30, 40 anos, ou após os 50, o homem sempre está em busca de um amor que traga felicidade à sua vida. Algumas vezes, um filho é cuidadosamente planejado, outras vezes ele vem de surpresa, antes ou depois do que se esperava.

Quando o filho nasce, o homem deve pontuar suas prioridades e exercer o papel de pai. Porém, isso nem sempre acontece, pois a maturidade e a situação familiar contam muito com a qualidade e com o tempo disponível que o homem possui em determinadas épocas da vida. “Aos 30, 35 anos, quando se torna pai, ele geralmente assume uma paternidade de barriga, não consciente. Ele está preocupado com outras responsabilidades como a estabilidade profissional e financeira, e sobra pouco tempo para os filhos”, explica a psicóloga especialista em relações familiares, Heloísa Garbuglio.

Juarez Araújo, jornalista esportivo, de 55 anos, é pai de cinco filhos. “Ser pai pela primeira vez (em 1981) me trouxe uma sensação muito boa. Fiquei bobo, corri de um lado para o outro, liguei para todo mundo e quase não dormi. Mas também não tive a mínima estrutura na época. Pensava só no trabalho, 24 horas por dia, e acabei pensando menos neles”, assume. Gabriel, o filho caçula do jornalista, nasceu há pouco mais de 1 ano, e a história mudou.

“A partir dos 50 anos, o homem sente chegando a primeira oportunidade de vivenciar de perto o crescimento de um filho. Ele está mais tolerante, tem mais sabedoria e deixa de pensar só nas conquistas materiais para garantir o bem-estar emocional”, afirma a psicóloga. Foi assim que Gabriel veio ao mundo. “Tínhamos pensado em ter um filho em 2010. Mas aconteceu 1 ano antes, e foi bem-vindo. O que é diferente de ser pai aos 54 anos é a experiência. Já tinha vivido toda a emoção, mas que a gente passa a administrar, mesmo sentindo a alegria e o carinho. Continuo trabalhando, mas passo boa parte do meu tempo com ele”, conta Araújo.

Ele se lembra de uma história de apuros que passou com o filho caçula, mas de uma experiência incrível. “A primeira vez que levei o Gabrielzinho à Praia, fomos para a Enseada, no Guarujá (litoral de São Paulo). Ele adorou. Via aquele mundão de água e gritava o tempo todo. Fui diversas vezes com ele até o mar. Veio uma onda grande e deu o maior caldo nele. Coitadinho, agarrou nas minhas pernas, com uma mão tentava tirar água do olho, da boca e ainda fazia cara feia por causa do sal”, conta.

Momentos como esse, de cumplicidade e confiança, são os que pais maduros procuram passar com os filhos cada vez mais. Segundo Heloísa, o homem nessa idade começa a rever os valores, a pensar em quem ele é, o que fez e o que deixará de legado. O instinto de perpetração da espécie existe em qualquer momento da vida, mas fica mais exaltado agora. Talvez seja um resgate do que não se viveu anteriormente, como um tempo de curtição daquilo que foi perdido quando jovem, e ele quer esse tempo de volta agora.

Para o papai Juarez, a experiência é um fator fundamental para essa nova fase da vida. “Acredito que a experiência é algo essencial em todos os segmentos da vida, e exercer a paternidade é muito importante. Tanto na paciência, como na ação, ou no ensinamento. O pai que sou hoje é bem diferente daquele pai de ontem. Ainda cometo erros, mas agora estou estável, mais tranquilo, e acabo relevando muitas coisas. Até o futebol, você sabe que se não puder ver naquele momento, poderá ver outra vez. Antes tudo parecia que acontecia ao mesmo momento”.

Ser pai e exercer o compromisso com a vida nessa fase, depois dos 50 anos, para um homem é  sentir-se vivo novamente, ter a oportunidade de um novo começo, ganhar energia e seguir em frente. Araújo conclui sua história reafirmando o doce sabor da paternidade. “Ser pai é uma pergunta tão difícil que deveria ser respondida pelo filho. Eu acho que é tudo para um homem. É a realização pessoal e também uma continuação de geração. Ser pai é viver para alguém. Você trabalha pensando naquela criaturinha te esperando. É estudar como educar, para não cometer erros. Enfim, vale qualquer sacrifício para depois ouvir com toda aquela inocência e nem saber o significado da frase: 'Papai, eu te amo'.”

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