Pais são fundamentais na escolha profissional do filho

Pais são fundamentais na escolha profissional do filho

Atualizado: Quarta-feira, 21 Outubro de 2009 as 12

Mesmo que os filhos não possam atingir as expectativas profissionais que os pais têm a seu respeito, estes devem ajudá-los a descobrir suas aptidões e direcioná-los a uma profissão realizadora

Dizem que imitação é a maior forma de elogio. Talvez por isso um pai sinta tanto orgulho quando seu filhinho se cobre de espuma de barbear - igualzinho ao papai! Ou quando a menininha troca a fralda da sua boneca - como vê a mamãe fazer com a irmãzinha.

Na infância, quando os pais ainda são considerados heróis, nada é mais natural do que os filhos desejarem ser iguaizinhos a eles, especialmente quanto à profissão. E pode ser que Deus use o contexto profissional dos pais como "estágio" para o filho seguir a mesma carreira. Porém, normalmente, a orientação vocacional exige mais do que isso.

"O que você vai ser quando crescer?" É uma pergunta inocente para uma criança, mas pode fazer adolescentes e jovens tremerem nas bases. Como, então, podemos orientar nossos filhos para um trabalho realizador? (Eclesiastes 2.24, 3.13, 5.18,19)

Considerações básicas

Em primeiro lugar, entendemos que o trabalho foi criado por Deus antes do pecado e é algo bom pelo qual devemos glorificar a Deus. Ele colocou Adão e Eva no Jardim do Éden para o "cultivar e guardar" (Gênesis 2.15). Os termos usados têm uma conotação "espiritual". Mesmo a "jardinagem" pode ser um serviço santo! Temos que tomar cuidado com as distinções entre trabalho "sagrado" e "secular"; Deus honra todo serviço feito na força dele e para ele (Colossenses 3.17).

Em segundo lugar, temos de treinar nossos filhos para uma excelência no serviço. Pais sábios programam tarefas para todos os membros da família aprenderem a fazer um serviço bem-feito, com atitude correta, para Deus e não para homens (2 Tessalonicenses 3.10; Colossenses 3.23).

Finalmente, os pais precisam de muita sabedoria. Eles são os principais orientadores para direcionar a vida de seus filhos. Para isso, precisam conhecer bem cada filho, reconhecer as diferenças entre eles (e nós), orar muito, e orientá-los sobre possibilidades vocacionais realistas.

Estreitando o foco

Na revista Veja, o artigo "Profissão" censura os pais que não se envolvem nessa difícil fase de avaliação profissional: "Esse momento de reflexão pode render bem mais quando é compartilhado com a família. Mas, por excesso de liberalismo, muitos pais se omitem com a desculpa de não querer interferir na vida dos filhos" (Veja, agosto 2003, p.64).  A seguir, então, algumas sugestões práticas de passos que pais e filhos podem tomar para facilitar a escolha vocacional:

1.      Orar visando o Reino de Deus  

Este é o ponto de partida bíblico. Jesus mandou que seus seguidores orassem para que Deus enviasse obreiros para sua seara (Lucas 10.2). Os pais que amam a Deus e sua obra, também clamam para que ele escolha alguns - talvez os próprios filhos - para trabalhar na seara. Mateus 6.33 pede que demos a primeira escolha em tudo (inclusive a vocação) a Deus: "Busquem, pois, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas."

2.      Conversar aberta e francamente com os filhos sobre seus interesses vocacionais  

Provocar desde cedo "bate-papos" informais sondando os interesses, apontando habilidades, sugerindo áreas onde possivelmente se dêem bem no futuro. Gosto de sair, individualmente, com cada filho para explorar opções nesta e em outras áreas de suas vidas.

3.      Expor a seu filho opções vocacionais

Provérbios 11.14 nos encoraja a consultar antes de decidir (multidão de conselheiros). Uma opção é visitar lugares e entrevistar profissionais, pois são oportunidades para conhecer a realidade, os benefícios, as dificuldades e o preparo necessário de muitas carreiras.

Já por anos nossa igreja tem promovido um encontro anual, em que profissionais de vários ramos (a maioria, membros da igreja) apresentam sua ocupação dando uma visão de como glorificar a Deus com seu serviço.

4.      Ajudar seu filho a limitar as fronteiras

Os pais são os mais indicados para ajudar os filhos a discernir suas aptidões. Use a lista a seguir para ajudar seu filho a perceber o tipo de trabalho com o qual se identifica:

- Você gosta de "falar" ou prefere servir "atrás dos bastidores" (veja 1 Pedro 4.10,11)

- Sente-se mais à vontade atrás de uma mesa ou ao "ar livre"?

- Prefere trabalhar com pessoas ou com coisas?

- Gosta de trabalho cerebral ou manual?

- Sente-se chamado para o ministério ou para o trabalho "secular"?

- Gosta de gerenciar (liderança com responsabilidade) ou prefere ficar na retaguarda?

Estas perguntas podem ajudar a focalizar certas profissões. Encoraje seu filho a fazer testes vocacionais. Embora os resultados não sejam infalíveis podem ajudar.

5.      Avaliar as circunstâncias divinas

Além de ajudar o filho a não se desanimar diante de obstáculos, também temos de ajudá-lo a reconhecer sinais de que Deus não o tenha capacitado para certas profissões. Um jovem com 1m e 65 cm dificilmente será um jogador profissional de basquete. Uma pessoa desafinada não poderá seguir a carreira musical. Um curso preparatório fraco, falta de recursos, ausência de habilidades básicas e outros fatores podem eliminar certas vocações da lista.  

Mesmo que as sugestões acima sejam seguidas, elas não garantem uma carreira de sucesso vitalício. De fato, muitas pessoas mudam de profissão. Não devemos nos desesperar se uma escolha vocacional não der certo. Thomas Edison, inventor da lâmpada elétrica, depois de muitas experiências frustradas, disse: "Pelo menos ficamos sabendo de mais uma coisa que não funciona!"

Acima de tudo, pais e filhos devem orar pedindo que Deus mostre sua vontade.  Talvez o filho nunca se torne "igualzinho ao papai" em termos de carreira, mas poderá imitar sua dependência e humildade diante de Deus, ao procurar uma profissão digna, recompensadora e realizadora.

Pr. David Merkh é professor do Seminário Bíblico Palavra da Vida e pastor auxiliar de exposição bíblica da Primeira Igreja Batista de Atibaia. É casado com Carol Sue e tem 6 filhos.

Sugestão de leitura

"Pai, seu filho precisa de você!", Jaime Kemp ? Editora Mundo Cristão

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