Pesada e inadequada

Pesada e inadequada

Atualizado: Terça-feira, 27 Janeiro de 2009 as 12

Com o orçamento apertado graças aos inúmeros gastos no início do ano, muita gente acaba elegendo o reaproveitamento para conseguir sobreviver. Neste sentido, a mochila com as alças arrebentadas é mandada para reforma. Mas nem sempre a companheira surrada é a melhor opção para quem quer manter a saúde óssea dos filhos. Isso porque sem a espuma nas tiras, sem os contornos anatômicos ou confeccionadas com materiais pesados, as mochilas passam a ser as grandes vilãs da realidade infantil. Além do mais, muitas crianças lotam os compartimentos com artigos desnecessários e o barato pode sair (muito) caro. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 85% dos brasileiros já sentiram, sentem ou sentirão dores na coluna e o principal motivo deste incômodo pode estar no dorso de seu filho. Então o que fazer para que este acessório indispensável não prejudique a formação óssea das crianças?

De acordo com o médico Celso Eduardo Santos, ortopedista do Hospital Orthomed Center de Uberlândia e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica, as alterações ocorridas na idade escolar (da fase infantil até a da adolescência) acarretam inúmeros problemas posturais e causam lesões gradativas. "São inúmeras as mazelas que podem afetar uma criança ou jovem que utiliza a mochila inadequada ou com peso superior ao permitido. Dores na região lombar, baixo rendimento durante as aulas, irritabilidade durante o período escolar são sintomas que podem estar relacionados com o excesso de peso das mochilas", alerta o especialista.

Qual a mochila ideal?

A Academia Americana de Pediatria fala que as mochilas devem ter tiras largas e acolchoadas (as estreitas podem causar compressão nos ombros, gerar dor e restringir circulação), contar com duas alças (apenas uma não distribui o peso uniformemente), possuir acolchoamento posterior (que protege as costas e evita que objetos pontiagudos "cutuquem" a espalda) e serem confeccionadas com o material mais leve possível. "O acessório deve ser proporcional ao tamanho da criança para que possa se ajustar bem à coluna, sem folga. Vale lembrar que quando a mochila não está presa ao corpo, requer que o tronco vá para trás e força os músculos da criança, fazendo com que ela curve os ombros para facilitar o equilíbrio. Vale lembrar que o fundo da mochila deve ficar apoiado na curva lombar da coluna e nunca pode estar a mais de 10 cm abaixo da região da cintura da criança", diz o ortopedista.

Já as de rodinhas (que são uma ótima pedida, pois não colocam o peso dos materiais nas costas de seu filho), pedem cuidado com o comprimento do puxador. Para Celso, a criança tem que ficar com a coluna retinha e não curvada para alcançá-la, porque uma alça mal regulada sobrecarrega os joelhos e o quadril, o que pode causar inflamações muitas dores no período de crescimento.

Qual o peso ideal?

A Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica recomenda que o peso da mochila esteja entre 10 e 20% do peso corporal da criança. Também ressalta que organizar a mochila - utilizando todos os seus compartimentos de modo que os objetos mais pesados se encontrem no centro dela e mais próximos das costas -, é uma forma de prevenir problemas futuros. "Se a criança tem 40 quilos, a mochila deve ter no máximo cinco quilos. Mas o que realmente vale é a conscientização. Se seu filho acha brega usar o cinto do acessório, andar com bolsas de rodinha ou carregar o fichário nas mãos, você deve alertá-lo sobre a importância de cuidar da saúde das costas. Lembre-o que nem sempre o que está na moda é o mais apropriado e ter uma coluna sadia é muito mais importante do que desfilar um modelo que prejudique a formação óssea", indica o ortopedista.

Mas e se a criança já foi prejudicada?

Fisioterapia, RPG, natação, alongamentos musculares e orientações posturais são artifícios usados normalmente para tratar os problemas advindos do uso de mochilas inadequadas. Contudo, ressalta Celso Eduardo: "cada caso deve ser cuidado de acordo com as necessidades da criança, por isso, a ida ao ortopedista é essencial. Só ele poderá indicar o melhor tratamento. Além disso, não esqueça que cuidando do peso da mochila de seu filho, você estará garantindo a saúde dele hoje e no futuro. Adotando regras simples podemos evitar dores nas costas na fase adulta", adverte o médico.

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