Ponha o seu filho na linha

Ponha o seu filho na linha

Atualizado: Quinta-feira, 28 Agosto de 2008 as 12

O seu filho é daquelas crianças gordinhas, com as bochechas e a barriga gostosas de apertar? Fique atenta: excesso de fofura nos pequenos pode se tornar motivo de preocupação no futuro. Nos Estados Unidos, 25% das crianças encontram-se fora do peso ideal. No Brasil, de acordo com a Organização Panamericana de Saúde e o Ministério da Saúde, 15% das crianças sofrem com o peso acima da média. Um mal que pode começar nos primeiros meses e se estender por toda a vida.

"Quando me perguntam qual o melhor momento para combater a obesidade infantil digo que foi ontem, pois o quanto antes controlarmos o problema, melhor saúde teremos na vida adulta", diz o nutrologista e pediatra Nataniel Viuniski, coordenador do departamento de obesidade infantil da ABESO (Associação Brasileira de Estudo da Obesidade).

Segundo ele, uma criança de 5 anos obesa tem 50% de chances de se tornar um adulto obeso. No caso do adolescente, as chances sobem para 80%. A doença, que pode desencadear várias outras, como hipertensão, diabetes e sofrimento emocional, tem múltiplas causas. "As crianças que são propensas geneticamente a ser obesas, que estão expostas a erros alimentares, ao sedentarismo e ao estresse social vão aumentar de peso." Mas, para a nutricionista Maria Idati Eiró Gonsalves, presidente do CRN3 (Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região), a alimentação é uma das grandes culpadas. "Muitas vezes, os pais não têm tempo de fazer a correta educação alimentar para seus filhos e optam pela facilidade e praticidade no dia-a-dia. Isso significa que é mais fácil comprar salgadinhos prontos do que elaborar uma refeição mais saudável", critica. "E os pais têm papel importantíssimo, pois os filhos os consideram como exemplo. Eles devem comer corretamente e transmitir os conceitos ideais para suas crianças."

Cuidados começam cedo

Uma pergunta atormenta muitas mães desinformadas: o que fazer para evitar que o meu filho fique com a silhueta arredondada? Especialistas destacam que os cuidados começam nos primeiros dias de vida. "Até os seis meses, o bebê deve se alimentar exclusivamente de leite materno, a não ser que haja orientação médica que indique o contrário. Mais tarde, as papinhas não necessitam ser adoçadas nem salgadas e o uso de sal ou açúcar nas refeições precisa ser reduzido para evitar hipertensão e obesidade", orienta Maria Idati.

Após essa idade, os cuidados vão só aumentando. Variar a alimentação para não cair na monotonia é um dos passos contra a doença. "Não se deve oferecer às crianças apenas aquilo que elas conhecem. Elas aprendem e incorporam rapidamente novos hábitos alimentares e aceitam facilmente outros alimentos em sua dieta diária, como sucos e verduras variados", garante. "Vamos ensinar que comendo bem elas ficarão fortes e saudáveis."

De acordo com Nataniel Viuniski, o primeiro diagnóstico para identificar a obesidade é visual. "Quando os pais olham seu filho, percebem se o peso está exagerado. O caminho é procurar um pediatra para uma avaliação clínica, medidas de peso, estatura e Índice de Massa Corporal", orienta.

Cardápio Diário

No dia-a-dia não devem faltar alimentos fontes de ENERGIA (cereais, pães, macarrão, batata, mandioca); PROTEÍNAS (cálcio e ferro, encontrados nas carnes magras de vaca e frango, peixes, ovos, leite e derivados e as leguminosas como os feijões, ervilha, lentilha, grão-de-bico, soja, etc); VITAMINAS E MINERAIS (frutas, verduras e legumes) e ÁGUA. Evite doces, guloseimas, produtos embutidos, frituras e refrigerantes. Esqueça os alimentos industrializados e prefira os feitos em casa, com pouco óleo e açúcar. Ofereça sucos (sem açúcar, pois as frutas contém frutose), água e líquidos em geral entre as refeições principais, nunca junto com elas. Crianças gostam de aprender a preparar suas comidas: aulas de culinária infantil são divertidas e ensinam bastante. Leve os filhos às compras e peça que escolham frutas e legumes. Dedique um tempo para ele durante as refeições, brincando de aprender a comer.

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