Porque os pais devem falar sobre sexo com os filhos

Porque os pais devem falar sobre sexo com os filhos

Atualizado: Terça-feira, 11 Outubro de 2011 as 9:28

“As vantagens de falar de sexo com os filhos são muitas: aproximação afetiva, desenvolvimento da confiança entre pais e filhos, respeito, amor, responsabilidade, conhecimento humano - já que estamos falando como nos reproduzimos -, além do aspecto preventivo, evitando informações erradas ou distorcidas. Pois sexo só é preventivo se tiver amor e vínculo humano”, explica a psicóloga e psicopedagoga Marina Almeida, consultora de Educação Inclusiva do Instituto Inclusão Brasil.

De acordo com ela, não é preciso ser especialista para falar de sexo com os filhos: “Ler e tirar dúvidas a respeito do assunto é sempre bom. Pensar antes de responder; não precisa responder na hora. Ir com calma. Nunca dê aula sobre sexo. Responda só o que foi perguntado. Falar com palavras simples e de fácil compreensão para criança. Falar o nome dos órgãos genitais que a família usa em casa, mas dizer também os nomes corretos. Tudo isso é muito importante”, diz Marina Almeida.

Quando a criança mexe nos órgãos genitais do colega

“Comportamentos sexuais também são observados em sala de aula como  beijos, exploração do corpo do colega, um mexendo na parte íntima do outro. O educador pode pautar-se sobre os mesmos princípios que usa para outros comportamentos inadequados em aula, ou seja, demonstrar que entende a curiosidade, mas que a escola é um lugar onde deve-se respeitar a vontade dos outros e que todos estão lá para aprender, brincar. O educador não deve se omitir, ao contrário, deve orientar para brincadeiras e comportamentos adequados mas sem passar valores morais reprovadores como se a curiosidade fosse algo negativo, feio ou pecaminoso”.

Sexualidade Precoce

De acordo com a psicopedagoga na tentativa de serem modernos, alguns pais estimulam uma sexualidade precoce, incentivando danças de músicas erotizadas, namoros entre os alunos, ou coleguinhas, ou fazendo uma associação com modelos da mídia, por exemplo. “As crianças e adolescentes procuram corresponder às expectativas dos adultos e acabam se expondo inadequadamente para a sua faixa etária, assumindo rótulos distorcidos de seu gênero sexual, tais como mulher se exibe, usa vermelho, usa batom. Homem é machão, usa calça comprida, se veste de azul. Estas questões deverão ser debatidas e esclarecidas na escola e em casa, mostrando que há uma diferença entre o real e o imaginário social, midiático, familiar, escolar, promovendo desta maneira uma consciência humanizadora e possível”, diz.

Homossexualidade

A especialista explica ainda que a sexualidade infantil é inerente a qualquer criança e sua demonstração será particular a cada uma, sendo que aos pais e educadores cabe conhecê-la, respeitá-la, conduzi-la de forma adequada, sem estimulação nem repressão, e tendo sempre em mente uma auto-reflexão de sua própria sexualidade.

“No caso da homossexualidade, esse tema deve ser cogitado com prudência, cautela e ampla reflexão. A ciência do comportamento ainda não encontra explicações razoáveis ou justas na área da psicologia para entender por que uma pessoa gosta de se relacionar com outra do mesmo sexo. O fato de um menino brincar de boneca, ou de uma menina brincar de carrinho ou bola não influenciará na sua opção sexual mais tarde”, ressalta Marina Almeida.

De acordo com ela, o papel da escola numa situação como essa é investigar caso a caso se é necessária a convocação dos pais para conversar sobre a sexualidade do aluno, se a preocupação é sincera ou apenas um pré-conceito disfarçado, já que qualquer forma discriminação é crime previsto na Constituição Federal. “Do ponto de vista da ciência, não existe nada que possa explicar a homossexualidade e, portanto, não pode existir teoria unitária quanto à etiologia, dinâmica ou tratamento”, finaliza.

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