É possível fazer o outro feliz?

É possível fazer o outro feliz?

Atualizado: Quarta-feira, 25 Maio de 2011 as 12:21

A maioria dos divórcios tem sua raiz em paradigmas errôneos acerca do casamento, bem como nos inúmeros esforços desperdiçados em tentar sustentar tais paradigmas. Lembre-se também de que o fato de você estar se casando com uma pessoa cristã não significa que você terá imunidade contra problemas e dificuldades.

Crenças errôneas sobre o casamento distorcem o plano original de Deus para a família. Veja o que o Pr Carlos McCord afirma: “Uma visão clara do que é casamento deve vir antes do esforço de se casar, para ele os  jovens casais que se preparam para o casamento e, portanto iniciam seus casamentos de forma ajustada ao plano original de Deus, experimentam os mesmos benefícios desde o principio de seu relacionamento ”¹.

Já dizia Carlos Alberto Bezerra que as pessoas se casam, trabalham, esforçam-se, adquirem coisas, têm filhos, porém não sabem a razão principal pela qual estão fazendo isso! ''Se perguntarmos à maioria dos casais de noivos, próximos ao casamento, o porquê de se casarem, eles não encontrariam uma resposta correta e clara para nos oferecer. Costumam planejar muitos detalhes como o vestido, a festa, a viagem, os móveis, os convidados, porém jamais se perguntam 'Por que vamos nos casar? (...) Tudo isso é necessário, mas ainda está muito longe do propósito central do casamento ''.

Como vimos anteriormente, existem várias motivações que levam pessoas a se casarem: sair da casa dos pais, ter um nome, ter uma casa, ter filhos, por paixão, dinheiro, gravidez, realização de um sonho, status, medo da solidão, e muitas outras. Muitas destas motivações, de fato são cumpridas quando nos casamos. Porém, é muito perigoso colocarmos qualquer uma delas como a principal razão que justifique a decisão de se casar.

Na busca por um casamento bem-sucedido, muitas vezes idealizamos que “casamos para sermos felizes e para fazer o outro feliz”. Se você está pensando desta forma, fica aqui um alerta: seja uma pessoa saudável antes de se casar, e case-se com uma pessoa saudável. Não espere que o outro seja responsável por sua felicidade. Ela deve ser fruto de uma realização pessoal, alcançada por obediência e entendimento de que cada um foi criado com dons e talentos dados por Deus de maneira singular.

Se não cumprirmos primeiramente o nosso chamado individual, não conseguiremos corresponder ao propósito como casal. Vamos nos sentir frustrados, deixando de nos responsabilizar e culpando o outro por nossa infelicidade.

Segundo McCord, “casamento não gera felicidade. O casamento apenas revela a existência ou não de uma felicidade preexistente que é compartilhada por um casal. Nunca observei duas pessoas infelizes se casarem e produzirem duas pessoas felizes. O conselho que ele sempre dava às suas filhas era: “Vocês estão prontas para escolher um homem para se casar quando não precisarem de um homem para ser feliz ”.

A falta de um propósito claro do que é um casamento faz com que nos desviemos para objetivos equivocados e façamos dos meios um fim! Bezerra, em um estudo muito interessante, levanta três objetivos que muito comumente tiram o casal do foco do verdadeiro propósito do casamento. Em primeiro lugar, muitos casais têm como grande meta o conforto e a realização pessoal. “O progresso material tem se constituído no objetivo principal de muitas famílias. As pessoas gastam a vida trabalhando para alcançar o desejado, e então seguem trabalhando para manter o alcançado. Sempre estão pensando em uma nova conquista, e sacrificam tudo, até mesmo a própria família. Fazem do meio um fim " (Lucas 12:15).

Em segundo lugar, Bezerra aponta a gratificação pessoal e egoísta como outro objetivo errado para o casamento. Existem pessoas que se casam pensando apenas em si mesmas. ''O objetivo não é dar, mas receber, não é servir, mas ser servido''. Ou seja, pessoas assim enxergam o casamento como um relacionamento utilitarista.

O autor também levanta a deificação da própria família como o terceiro objetivo equivocado. ''A própria felicidade e convivência se convertem na meta mais alta da vida familiar, ainda que inconscientemente considerando Deus como um excelente meio para o bem estar da família ''.

O que se observa é que a maioria das pessoas toma a decisão de se casar a partir de expectativas irreais, e se frustram por não entenderem o verdadeiro propósito do casamento.

Na busca por um casamento bem sucedido, a crença de ''casamos para sermos felizes e fazer o outro feliz'' ainda é muito grande. Infelizmente, algumas das próprias mensagens de líderes e conselheiros frequentemente delegam aos futuros cônjuges: ''Façam um ao outro feliz''!

Isso acontece devido à grande influência que temos das várias “lentes” que afetam nossa visão sobre o casamento. Quando passamos a enxergar o casamento através das lentes da mídia, das fábulas, da cultura ou de modelos que muitas vezes não são referenciais de um casamento que cumpra o seu propósito, surgem distorções e crenças que vão norteando todo o comportamento do casal.

Este é um dos grandes alertas que queremos deixar aos noivos: casamento não é um remédio que leva à felicidade, não é a cura para a solidão ou a solução para os seus problemas! Se casamento fosse remédio para solidão, não haveria casado solitário.

Quando o casal casa com base nestas expectativas, geralmente surge o desconforto, e mais adiante, a sensação de insatisfação crescerá. Um cônjuge achará que o outro é responsável por sua felicidade, a fonte de sua satisfação.

Por isso, acreditamos na necessidade de um trabalho preventivo. Na escolha do cônjuge, quanto mais uma pessoa entender que não é a outra pessoa quem garantirá harmonia e felicidade constante, menos expectativas irreais ela terá em relação ao casamento. Como já dissemos: esta felicidade deve ser fruto de uma realização pessoal em Deus, que agora irá se fortalecer enquanto casal.

[1]McCord, Carlos. “6 Metáforas de um Casamento Feliz”, Ed. Inspire, 2010.

Leonora Temple de Almeida Ciribelli   é formada em psicologia pela Universidade de Fortaleza, integrante do corpo docente da área de Terapia Familiar na Eirene do Brasil e professora do Curso de Noivos da Igreja Presbiteriana de São Vicente (SP), junto ao seu marido, Rev. Fábio Ferraz Ciribelli.  

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