Psicóloga alerta para a superficialidade causada por relacionamentos baseados em tecnologia

Psicóloga alerta para a superficialidade causada por relacionamentos baseados em tecnologia

Atualizado: Sexta-feira, 23 Janeiro de 2009 as 12

Para Laila Pincelli, as pessoas têm tido envolvimentos tão rápidos quanto a era moderna, mesmo de maneira inconsciente. A psicóloga dá dicas para quem quer mudar de atitude diante de seus relacionamentos

A internet, os celulares e os demais recursos tecnológicos disponíveis facilitam a vida de todas as pessoas. Porém, o uso excessivo de meios não pessoais pode interferir nos relacionamentos afetivos. "De modo geral, as relações hoje começam e terminam com grande rapidez e enorme imprevisibilidade", constata Laila Pincelli, psicóloga especializada em relacionamentos familiares e de casal. "Com pouco contato pessoal, as pessoas ficam desorientadas e inseguras quanto à força das relações e ao que deveriam esperar delas", diz.

Meios virtuais podem gerar certa banalidade e superficialidade nos relacionamentos. "Com esses recursos, a comunicação se torna rápida, porém menos profunda e, portanto, mais volátil. Fica fácil, também, entrar e sair de uma relação".

Mesmo entre os que se conhecem pessoalmente, a relação passa a ser mais virtual que física. "É fácil, literalmente, deletar alguém que não lhe dá atenção. Comodamente, as pessoas esperam sempre pela atitude e iniciativa do outro. No fundo, elas gostariam de amadurecer a relação, mas nunca dão o primeiro passo".

Além disso, ressalta Laila, a comunicação virtual dá margem a interpretações ambíguas e, muitas vezes, a mal-entendidos. "Fica-se na dúvida entre o que é virtual e o que é real. O que se supõe ser desinteresse por parte do outro - e muitas vezes é - gera ansiedade e distanciamento. O contrário também pode acontecer: a ilusão e a expectativa por conhecer alguém de maneira mais madura".

A psicóloga menciona casos em que, inicialmente, as pessoas se conhecem pessoalmente e depois estabelecem conexão virtual e, muitas vezes, não avançam. "A ausência de contato direto impede que se transmitam os sentimentos com integridade", observa.

Isso ocorre, com a mesma frequência, tanto da parte dos homens como das mulheres, e em qualquer idade, destaca Laila: "Essa frivolidade é mais intensa na adolescência e até os 20 e poucos anos, mas não tem idade para acontecer. As pessoas estão cada vez mais imediatistas e não dão nem tempo de amadurecer uma relação, por pura falta de empenho ou de paciência para ver o que pode acontecer".

Essas atitudes, na avaliação da psicóloga, não são conscientes. Para ela, com a frequência de convívios virtuais, perde-se o jogo de cintura do frente a frente. "A ideia é se expor menos, e isso reduz as chances de uma sequência ao relacionamento. Além disso, fica mais fácil fantasiar e, de certa forma, enganar o outro. Ao mesmo tempo, relacionar-se cara a cara torna-se um risco e traz medo de eventuais frustrações".

Da forma superficial e banal com que são tratados os relacionamentos, as pessoas não se preocupam com o que podem provocar nas outras e nem com seus sentimentos. "A relação se torna frágil e pode se romper a qualquer momento", adverte Laila. E prossegue: "Essa dificuldade de, pelo menos, tentar fortalecer vínculos e de amadurecer sentimentos, traz um vazio e uma angústia muito grandes, o que as pessoas não revelam socialmente, mas que aparecem ao longo de em um processo terapêutico".

Dicas de Laila para aprofundar os relacionamentos e torná-los duradouros:

Selecione e avalie seus sentimentos. Ao concluir que são verdadeiros, faça um esforço para tornar mais frequentes os contatos pessoais, usando a linguagem virtual apenas como um recurso a mais. Se você está com muita vontade de avançar no relacionamento, abra-se para ele: avalie como se coloca perante o outro e demonstre seu interesse e desejos. Mostre que quer aprofundar a relação, se lhe parecer valiosa. Não seja mero reflexo do aparente desinteresse do outro.

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