Psicóloga diz como achar boa resposta para cada idade da criança

Psicóloga diz como achar boa resposta para cada idade da criança

Atualizado: Terça-feira, 19 Outubro de 2010 as 8:41

Desconcertantes, cabeludas, insistentes e, às vezes, de enlouquecer. As perguntas infantis se modificam com a idade e podem revelar muito mais que simples curiosidade. Em "Por que as crianças fazem tantas perguntas? Como dar as respostas adequadas" (Landy), a psicóloga e psicoterapeuta Paola Santagostino explica que o sentido da metralha de perguntas nem sempre é óbvio. Em muitos casos, são pedidos de ajuda ou busca de um contato mais profundo com os pais.

Se você preparou aquela explicação científica para o filho, esqueça. Tudo o que ele quer e precisa é de uma resposta simples, direta, de acordo com sua idade. Segundo a autora, eles não têm capacidade de compreensão abstrata para dar um sentido às explicações realistas e cientificamente corretas. Isso pode deixá-los confusos, "intelectualmente derrotados". A evitar também, pela mesma razão, respostas genéricas: "por que eles fizeram isto?", "ah, porque são pessoas más!".

Saber ouvir, interpretar e responder corretamente as perguntas é fundamental no relacionamento entre pais e filhos. Muitas vezes, tudo o que ele quer não é uma resposta, mas sua atenção, um tempo juntos para jogar. Nas palavras da escritora, eles são como pequenos cientistas que procedem por tentativa e erro, "ajustando cada vez mais a pontaria". Ou seja, o mesmo método para aprender a amarrar os sapatos é usado para construir seu universo mental.

Com a idade, o tipo de pergunta muda. Então, hora de ajustar a resposta. A partir dos dez anos, as perguntas têm base mais na curiosidade geral que nas necessidades individuais. Assim, a resposta deve abordar temas mais gerais, contanto que fique claro em que bases estamos fundando a opinião. Na puberdade, há um "pedido de tranquilização" implícito nos famosos "debates intelectuais". E os pais devem aprender a lidar com isso. Uma boa saída é tentar achar as respostas junto com os filhos.

Questões ligadas aos dramas da vida humana - o nascimento, a morte, o divórcio -, despertam um cem número de perguntas nas crianças porque a Terra, seus habitantes e seus fenômenos estão sendo apresentados a elas. Embora difíceis para os adultos, há sempre uma maneira serena e criativa de responder sobre tudo e, segundo a autora, este é um verdadeiro "ato de amor". Afinal, bom lembrar, neste pingue-pongue diário de pergunta-resposta, constrói-se o hábito da comunicação verbal entre pais e filhos, um patrimônio para toda uma vida.

Leia agora um trecho do livro:

Nas primeiras perguntas, já há um esboço do conceito de causa e efeito, e principalmente a exigência de saber como se comportar diante de um determinando fenômeno; pois as primeiras perguntas das crianças são um magnífico exemplo de um conjunto de praticidade extrema e pura metafísica.

Por que chove? Uma pergunta dessas, na boca de uma criança pequena, pode significar mil coisas:

"O que está acontecendo, por que agora está caindo água do céu?"

"Por que está fazendo isso?"

"Não tem jeito que pare?"

"Tudo bem, mas aí como vou fazer para brincar no jardim?"

"Será que vai continuar para sempre?"

A criança formula perguntas que podem conter mais cem, com sentido completamente diferente.

Não é fácil entender o que interessa realmente naquele momento, mas com certeza quando faz a sua pergunta, por hermética que seja, ela conta com uma resposta perfeitamente adequada do pai ou da mãe.

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