Psicóloga explica como falar sobre a morte para crianças

Psicóloga explica como falar sobre a morte para crianças

Atualizado: Terça-feira, 29 Novembro de 2011 as 4:02

A morte é inevitável e pode acontecer a qualquer momento. O maior problema é fazer com que uma criança entenda o fato e como será a sua rotina daquele dia em diante. Para que a criança compreenda esta nova realidade e conviva com a ausência de uma pessoa querida, é preciso que um adulto mais próximo a ela seja sincero, objetivo e responda as perguntas de forma clara. “E, ao contrário do que pensam, não deve usar historinhas, que podem confundir, pois ela vai entender exatamente o que se fala e não o processo real de morte. A criança pode perceber que isso não é uma verdade e se sentir traída pelo adulto”, explica a psicóloga com experiência em situações de crise, Lucélia Elizabeth Paiva. Em situações como esta, é importante que o adulto não omita o que está acontecendo, pensando que vai poupar a criança, porque “ela vai perceber algo diferente, mesmo que não se fale. Por isso, é preciso um adulto de confiança e relação afetiva, para explicar tudo”, aconselha Lucélia. Alguns estudos mostram que não é só a questão do desenvolvimento cognitivo que estabelece um entendimento maior da criança em relação à morte. Segundo a psicóloga, para que ela entenda a situação, deve-se considerar suas questões sociais e culturais. “Geralmente, essa conscientização acontece entre os cinco e sete anos de idade, mas se ela já vive em um ambiente de violência, onde a morte é frequente, a criança pode ter a capacidade de entender isso antes”, conta.  Para ela, é importante que a criança entenda três coisas em relação à morte: “Primeiro, é que isso vai acontecer um dia com todas as pessoas, inclusive com ela; segundo é que, quem morre, não volta mais; e terceiro é a não funcionalidade daquele que se foi, que não está mais sentindo dor, saudade, medo, que ele para de funcionar.” O momento do velório também é algo que deve ser tratado com muita cautela. É importante que a criança não seja retirada deste cenário. Mas, levá-la ou não até o local, depende de várias situações, como por exemplo, o grau de afetividade dela com a pessoa, de como foi a morte, se há alguém emocionalmente equilibrado para acompanhá-la.São variantes que não estabelecem uma regra para este momento. Lucélia enfatiza que deve ser explicado para a criança o que vai acontecer e o que haverá lá. “Depois de esclarecer, deve-se perguntar se ela quer ir. Às vezes, ela diz que sim, mas quando chega, não quer entrar. Isso indica que é o quanto aguenta lidar com a situação e não deve ser forçada”, diz a especialista Segundo ela, ligar a questão da morte com uma religião, pode até trazer confusão para a criança, se isso já não estava no dia a dia dela. “Dizer, por exemplo, que o vovô está no céu, olhando, pode não ser entendido de forma abstrata e a criança  se perguntacomo isso pode acontecer na realidade”, comenta. Para que assuntos difíceis como morte e separação sejam tratados com crianças, a psicóloga propõe, além de literaturas infantis, muita conversa com o pequeno. “O importante é promover um espaço de acolhimento, um clima de sinceridade e de cumplicidade para que a criança se sinta à vontade para manifestar suas emoções. Se esta conversa for natural, ela vai entender a situação também com mais naturalidade.”    

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