Qual é a hora certa de ter filhos?

Qual é a hora certa de ter filhos?

Atualizado: Quinta-feira, 8 Setembro de 2011 as 4:02

Atualmente, muitas mulheres estão postergando o momento de ter filhos. Umas, por razões profissionais. Outras, por questões financeiras - já que para muitas delas, terminar as prestações do apartamento tornou-se mais urgente que ter crianças correndo pela casa. E uma boa parte, por não ter encontrado uma relação estável ou um companheiro que deseje formar uma família. Sem contar aquelas, ainda não muitas, que pretendem tocar a vida sem provar o gosto da maternidade.

Mas qual a diferença entre essa nova mulher, que pode optar entre ser ou não ser mãe ou mesmo planejar a época de ter filhos, e a mulher que se realizava somente por meio da maternidade?

Para o filósofo Renato Janine Ribeiro, até há pouco tempo a vida da mulher brasileira se compunha de estágios sucessivos. "A moça era colhida pelas teias sucessivas do casamento, da maternidade e, depois, da condição de avó", diz. Segundo Renato, o mais interessante hoje é o fato de se poder escolher, por exemplo, entre ser mãe aos 18 e profissional aos 28, ou profissional aos 25 e mãe aos 35.

O ideal? Muitos casais esperam alcançar uma condição ideal para então receber as crianças. Para boa parte deles, o cenário perfeito consiste em ter apartamento próprio, carros, bons rendimentos, união estável, realização profissional e sensação de já ter aproveitado a vida de casal ainda sem filhos. De um lado, isso é bom. "Para ter filhos, é preciso já ter encontrado seu lugar no mundo", diz Beatriz Vidigal, psicóloga especializada em terapia de casais. Mas também é prudente admitir que perfeição não existe e que não é preciso esperar por uma situação ideal para se ter uma criança.

Além disso, um bebê não deve vir ao mundo só porque esteja faltando o toque final de uma estrutura perfeita. Portanto, não é para aliviar o tédio do casal quase perfeito, afastar a solidão de uma mulher sozinha, muito menos para perpetuar uma linhagem familiar. O filho terá de ser colocado em primeiro lugar em muitas decisões, com sacrifício dos pais, inclusive.

18 meses de gestação

Talvez fosse melhor pensar mais na qualidade do tempo que se vai ter ao lado de uma criança. A terapeuta Miriam Santos Lerner, especialista no trato com gestantes e jovens mães, diz que na visão da medicina chinesa a gestação do ser humano dura 18 meses: nove meses dentro do útero e mais nove fora do útero. Nesse período, o bebê precisa ser mbalado, receber carinho e afeto - que será seu principal alimento, ao lado do leite materno. Em outras palavras, se a mãe puder parar de trabalhar durante um ano para cuidar mais diretamente do seu bebê, ele agradecerá muito por isso.

Outro ponto: muitos homens e mulheres parecem dispostos a ter filhos, mas nem sempre a cuidar deles. "É normal ter a ajuda da família, do berçário, desde que os pais não abdiquem da sua responsabilidade", diz Marta Judith Lauro, psicóloga que atende mulheres que fazem tratamento de fertilização.

Mas a psicóloga também já atendeu muitas clientes estressadas com o nascimento de gêmeos, trigêmeos ou quadrigêmos resultantes de tratamentos usados em mulheres que optaram pela gravidez tardia. Aí o bicho pega. "O impacto é bem maior", reconhece. Serão necessárias muito mais mãos para ajudar.

Tique-taque biológico "A idade ideal para a mulher ter um filho, biologicamente falando, está entre os 23 e os 25 anos", diz o médico Raul Nakano, especialista em reprodução humana. Nesse período, a mulher tem uma alta taxa de fertilidade, menos possibilidade de ter contraído infecções graves ou problemas ginecológicos. O especialista aconselha que os pais encomendem seu primeiro filho quando a mulher atingir 30 anos. "Aí ela terá mais tempo para solucionar eventuais dificuldades, fazer tratamentos e ainda ter tempo hábil para planejar a segunda gravidez", diz.

Mas não se esqueça do principal em relação ao assunto: racionalizar demais pode tirar o encanto e a graça da vida.    

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