Quando a criança deve aprender outra língua?

Quando a criança deve aprender outra língua?

Atualizado: Quarta-feira, 17 Fevereiro de 2010 as 12

Vale a pena incluir o ensino de um segundo idioma no aprendizado de bebês e crianças de até 5 anos? Essa é uma pergunta cada vez mais recorrente na vida das famílias modernas. Afinal, a tecnologia evoluiu e a comunicação aproximou as pessoas. Com a globalização e a internet, línguas como o inglês e o espanhol ganharam importância no nosso dia-a-dia. Mas até que ponto é saudável expor os pequenos ao chamado bilinguismo? Existe uma idade certa para fazer isso? Quais os riscos de a criança apresentar defasagem de fala por causa de confusões entre os idiomas?

O ensino bilíngue do modo como se conhece hoje é novo, não tem 50 anos. Por isso, os estudos em relação ao tema ainda são incipientes. "Existem teorias defendendo que crianças pequenas têm mais facilidade de assimilar um segundo idioma e outras que asseguram que é preciso antes consolidar a língua materna", informa a pedagoga Selma de Assis Moura, coordenadora pedagógica de uma escola bilíngue em São Paulo. "Questiono esse determinismo. Prefiro trabalhar com a ideia de que as crianças dispõem de inteligência linguística, ou seja, capacidade de processar linguagens e podem desenvolvê-la bem a qualquer tempo."

Segundo ela, o perfil familiar é mais importante do que a idade da criança na hora de optar pela introdução de mais um idioma na vida de um filho. Os pais ou os responsáveis devem valorizar a segunda língua, por questões profissionais ou pessoais, mas o ensino bilíngue só tem sentido se houver a perspectiva de continuidade em casa. "A razão de ser da língua é a comunicação: se a criança não precisar do idioma, por que vai utilizá-lo?", questiona Selma de Assis.

O médico Luiz Celso Vilanova, chefe do setor de neurologia infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), concorda que a criança é capaz de aprender a reconhecer os sons próprios de um idioma independente de sua idade. Ela ressalta, no entanto, que o cérebro vai perdendo a capacidade de identificar e produzir fonemas se a pessoa não é exposta a eles. "Na prática, isso significa que é vantajoso colocar crianças pequenas em contato com dois ou mesmo três idiomas", sustenta. "No futuro, elas terão mais facilidade de desenvolver essas línguas e o risco de adquirirem sotaque é menor."

Por Giuliano Agmont

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