Quando o "amor" é doentio

Quando o "amor" é doentio

Atualizado: Segunda-feira, 12 Maio de 2008 as 12

Quando o "amor" é doentio

 Um grande número de pessoas utiliza a palavra amor para descrever o sentimento em relação a alguém por quem é mais atraído ou a quem se sente mais apegado. De acordo com o Dr. Thiago de Almeida, psicólogo, terapeuta de casais, pesquisador da Universidade de São Paulo (IPUSP), especializado em relacionamentos amorosos, afirmações como "isso é amor", ou seu contrário, "não, isso não pode ser amor de forma alguma", oscilam ao sabor das conveniências para cada situação às quais estejamos nos referindo.

Segundo Thiago, cada pessoa experimenta o amor à sua maneira, pois é uma experiência idiossincrática (pessoal), que cada um vivencia de modo diferente e novo. O especialista observa que existem casos de co-dependência ou amor patológico. "O fenômeno da "co-dependência", a princípio conhecido como "Síndrome das mulheres que amam demais", foi inicialmente identificado em pessoas do sexo feminino, sendo uma incapacidade que algumas pessoas têm em estabelecer relacionamentos amorosos saudáveis", explica. Segundo o profissional, trata-se de pessoas com tendência constante para se apaixonar por indivíduos muito problemáticos e ficarem presas emotivamente a estas pessoas.

O terapeuta diz que em casos de co-dependência, a ajuda psicológica torna-se fundamental, porque é comum a pessoa sentir um enorme vazio e imensas mudanças emocionais quando tenta se comportar de forma diferente com o(a) companheiro(a) ou quando o relacionamento chega ao fim. "Há quem se mantenha na co-dependência a vida toda para não ter de passar pelo angustiante processo de separação. A pessoa acredita que não pode suportar viver sem aquela pessoa e prefere manter-se infeliz e insatisfeita enquanto perdurar a relação", comenta.

Segundo o pesquisador, atualmente também existem homens que "amam demais", mas ainda é considerado um assunto-tabu na nossa sociedade patriarcal e machista. Thiago afirma que dificilmente eles procuram grupos de auto-ajuda, a exemplo das mulheres, para verbalizar e expor a situação que os incomoda. "Eles vivenciam os mesmos sintomas e dificuldades existências que as mulheres acometidas pelas conseqüências negativas da co-dependência, sendo que para eles é talvez mais difícil se tratar pelo fato de que a nossa sociedade não valida esta patologia nos homens", esclarece.

O psicólogo ressalta que, apesar de acometer ambos os sexos, o amor patológico (AP) parece ser prevalente na população feminina, uma vez que, em geral, as mulheres consideram a relação a dois como prioritária em suas vidas. Entretanto, não há dados precisos que informem o número de homens e mulheres afetados.

Thiago faz questão de deixar bem claro que o AP caracteriza-se, portanto, pelo comportamento repetitivo e sem controle de prestar cuidados e atenção excessivos ao parceiro, com a intenção (nem sempre revelada) de receber o seu afeto e evitar sentimentos pessoais de angústia e de menos-valia.

"Para a caracterização do AP, é importante, também, que essa atitude seja mantida pelo portador, mesmo após concretas e reiteradas evidências de que está sendo prejudicial para a sua vida e/ou para a vida de seus familiares", diz.

O psicólogo alerta sobre os sinais e sintomas de abstinência, quando o parceiro está distante (física ou emocionalmente) ou quando há ameaça de abandono. "Podem ocorrer insônia, taquicardia, tensão muscular, alternando-se períodos de letargia e intensa atividade", finaliza.

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