Quando o não se faz necessário

Quando o não se faz necessário

Atualizado: Segunda-feira, 10 Outubro de 2011 as 7:31

Alguns pais erram na educação dos filhos por não saberem impor limites a eles. A boa educação pode estar intimamente ligada aos “nãos” que os pais dizem. Nem sempre atender às vontades da criança, a fim de evitar choros e birras, é o melhor caminho. Os pais devem estar atentos na hora de limitar as vontades delas, caso contrário, poderão ter dificuldades de encarar as negativas que a vida trará na fase adulta.

Para Fátima Bittencourt, terapeuta de família e diretora do Grupo Sanare, essa geração de pais tem mais dificuldade de impor limites aos filhos. “É uma geração que nunca em tão pouco tempo na história da humanidade teve tantas mudanças em todas as áreas de relacionamento. Para isso, precisamos urgentemente de pais conscientes, que ensinem verdadeiros valores aos filhos. Que lhes digam que esses valores são importantes, mesmo que isso não os credencie a receber algum prêmio ou compensação.”

A especialista fala da complexidade que é educar uma criança e afirma que, mesmo sendo difícil, é importante que se estabeleça limites para a construção de sua personalidade. “Desenvolva em seus filhos a autoestima e a capacidade de trabalhar perdas e frustrações, filtre estímulos estressantes, dialogue e ouça a fim de que eles possam aceitar as regras da vida para serem felizes. Essas regras geram filhos maduros e com estrutura para escolherem o melhor que a vida pode oferecer.”

De acordo com Bittencourt, é bastante comum os pais justificarem seus erros invocando suas condições de vida. Dizem que foi o desespero que os levaram a tomar atitudes equivocadas ou que circunstâncias negativas os levaram a não conseguir impor limites aos filhos.

“Os pais agem assim para compensar a ausência por excesso de trabalho. Filhos agridem pais porque não lhes deram o que pediram. Irmãos mentem, enganam, sem se importar em que condições ficarão os demais. Formam-se regras confusas para toda a família e sociedade, gerando seres individualistas, narcisistas, inseguros e autoritários.”

Nem palmada, nem grito

Com a condenação da famosa palmada, muitos passaram a apelar para o recurso do grito. Para a especialista, essa maneira de estabelecer limites gritando é uma característica de pais que estão estressados e sob pressão. E também de pais que perderam a razão e recursos para exercer autoridades.

“Esses pais foram orientados a não bater nos filhos; e eles não querem repetir os padrões de seus pais. Agressão gera agressão e, sem dúvida, não é a maneira sensata de educar. Nem grito, nem palmada”, ressalta.

No caso de crianças que apelam para o choro a cada “não” que recebem, a dica da terapeuta é não supervalorizá-lo. “Pais que sofrem ou se paralisam com pirraças dos filhos precisam rever seus valores de autoestima, competência, segurança, confiança e valores necessários no processo de educar.”

“Os vínculos afetivos são construídos desde a gestação dos filhos. Se verdadeiros, jamais se perderão por causa das regras necessárias no processo educacional. Investir na confiança de que se viveu mais, e por isso tem mais experiência, servirá de suporte emocional para sustentar os limites necessários, sem rigidez”, esclarece a especialista.

Para os pais que têm dificuldades em dizer não para o filho, a terapeuta adverte: “Um autêntico processo de educação, em que o filho aprende que o amor é o maior dos tesouros, ensina a estabelecer regras de convivência. Então não haverá de se tornar infeliz somente porque não tem a roupa de grife, o brinquedo, celular ou games. Ele será alguém que reconhecerá a grande diferença entre ter coisas e ser um sujeito com seu unido time físico, emocional e espiritual; tornando-se assim um adulto feliz. Digam não, sem explicar demais, ameaçar ou compensar. Afinal, não é não”, finaliza.

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