Quero minha mulher de volta

Quero minha mulher de volta

Atualizado: Quarta-feira, 23 Março de 2011 as 9:10

Nos primeiros três meses de vida do bebê, mãe e filho são quase um só, não tem muito jeito. Ela precisa acordar de madrugada para amamentar, interpretar o choro do filho, acalmá-lo com a sua presença... Nesse início de conversa, o pai precisa ter paciência e aceitar que sua mulher esteja mais com o bebê do que com ele e dar suporte para que a mãe possa acolher e cuidar desse filhote. A partir do quarto mês, já está na hora de a mãe lembrar que também é gente, que também é mulher e tem outras necessidades que não podem ser supridas apenas pela relação com a criança. Nem sempre é fácil: o filho exerce um fascínio que faz a mãe “se perder no olhar do bebê”, como define a psicóloga Eliana de Barros Santos, mãe de Mariana, Rebeca e Laerte.

Aí é que entra o pai, que precisa chamar a mulher para os outros papéis que ela deve desempenhar. Esse processo de retomada da vida é importante não só para a mulher e o marido, mas para o próprio filho. É o pai que, mostrando que a mãe não é só do filho, faz com que o bebê perceba que existe um mundo lá fora. “Com a chegada de um filho, o casal não é mais o mesmo. Há o nascimento de um novo casal, e é o pai o responsável por mostrar à mulher esse novo caminho”, diz Eliana. Denise Costa está nessa fase, totalmente concentrada em seu lado mãe. Sua relação com o filho Guilherme, de 3 meses, é tão intensa que até os e-mails são respondidos em nome dos dois, como se fossem um só.

Mas Marcos, seu marido, bem que está tentando: quer combinar uma sessão de cinema, o programa a dois que não fazem há tanto tempo. “Ótimo. Algumas amigas minhas têm ido ao cinema uma vez por semana, com os bebês, sem problemas”, foi a resposta de Denise que, ao saber da intenção do marido, nem cogitou ir sem o seu pequeno. “O bebê pode ficar com a sua mãe ou a minha pra irmos nós dois ao cinema!”, respondeu, firmemente, o marido. E ele está certo. Para o pai se posicionar nessa relação, ele tem de abrir espaço com os cotovelos meeeesmo. Ser firme com a mulher, mostrar que o filho precisa dela, mas que ele também tem de ter vez. “foi aí que eu me lembrei que o cordão umbilical já havia sido cortado e que eu e o gui somos seres separados”, diz Denise.

Para ajudar a mulher a retomar seu caminho, é importante que o pai participe da criação do filho, compartilhe das emoções e do trabalho todo que vêm com o pacote. Afastar algumas fontes de perturbação, como ajudar a cuidar da casa, do filho ou dos outros filhos que tiverem. Quando existe harmonia no casal, não só ele vai lembrá-la de que é mulher como ela vai chamá-lo para exercer as funções primordiais de um pai. É claro que, sozinho, o pai nem sempre consegue muita coisa. A mulher precisa aceitar sua ajuda e permitir que ele se imponha como peça fundamental que é. Afinal, esse filho só apareceu em função do vínculo que uniu esse casal. E esse vínculo não pode nem deve ser esquecido.

CONSULTORIA: ANNE LISE SCAPPATICCI, MÃE DE EMANUELA E CHIARA, PSICANALISTA E TERAPEUTA FAMILIAR DA UNIFESP, TEL.: (11) 5571-5777 * LIDIA ARATANGY, MÃE DE CLAUDIA, SILVIA, UCHA E SÉRGIO, PSICOTERAPEUTA E ESCRITORA *  ELIANA DE BARROS SANTOS, MÃE DE MARIANA, REBECA E LAERTE, PSICANALISTA E DIRETORA DA ESCOLA GLOBINHO, TEL.: (11) 3673-3577

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