Resoluções que toda mãe deveria fazer

Resoluções que toda mãe deveria fazer

Atualizado: Sexta-feira, 10 Dezembro de 2010 as 2:23

1. Ficar mais tempo com os filhos

Tempo para estar junto, para educar, para olhar no olho, para curtir a infância deles, que passa voando... Em 2010, inspirada pela nossa campanha Mais Tempo com seu Filho, consegui aumentar a dose de convivência com minhas filhas, uma grande conquista. Diminuí o número de dias em que saio tarde do trabalho, aumentei o número de páginas de livros lidas para elas antes de dormir, o tempo de ficar abraçada com elas no sofá ou de cantar as músicas do Camp Rock com a mais velha... Mas incluo esta resolução na lista porque sinto que é muito fácil deixar os compromissos invadirem o espaço que tem de ser da família. Se a gente não permanece atento e forte, quando vê, a exceção vira regra fácil, fácil e, quando chegamos em casa, todo mundo já foi dormir.

Em 2011, a caçula, já com 2 anos, começa na escola. Não teremos mais as duas ou três horas que passamos juntas pela manhã. Resultado: vou ter de reorganizar a agenda para estar com ela outra hora:

seja na hora do almoço, seja no final do dia, ainda antes de ela ir dormir. Quem trabalha fora dificilmente escapa desse dilema. Aliás, segundo uma pesquisa feita com crianças pelo The Baby Website, o tempo ideal para ficar junto, para elas, e brincando (porque outras atividades não contam), é de três horas por dia.

Ainda estou longe de atingir essa meta. E, quer saber? Qualidade é fundamental, mas as crianças querem quantidade. É difícil? Eu sei bem que é. Muitas amigas perguntam como eu consigo dirigir uma revista, apresentar programa de rádio, fazer análise, hidroginástica, ler tantos livros, dar atenção ao marido e cuidar de três meninas. Minha resposta é sincera: não consigo. Mas vou viver tentando. O sorriso delas quando apareço no portão da escola vale toda a correria.

2. Cuidar mais de você

Mesmo que a cada vez que você pense em fazer ginástica tenha vontade de deitar e esperar passar, dê-se um empurrãozinho e arrume ao menos 30 minutos por dia para fazer algum tipo de atividade física. Seu humor e sua disposição vão melhorar, você vai emagrecer, ficar mais firme e saudável. E não precisa ser nada muito complicado, não. Uma volta pela vizinhança já faz efeito.

O dr. Turíbio Leite Barros Neto, médico fisiologista do Cemafe (Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte) da Unifesp e autor de livros como Programa das 10 Semanas: uma Proposta para Trocar Gordura por Músculos e Saúde (Ed. Manole), aconselha a marcar um encontro com você mesma: colocar o próprio nome na agenda e achar um horário, pelo menos três vezes por semana, para se mexer. Falta de tempo e dinheiro não são desculpas. Você consegue cinco minutos para dar uma volta no quarteirão ou pode deixar o carro num estacionamento mais distante para andar umas quadras até o trabalho – yes, you can! Você pode usar mais as escadas: se mora no décimo andar, descer no quinto e enfrentar os degraus, religiosamente, todos os dias é uma forma de aumentar o gasto calórico. Em 2011, volto pra musculação. E volto ao peso pré-gravidez. Prometo.

3. Aceitar o caos da maternidade

Crianças são um ótimo pretexto para você baixar suas expectativas. Nada mais será impecável como antes. Nem tão organizado. Ou limpo. As almofadas dificilmente ficarão alinhadas duas a duas nos cantos do sofá. O chão não vai ficar intacto por muito mais do que meia hora. Os brinquedos só vão ficar impecavelmente ordenados uns dois minutos após aquela organização anual. E as paredes, bom, as da minha casa são amarelas porque, com criança, você sabe, o mundo é Flicts.

A babá vai esquecer de avisar que aquele pacote de lenço umedecido era o último. Você vai esquecer que naquele dia seu filho devia ir de fantasia para a escola – e ele será o único de uniforme. Sim, claro, vale a pena criar mecanismos de organização que minimizem esses pequenos percalços, sempre motivo de muito estresse e chateação. Manter a casa mais clean durante os primeiros anos, ter uma agenda em papel em que você anote os compromissos, tipo o dia sem uniforme, e a babá possa usar também para escrever lembretes (e uma versão digital, claaaaro), ter listas, quadro de avisos (tenho um com os cursos extras de cada uma, porque sempre alguém esquecia a mochila do judô ou da natação)... Mas a verdade é que imprevistos vão ocorrer. E seu filho vai chorar porque é o único de uniforme. E você vai ter de aprender a lidar com isso.

4. Fazer refeições em família

Pesquisas recentes mostram o que a mãe da gente cansava de falar: fazer refeições em família é uma boa maneira de se aproximar, ensinar regras de comportamento e mostrar que broto de alfafa tem muitas propriedades nutricionais e fica ótimo com azeite (Carol me viu comendo um dia e virou fã). Tenho de confessar que durante um tempo razoável preferi evitar comer junto com as meninas. Sim, fui uma daquelas mães que estressavam se elas não comiam o brócolis e torciam o nariz para o bife. Então, cheguei à conclusão que, enquanto não resolvesse meus problemas, deveria evitar transformar a hora da comida em estresse. Hoje, procuro almoçar com as meninas ao menos uma vez por semana no refeitório da escola. Pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos EUA, descobriram que as crianças entre 11 e 18 anos de idade que faziam refeições em família comiam maiores quantidades de alimentos ricos em nutrientes do que aqueles que comiam separados das suas famílias. É verdade.

Toda vez que almoço com minhas filhas na escola faço com que coloquem verduras e legumes no prato. E percebo que as crianças que estão sozinhas só comem, basicamente, carboidratos e carne. Aproveito para dar o exemplo. Jantar junto é mais complicado. Acaba sendo possível só no fim-de-semana. No Brasil, de 30% a 40% das famílias NÃO jantam juntas de cinco a sete noites por semana. Eu me incluo nelas. Vou tentar melhorar em 2011.

5. Renovar o guarda-roupa

"Ah, mas eu vou usar mesmo depois que tiver o bebê". Ok, você usou essa desculpa para comprar aquele vestido de grávida que amou, mesmo estando às vésperas do parto. Mas isso não a obriga a realmente ter de usá-lo. Eu não fui das felizardas que conseguiram fechar o zíper do jeans tamanho 36 ainda antes de sair da maternidade. Assumo que usei calças de grávida por longos meses depois de já estar com o bebê nos braços. E saí na rua de pijama (ok, agasalho de moletom...) diversas vezes. Mas não me orgulho disso. Adorei amamentar, mas adorei voltar a poder usar sutiã de renda. Conselho de amiga: assim que puder, passe suas roupas de grávida adiante. Ou guarde bem guardado esperando

a próxima gestação. E compre roupas que a façam se sentir bonita, ainda que você não esteja na sua melhor forma. Aproveite que o Ano Novo está chegando e faça aquela limpa no guarda-roupa. Use a máxima do feng shui: livrar-se do velho e deixar vir o novo.

6. Aprender a cozinhar

Minha avó materna, lituana, cuidou dos irmãos, lavou, passou, cozinhou. Depois veio para o Brasil trabalhar como operária numa tecelagem. Quando teve minha mãe, não deixava que ela nem pisasse na cozinha: "Se você não souber cozinhar, ninguém vai poder obrigá-la a cuidar de casa", dizia. Minha mãe se ressentia, mas, longe da cozinha, aprendeu inglês, francês, formou-se psicóloga pela USP, virou professora universitária. E, quando decidiu casar, fez um curso de culinária, em que aprendeu a fazer pratos sofisticados. Arroz e feijão ela aprendeu com os livros da Ofélia. Eu frito ovo e faço miojo como ninguém. Mas gostaria mesmo de saber fazer bolos deliciosos, daqueles que perfumam a casa. Uma das qualidades mais citadas como atributo da "mãe ideal" na pesquisa feita pelo site The Baby Website com crianças foi fazer bolos caseiros, mencionada por 65% dos entrevistados. Um dos itens talvez surpreendesse minha avó: permitir que as crianças ajudem a cozinhar, apontado por 60% dos entrevistados. Hoje já se sabe que as crianças que ajudam a preparar o cardápio torcem o nariz menos vezes para a comida. Mas o que estou falando é daquela coisa de mãe tradicional mesmo, de colocar o avental e bater claras em neve na mão. Na minha lista está procurar um bom curso para 2011.

7. Cuidar da vida a dois

Filhos, trabalho, estudo, casa, marido (ou namorado, enfim...). Se sua lista de prioridades se parece com esta está na hora de revê-la. Claro, muitas vezes a gente se sente exausta até para pensar em sexo.

Uma pesquisa da National Sleep Foundation (Fundação Nacional do Sono) revelou que 25% dos casais (casados ou vivendo juntos) se sentiam cansados demais para "intimidades". Enquete feita pela revista norte-americana Parents mostrou que 37% dos entrevistados transavam, em média, uma vez por mês – ou menos! Mais uma pesquisa, esta publicada no Journal of Family Psychology, mostrou que 67% das esposas relataram uma queda no nível de felicidade e um aumento significativo nos sentimentos hostis nos três primeiros anos após o nascimento do filho. Isso quando o casamento chega a durar três anos após o nascimento do filho... O fato é que casais próximos e com vida sexual ativa resistem melhor às intempéries. Claro, é difícil saber o que vem primeiro, o ovo ou a galinha... Mas se você quer manter seu casamento precisa ter tempo para o parceiro, óbvio. Pode parecer um pouco estranho, mas vale a pena marcar encontros semanais com o marido.

Chame a babá (a sogra, sua mãe, sua irmã...), deixe as crianças com ela e vá jantar, pegar um cinema, andar de mão dada e dar beijo na boca. Ligue de vez em quando só para dizer que está com saudade. Comemore seu aniversário de namoro e casamento. Dê uns amassos no sofá da sala depois que as crianças forem dormir (tranque a porta do quarto delas, depois vocês abrem). E, por favor, leve os filhos na escola vestindo pijama, mas não vá para cama de agasalho de moletom. E por mais que isso tudo signifique um pouco menos de tempo com os filhos, acredite: uma mãe e um pai que estão felizes como casal é algo que só beneficia as crianças.

8. Aproveitar a infância deles, muito!

Parece que foi ontem: eu estava a caminho da maternidade para ter minha primeira filha. Agora, ela tem 9 anos, é fã dos Jonas Brothers e acha tudo "maneiro". A do meio ruma para os 7 e prefere ler gibi a ouvir as histórias que eu costumava contar (ok, vez ou outra Duda ainda pede os Três Lobinhos e o Porco Mau). A caçula já completou 2 anos e ainda fala daquele jeito delicioso das crianças pequenas: "Cabou, mamãe tabalá" (acabou, a mamãe vai trabalhar). E o pior é que acaba rápido mesmo. Se você ainda não viu Toy Story 3 (acaba de sair em DVD, só vi agora), assista e me diga se não dá vontade de chorar.

9. Manter contato com as amigas

Depois que os filhos nascem, as amigas deixam de ser prioridade. Elas até tentam ligar, mas, das duas uma: ou o bebê chora tão alto que você não escuta nada ou você está tão morta de cansaço que pede pro marido dizer que já foi dormir. Amanhã você liga. Só que não liga. Claro, você pode viver sem amigas, mas porque iria querer fazer isso? Vamos lá, não dói nada: pegue o telefone e marque um café com aquela amiga que você não vê há meses.

Ou pelo menos mande um e-mail ou um post no Facebook. Você consegue. Além de manter seu lado emocional bem cuidado, ter amigas diminui o estresse e, pesquisas comprovam, pode diminuir sua pressão arterial. Um bom papo entre mulheres aumenta os níveis de ocitocina, o mesmo hormônio que ajuda na conexão imediata da mãe e seu bebê e desempenha papel fundamental na amamentação. Sem contar que você precisa de alguém pra bater papo, pode ser pra desabafar ou pra jogar conversa fora. Pra lembrar de quem você ainda é, além de mãe, profissional, esposa...

10. Assumir que não é perfeita

Você pode ficar mal-humorada às vezes (eu fico muitas), pode perder a paciência (eu perco bem mais do que gostaria) e, sim, você pode usar o velho truque de adiantar o relógio em uma hora só para colocar as crianças mais cedo na cama e poder assistir à estreia da nova temporada de House na TV a cabo (ou da nova novela, o que fizer mais seu gênero). Ainda que você não faça pessoalmente as lembrancinhas da festa de aniversário nem costure as fantasias de Carnaval – e ainda que você ache que não chega aos pés da mãe que pensa que deveria ser, geralmente aquela que você acha que sua própria mãe não conseguiu ser (e que faz tanta falta até hoje), pode acreditar: seu filho ama você. Para ele, você já é a melhor mãe do mundo. Gasto horas no divã toda semana falando sobre como não consigo ser a mãe que gostaria de poder ser. E às vezes não me dou conta da mãe que já sou. No último Dia das Mães, me emocionei com os cartões escritos por Duda, 6, e Carol, 8: "Mamãe, você é legal e carinhosa" e "Você é a melhor mãe do mundo". As crianças não querem uma mãe perfeita. Querem uma mãe que saiba dizer 'não' quando é preciso, que os encha de beijos e abraços e que seja feliz. Minha mais importante resolução para 2011 é acreditar nisso.

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