Saiba como conciliar gravidez com o trabalho

Saiba como conciliar gravidez com o trabalho

Atualizado: Sexta-feira, 7 Maio de 2010 as 4:10

As gestantes podem trabalhar até o último mês da gravidez, desde que a gestação seja tranquila. Determinados cuidados, porém, ajudam a mulher grávida a conciliar a nova fase ao trabalho, como cuidar da saúde no ambiente profissional e organizar a rotina para não perder o foco no emprego, afirmam especialistas.

Tire suas dúvidas sobre como conciliar gravidez e trabalho

Cuidados com a saúde

Anúncio

Espere para anunciar a gravidez na empresa após oito semanas, período mais crítico. A partir daí, aumenta a certeza de que a gravidez correrá bem. Faça o anúncio após ter feito o ultrassom e receber o diagnóstico do médico.

Calor

Temperaturas quentes (a partir de 38ºC) podem prejudicar a formação do bebê nas primeiras semanas de gestação (da sexta à oitava). Quem trabalha em locais com altas temperaturas (como perto de forno ou sauna) deve avaliar com o médico a necessidade de tirar licença.

Conforto

Procure usar roupas leves e confortáveis no trabalho. Mantenha um corte de cabelo que não incomode, e use hidratantes no corpo. Se você trabalha com um computador, avalie se a cadeira de trabalho e a altura do monitor estão adequadas. Se necessário, use um apoio para os pés na mesa. Tente sentar em local próximo ao banheiro.

Alimentação

Tenha sempre uma garrafa de água na mesa e procure se alimentar a cada três horas, ingerindo frutas nos intervalos das refeições.

Cuidados no trabalho

Chefe primeiro

Atente-se para o chefe imediato ser o primeiro a saber sobre a gravidez. Cuidado para não avisar colegas mais próximas antes e o superior ficar sabendo da novidade pelos outros.

Foco no trabalho

Se a gestação estiver tranquila, mantenha o foco no trabalho e não fique falando o tempo todo sobre a gravidez no ambiente profissional. É importante mostrar para a empresa que, apesar da gravidez, a funcionária continua preocupada com o trabalho.

Agenda

Deixe para cuidar de assuntos relacionados à gravidez em casa ou na hora do almoço. Organize-se para não agendar consultar ou ligar para o médico no meio do expediente.

Exames

Tente agendar exames sempre no primeiro ou último horário do dia, para não precisar faltar ou interromper o trabalho para ir ao médico ou laboratório. Há locais que realizam os exames aos sábados.

Passar mal

Se passar mal, seja o mais transparente possível e avise para o chefe. Nesses casos, converse com o médico sobre a necessidade de tirar uma licença.

Tarefas

O segundo trimestre da gravidez costuma ser mais tranquilo. Use esse período para dar o máximo na empresa e organizar as coisas para quem vai fazer suas tarefas. Não se sinta ameaçada por conta da licença. Seja confiante com o seu trabalho.

Licença

Ao final da gestação é comum o aumento de ausências por conta da gravidez. Trabalhe somente até quando seu corpo permitir.

Nascimento

Após o nascimento do bebê, comunique a empresa. Procure não ficar totalmente distante do trabalho durante todo o período da licença. Aproveite para decidir quem vai ficar com o bebê após a volta ao trabalho.

Relacionamento

Se possível, envie e-mails, leia a respeito do trabalho ou marque até mesmo um almoço com os colegas para saber das novidades.

Direito da gestante

Mesmo que precise se ausentar do trabalho por questões de saúde, a gestante não deve se sentir ameaçado no emprego, já que ela tem estabilidade garantida por lei a partir da confirmação da gravidez até cinco meses após o nascimento - com exceção de a concepção acontecer durante o período de experiência, explica o advogado Marcos Biasioli.

Saiba os direitos da gestante no trabalho

Licença-maternidade

O período de licença-maternidade é 120 dias. Com a Lei 11.770/08, foi instituído o Programa Empresa Cidadã, destinado a prorrogar por 60 dias a duração da licença - essa prorrogação é facultativa para empresa e só as gestantes que trabalham em empresas que aderirem ao programa terão esse direito.

Remuneração da mulher grávida

Após o nascimento da criança e durante a licença-maternidade, a mulher terá direito a receber seu salário integral. Caso o salário seja variável, vale a média dos seis últimos meses.

Amamentação

Para amamentar o filho, a mão tem o direito, durante seis meses, a dois descansos especiais, de meia hora cada um, durante a jornada de trabalho.

Estabilidade

- A mulher possui estabilidade desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o nascimento e pode ser demitida sem justa causa durante esse período. Caso a concepção ocorra durante o período de experiência, não está assegurada a estabilidade.

- Se a empresa dispensar a mulher durante a estabilidade, ela está sujeita pela Justiça a ter que reintegrar a funcionária, sob pena de ser condenada ao pagamento dos direitos da profissional como se estivesse trabalhando.

- Caso a gravidez ocorra durante o aviso prévio, ou seja, após o ato da demissão da empregada, mesmo assim ela terá o direito da estabilidade (o aviso faz parte do período em que está vigente o contrato de trabalho).

- A alegação de desconhecimento pelo empregador da gravidez ao demitir a mulher grávida não é válida e o direito da funcionária prevalece.

Transferência de setor

A gestante não pode ser transferida de função e departamento que possa vir a expor risco a sua gravidez. O que deve ocorrer é o inverso, ou seja, caso aquela função prejudique a gravidez, o empregador terá, por obrigação legal, de fazer a transferência da funcionária para preservar sua saúde.

Rotina

O ginecologista Wladimir Taborda, autor do livro "A Bíblia da Gravidez", aconselha que o primeiro passo antes de dar qualquer notícia sobre a gravidez no trabalho é a mulher ter certeza de que a gestação irá evoluir. De acordo com ele, o ideal é aguardar até a oitava semana de gestação, período em que a segurança de o bebê nascer é maior.

Taborda diz ser importante a mulher grávida contar a novidade para o chefe com calma e procurar manter a relação no trabalho de forma mais harmoniosa possível, principalmente nos três primeiros meses, fase de adaptação da mãe à nova realidade.

Nos últimos meses da gestação o especialista diz que é natural a mãe voltar a atenção para o bebê e, se for necessário, aconselha a antecipação de férias ou até mesmo verificar com o médico a necessidade de uma licença.

A gerente executiva da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Renata Perrone, que está grávida, afirma que, quando a mãe passa por uma gravidez tranquila, é até aconselhável que ela fique na empresa até quando o corpo aguentar. "O lado positivo é que, no segundo semestre da gravidez, a gestante está com bastante energia e dá para a profissional usar esse trimestre para dar o máximo dela mesma dentro da empresa", sugere.

Sem faltar

Grávida de nove meses, Adriana Dias Nordi, 30 anos, que trabalha no setor de marketing de uma empresa em São Paulo, afirma que praticamente não faltou ao trabalho durante todo o período da gestação. Ela revela que faltou apenas dois dias nos primeiros meses da gestação, por conta de problemas de saúde, e depois conseguiu ir todos os dias.

Adriana diz que tirou licença mesmo com 34 semanas de gravidez. "Chega uma hora que o corpo está dolorido e, como trabalho em uma área estratégica, não tinha estrutura para pensar", revela.

Mesmo assim, antes de tirar a licença ela conta que trabalhou algumas semanas de casa e, quando não dava mais, usou alguns dias que tinha de férias vencidas para ficar em casa antes de começar a valer a licença que, em seu caso, será de 120 dias. Seu filho, o Bernardo, está para nascer a qualquer momento.

A gestante conta que tomou todos os cuidados para transmitir seu interesse pelo trabalho durante a gestação. Uma das precauções foi elaborar uma listinha com suas atividades para a pessoa que ficará em seu lugar durante a licença.

Adriana afirmou que, como o recomendado por especialistas, esperou ter certeza da segurança da gravidez antes de dar a notícia. "Eu disfarçava usando umas roupas mais largas. Quando estava perto do terceiro mês, dei a notícia", disse.

Após o nascimento

Renata, da Ricardo Xavier Recursos Humanos, dá a dica para as mães avisarem a empresa quando o bebê nascer e mantenham contato com os colegas durante o período de licença.

Para a consultora de RH Janete Teixeira Dias, é importante que a mãe se organize durante o período da licença para resolver com quem o bebê irá ficar após o término do afastamento. Janete também dá a dica para as mães procurarem não se afastar do mercado durante a licença, vale até fazer algum cursinho de reciclagem, se possível.

A especialista Renata lembra, porém, que se a mãe estiver sem vontade de voltar ao trabalho após a licença vale até mesmo aproveitar o período para repensar a vida profissional.

"Se a pessoa não sente falta nenhum, é uma questão de repensar a carreira. Depois que a criança nasce, a profissional tem que ter energia para chegar em casa e ainda fazer as tarefas de mãe. Por isso, é importante estar satisfeita", aconselha.

Especialistas: Wladimir Taborda, médico autor do livro “A Bíblia da Gravidez”, e Renata Perrone, gerente executiva da Ricardo Xavier Recursos Humanos; e Advogado Marcos Biasioli

Por: Gabriela Gasparin

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