Saiba por que e como fazer um plano de parto

Saiba por que e como fazer um plano de parto

Atualizado: Sexta-feira, 4 Dezembro de 2009 as 12

Imagine-se na seguinte situação: você, em trabalho de parto, chegando à maternidade. Enquanto seu marido fica na recepção preenchendo papéis você é levada para dentro, para ser preparada. Um pouco mais tarde te informam que ele não vai poder entrar porque a maternidade não permite. Informam também que ele está "aprontando uma confusão" lá na portaria e já chamaram a polícia?

Outra situação: imagine-se em trabalho de parto, chegando de madrugada na maternidade. A recepcionista fica espantadíssima de você estar em trabalho de parto, pois as mulheres que têm o seu convênio geralmente vêm com cesárea marcada. A sala de pré-parto da maternidade é só para gestantes do SUS e você deveria ter uma carta do médico junto com uma autorização do convênio para poder ser internada diretamente no quarto. Enquanto ela tenta resolver o impasse você vai ter que esperar na recepção.

Achou um abusrto este tipo de coisa e situação? Mas saiba de que infelizmente isto acontece e com uma frequência maior do que imagina?

Para evitar imprevistos como este é melhor você fazer um Plano de Parto e conversar com seu médico sobre cada passo do trabalho de parto. Se você não tem convênio médico vá até a maternidade e se informe sobre todos os passos pelos quais passam as parturientes, desde a internação até a alta.

Pode parecer besteira, mas fazer um Plano de Parto tem três funções muito importantes:

1) Evitar imprevistos de difícil solução.

2) Levar você a conhecer e pensar sobre cada momento do seu parto, podendo fazer escolhas que se referem ao seu corpo e ao seu bebê.

3) Deixar suas preferências bem claras para a equipe que vai te acompanhar.

O Plano de Parto é tão importante que é a primeira de uma série recomendações da OMS para melhorar, no mundo todo, o nível do atendimento dado a parturientes e recém-nascidos.

Mas então o que deve colocar neste seu plano?

Tudo, desde as primeiras contrações até os primeiros dias pós-parto.

O plano de parto é uma lista sobre os acontecimentos possíveis em um parto e sobre os quais você pensou. Pode ser feito em forma de carta ao médico e a instituição como já é feito em alguns países, ou simplesmente ser uma reflexão sobre o que você aprendeu e deseja sobre seu parto. Não é uma lista de "mandamentos" para os profissionais muito menos um "alvará" para sua desobediência frente à equipe. É uma organização de idéias para facilitar o diálogo com o profissional que te acompanhará.

Vejam a seguir algumas perguntas de pontos que deveria se informar e ter uma opinião formada do que quer e o que não quer. Desde em que maternidade ou Casa de Parto você quer ter o bebê? Ou ainda se você gostaria de ficar lá com um acompanhante? Gostaria de ter uma doula? Irá receber lavagem intestinal, raspagem dos pelos, soro com hormônio para acelerar as contrações, anestesia, ficar sem beber líquidos? O que a medicina baseada em evidência e a OMS (Organização Mundial de Saúde) tem a dizer sobre estes procedimentos que vemos serem utilizados como rotina? Gostaria de amamentar logo após o parto e garantir alojamento conjunto logo a seguir ou concorda em esperar por 6 horas ou mais até poder se reencontrar com o bebê? Em caso de cesárea, gostaria de ser "apagada" após a saída do bebê? Ou gostaria de segurá-lo com a ajuda do seu acompanhante após o parto? Quais procedimentos você aceita e quais preferia evitar?

Pequenos detalhes e enormes diferenças que podem garantir um parto único, feliz e ativo, trazendo maior segurança para mãe, pai e filho. Para a equipe, pode ser um norte para melhor poder atendê-la e até mesmo repensar as práticas que vem sendo feitas rotineiramente.

Além de saber dos procedimentos de praxe do seu obstetra ou parteira e da maternidade, busque informações em livros e sites de confiança. Listas de discussão na internet e cursos de preparação para o parto podem ajudar bastante. Se puder, converse com ex-gestantes que tiveram parto no mesmo local, ou com o mesmo profissional. Aos poucos o que você quer e não quer no seu parto vai ficando mais claro e você pode ir conversando e negociando com seu médico o que é possível e o que não é.

Desde a primeira consulta você pode começar a fazer perguntas sobre como o médico costuma agir durante o parto de suas pacientes. Para levar tudo por escrito é melhor que seja a parir do sexto mês, e para deixar uma cópia para o médico é melhor estar bem próximo da data prevista. Isto porque suas preferências podem sofrer mudanças.

Mas e como o médico vai reagir ao seu plano de parto?

Deve ser a melhor, pois a relação médico/paciente deve ser aberta e honesta. Os bons médicos já estão acostumados a ter com seus pacientes esse tipo de conversa. Se você não se sente à vontade nem para conversar com ele ou se ele reagir mal é melhor desistir logo e procurar outro!

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