Sair de casa. Vale a pena?

Sair de casa. Vale a pena?

Atualizado: Quarta-feira, 29 Setembro de 2010 as 4:11

A convivência entre pais e filhos tem momentos complicados. Mas a maioria dos teens não pensa em morar só

Os adolescentes ainda continuam respondões e com acessos de mau humor, mas pelo menos começaram a entender melhor os pais. A maioria gosta da vida familiar, convive bem com o pai e a mãe e não pretende sair de casa tão cedo. Autonomia e independência? Para quê, se em casa tem a comidinha da mamãe? Os jovens pensam até em morar sozinhos um dia, mas só quando estiverem seguros da decisão. Para a maior parte, não vale a pena sacrificar o conforto pela independência. Uma pesquisa que ouviu 2 425 jovens em seiscapitais e no interior de São Paulo aponta que 82% deles têm pouca ou nenhuma vontade de morar longe dos pais. A principal razão é o bom relacionamento dentro de casa. Apenas 7% da garotada se dá mal com o pai e só 3% não se dão bem com a mãe. A proximidade maior tem facilitado até a vida de namorados e namoradas. Um levantamento mostra que 15% dos pais permitem que as filhas durmam acompanhadas em casa. Entre os rapazes, esse número dobra.

A relação entre pais e filhos mudou – e para melhor. Até bem pouco tempo atrás o diálogo entre gerações era muito mais difícil. Educação significava rigidez. Assuntos como a sexualidade passavam longe da mesa de jantar. Os filhos reprimidos dessa época se tornaram os pais desorientados de hoje em dia. Ao mesmo tempo que se aproximaram dos filhos, vivem um dilema. Qual a melhor conduta? Endurecer o jogo, como no passado, e ressuscitar todo o conflito de gerações, ou assumir uma postura liberal e correr o risco de perder as rédeas da situação? A resposta é mais simples do que parece. A maioria dos educadores concorda que os pais devem fazer papel de pais, precisam censurar quando for necessário, não ceder e agüentar firme as provocações. "Não adianta fazer concessões ao jovem. É preciso deixar claro o que se pretende passar para ele", afirma o psicólogo paulista Antonio Carlos Egypto. Por melhor que seja a relação, pais e filhos nunca serão amigos no sentido estrito da palavra. Ao se tornar amigo, o pai corre o risco de não mais exercer seu papel, que é orientar.

É importante para os pais estabelecer limites aos jovens. Se não acham correto que a garotada beba, devem dizer abertamente, ainda que isso cause divergências. Esse conflito é importante para o amadurecimento do adolescente. Diante de uma negativa, o jovem é obrigado a tomar uma decisão. Ou ele vai contra os pais e segue por sua conta e risco, arcando com as conseqüências, ou acata a determinação. Esse tipo de ponderação é o que leva à maturidade. "Ao não concordarem com um hábito ou comportamento do filho, os pais estão passando seus valores, algo em que acreditam. Para estabelecer seu próprio jeito de viver no mundo, o adolescente precisa de alguns princípios básicos, que são adquiridos muitas vezes na base da divergência", explica o psicanalista Raul Gorayeb, da Universidade Federal de São Paulo. Pais de verdade são aqueles que exercem o papel que lhes cabe.

A convivência entre pais e filhos tem momentos complicados. Mas a maioria dos teens não pensa em morar só

Os adolescentes ainda continuam respondões e com acessos de mau humor, mas pelo menos começaram a entender melhor os pais. A maioria gosta da vida familiar, convive bem com o pai e a mãe e não pretende sair de casa tão cedo. Autonomia e independência? Para quê, se em casa tem a comidinha da mamãe? Os jovens pensam até em morar sozinhos um dia, mas só quando estiverem seguros da decisão. Para a maior parte, não vale a pena sacrificar o conforto pela independência. Uma pesquisa que ouviu 2 425 jovens em seiscapitais e no interior de São Paulo aponta que 82% deles têm pouca ou nenhuma vontade de morar longe dos pais. A principal razão é o bom relacionamento dentro de casa. Apenas 7% da garotada se dá mal com o pai e só 3% não se dão bem com a mãe. A proximidade maior tem facilitado até a vida de namorados e namoradas. Um levantamento mostra que 15% dos pais permitem que as filhas durmam acompanhadas em casa. Entre os rapazes, esse número dobra.

A relação entre pais e filhos mudou – e para melhor. Até bem pouco tempo atrás o diálogo entre gerações era muito mais difícil. Educação significava rigidez. Assuntos como a sexualidade passavam longe da mesa de jantar. Os filhos reprimidos dessa época se tornaram os pais desorientados de hoje em dia. Ao mesmo tempo que se aproximaram dos filhos, vivem um dilema. Qual a melhor conduta? Endurecer o jogo, como no passado, e ressuscitar todo o conflito de gerações, ou assumir uma postura liberal e correr o risco de perder as rédeas da situação? A resposta é mais simples do que parece. A maioria dos educadores concorda que os pais devem fazer papel de pais, precisam censurar quando for necessário, não ceder e agüentar firme as provocações. "Não adianta fazer concessões ao jovem. É preciso deixar claro o que se pretende passar para ele", afirma o psicólogo paulista Antonio Carlos Egypto. Por melhor que seja a relação, pais e filhos nunca serão amigos no sentido estrito da palavra. Ao se tornar amigo, o pai corre o risco de não mais exercer seu papel, que é orientar.

É importante para os pais estabelecer limites aos jovens. Se não acham correto que a garotada beba, devem dizer abertamente, ainda que isso cause divergências. Esse conflito é importante para o amadurecimento do adolescente. Diante de uma negativa, o jovem é obrigado a tomar uma decisão. Ou ele vai contra os pais e segue por sua conta e risco, arcando com as conseqüências, ou acata a determinação. Esse tipo de ponderação é o que leva à maturidade. "Ao não concordarem com um hábito ou comportamento do filho, os pais estão passando seus valores, algo em que acreditam. Para estabelecer seu próprio jeito de viver no mundo, o adolescente precisa de alguns princípios básicos, que são adquiridos muitas vezes na base da divergência", explica o psicanalista Raul Gorayeb, da Universidade Federal de São Paulo. Pais de verdade são aqueles que exercem o papel que lhes cabe.

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