Salto alto: as dores em nome da beleza

Salto alto: as dores em nome da beleza

Atualizado: Terça-feira, 4 Março de 2008 as 12

Símbolo da elegância feminina, a invenção do salto alto está ligada a homens. Alguns apontam Leornardo Da Vinci como o inventor, mas a teoria mais aceita credita ao rei Luís XIV ? que governou a França em um dos períodos de maior prosperidade, entre 1643 e 1715 ? o título de grande responsável pelo uso dos sapatos de salto alto, desenvolvidos pelos artesãos palacianos. O fato é que mulheres e salto alto são indissociáveise elas estão dispostas a pagar um alto preço pelo uso contínuo, um elevado custo monetário e à saúde.

Ao longo do tempo, os saltos muito altos mudam a conformação dos pés, porque alteram a maneira como as mulheres pisam. Ao se equilibrar, a concentração do peso fica restrita aos dedos. Há, ainda, dificuldade na flexão da planta do pé ? o que prejudica a circulação e potencializa a tendência a varizes. Além disso, o salto altera a musculatura da perna, tornando os músculos mais curtos na parte traseira e mais longos na frente. Muita gente já deve ter ouvido queixas de mulheres que afirmam que usam sempre salto alto e não sentem desconforto, mas quando trocam o calçado por modelos sem salto ou tênis, sentem dores na panturrilha (também chamada de batata da perna) e nos pés ? sinais clássicos do encurtamento do tendão de Aquiles. Dores no joelho, no arco anterior dos pés, joanetes, calos, tendinites, unhas encravadas e danos à coluna, como lordose, são outros problemas ortopédicos causados pelo salto alto.

O que é unanimidade nesse debate é que dificilmente as mulheres vão abrir mão desse acessório que é símbolo de feminilidade ? e não importa o quanto elas saibam a respeito dos efeitos nocivos dos saltos altos para a saúde. Diante dessa constatação, há cinco dicas básicas para diminuir esses riscos e minimizar o impacto negativo. É uma forma simples de render minhas homenagens no Dia Internacional das Mulheres.

1. Alternar a altura do salto

Se em um dia você usou um salto muito alto, no outro prefira modelos de até quatro centímetros de altura. A prática faz com que a musculatura fique em um estágio intermediário. Pode parecer uma dica de moda, mas o fato é que o mesmo modelo (ou salto) não deve ser usado durante muitos dias para preservar a musculatura dos pés.

2. Modelos alternativos

Compre modelos com o bico e salto quadrado, que oferecem mais estabilidade e conforto. As plataformas ? mais indicadas pelos ortopedistas ? também são recomendadas porque distribuem melhor o peso por toda a extensão da sola.

3. Sapatos baixos (tênis) para dirigir e andar a pé

Crie um novo hábito. Mantenha no carro um modelo confortável e sem salto ? tênis são bons exemplos ? para dirigir. As mulheres que utilizam o transporte público, podem adotar o mesmo procedimento. Quando chegar ao trabalho troque pelo modelo de salto alto.

4. Massagear os pés

A massagem nos pés, ao final do dia, ajuda a restabelecer a circulação e funciona como uma prevenção a cãibras e dores musculares. Após a massagem, coloque as pernas para cima por alguns minutos.

5. Alongar a panturrillha

Um dos efeitos de saltos muito altos é o processo de encurtamento da panturrilha. Para prevenir esse impacto negativo, transforme o alongamento da panturrilha em um hábito diário. Ao chegar em casa, no final do dia, utilize um degrau para realizar um exercício simples e que ajuda a manter uma boa circulação do sangue no local: coloque metade do pé sobre o degrau e force a outra metade para baixo. Depois, faça movimentos circulares com os pés para o lado esquerdo e direito. Repita a operação nos dois pés, por 10 minutos.

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