Saúde emocional começa no ventre

Saúde emocional começa no ventre

Atualizado: Quinta-feira, 17 Julho de 2008 as 12

O desenvolvimento biopsicossocial saudável do indivíduo é o foco da psicologia preventiva, que entende que até mesmo o período anterior ao nascimento tem influência na formação global da criança. "Estudiosos que acompanham o desenvolvimento das capacidades do feto concordam em dizer que o bebê, desde antes de nascer, é um ser inteligente, sensível, que apresenta traços de personalidade próprios e bem definidos", afirma Patrizia Borgonovo, psicóloga infantil da Clínica Contato.

Durante a gestação, o feto está em perfeita comunicação com a mãe, captando os seus estados emocionais e a sua afeição por ele. Quando há sentimentos amorosos e serenidade, o seu cérebro, ainda em formação, produz hormônios como endorfina e ocitocina, responsáveis pela sensação de bem-estar. Mas, se a criança sofrer maus-tratos repetidas vezes ou for tratada com frieza e indiferença, a formação do seu cérebro sofrerá danos. "Sabe-se hoje que o período que vai da concepção ao primeiro ano de vida é o que apresenta desenvolvimento ais acelerado. O sistema nervoso do bebê, com neurônios em abundância, é extremamente plástico e encontra-se com potencial máximo para formar-se, de acordo com estímulos recebidos", explica a psicóloga.

Nos primeiros anos de vida e durante a gestação, o Sistema Nervoso Central cresce muito rapidamente, podendo ser influenciado por inúmeros fatores. Por isso, esse período é também o mais crítico e vulnerável no desenvolvimento do indivíduo, quando é definida a base para seu crescimento intelectual, emocional e moral. "Fica clara, portanto, a importância da qualidade nas primeiras interações da criança com o meio, condição essencial para o desenvolvimento global saudável do indivíduo", salienta.

Quando se fala, no entanto, sobre qualidade de interações, não significa que para uma criança crescer saudável, ela precisa de um paraíso sem sofrimentos, mas há, sim, algumas situações que não podem faltar no início da vida do indivíduo. "Por exemplo, nos primeiros meses, a criança precisa sentir que existem pessoas que podem satisfazer suas necessidades, sem deixá-la exposta à dor e ao desconforto desnecessariamente. Este é o alicerce básico da confiança", esclarece Patrizia.

Aos 2 e 3 anos

No início do segundo ano, entretanto, é preciso que sejam estabelecidos os primeiros limites com firmeza e serenidade, já que a criança não consegue um controle próprio de seus impulsos. "Quando suas ações são limitadas, as crianças tendem a ficarem furiosas. Neste momento, é importante que ela sinta que, mesmo assim, as pessoas que ela ama continuarão ao seu lado. É essencial que ela não se sinta ameaçada com a perda de amor de pessoas fundamentais", frisa.

Aos três anos, a criança começa a ser capaz de entender códigos de conduta e relacionar-se com outros com respeito e consideração, entrando em acordos e criando soluções para impasses. "Porém, essa empatia só pode ser desenvolvida se essa criança receber isso de outras pessoas", observa a psicóloga. Pais e profissionais envolvidos com as crianças são as pessoas mais habilitadas em acrescentar algo positivo em cada estágio do desenvolvimento, aumentando as chances de um crescimento emocional e intelectual sadio.

Ao preocupar-se com a formação da criança desde a gestação e nos primeiros anos de vida, é possível criar um vínculo seguro, oferecendo sensibilidade, aconchego e uma base de apoio para momentos difíceis. "Criar esse vínculo é a condição básica para formar crianças tranqüilas, solidárias, capazes de desenvolver competência social e postura positiva para o futuro".

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