Se a perícia é um tormento, reclame!

Se a perícia é um tormento, reclame!

Atualizado: Terça-feira, 26 Abril de 2011 as 11:51

Todos os meses a Previdência Social realiza em torno de 1 milhão de perícias para conceder o pagamento do auxílio-doença do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). São cerca de 5 mil médicos envolvidos nas avaliações, que rendem mil reclamações por mês junto à Ouvidoria Geral da Previdência, o órgão para o cidadão protestar caso seja mal atendido.  

O bancário paulista Genivaldo Damasceno, 32 anos, conhece o calvário, já que há nove anos freqüenta os consultórios de perícia. Longe do trabalho por tenossinovite (inflamação da membrana que recobre os tendões) e inflamação crônica no ombro, intercala períodos de afastamento e segue em via-crúcis para receber o benefício.

Vai e volta Damasceno conta que seu problema foi diagnosticado em 1998, motivando o primeiro afastamento. Em fevereiro de 2000, o perito alegou que as dores eram psicológicas e lhe deu alta. Um ano depois foram constatadas bursite e duas hérnias de disco, levando a novo período de licença. Em janeiro de 2005, após passar pelo Centro de Reabilitação Profissional (CRP), foi liberado para o trabalho. "Mas em cinco meses acabei tendo lesões mais graves, com o rompimento parcial do tendão do ombro. Estou afastado desde então", afirma.

Atendimento ruim Enquanto o problema de saúde não é resolvido & Ele conta que, em uma das ocasiões, o perito nem quis analisar o ultrassom e o laudo do médico pessoal que o acompanha desde o diagnóstico, como é rotina. "Ele pegou o exame e o jogou no mesmo instante. Se eu não o apanhasse rápido, cairia no chão. Nem olhou e disse que era preciso uma ressonância, o que nunca foi necessário antes", relata. Dois meses depois e com o novo exame em mãos, o segurado diz ter sido atendido por outra médica que sequer olhou a ressonância, alegando que o material anterior era suficiente. "Você se sente um lixo. Tem de provar que está doente para receber o benefício", protesta ele, que gravou uma fita para comprovar os disparates ouvidos. "Perdi a saúde, nada vai mudar a situação, mas o atendimento deveria melhorar", defende.     Se você passa por uma situação como a do paulistano, recorra à Ouvidoria Geral, canal que a Previdência mantém para receber reclamações, denúncias e sugestões dos cidadãos. "Isso é necessário para que possamos acionar individualmente nosso servidor e, dependendo da gravidade, adverti-lo ou abrir sindicância", frisa Benedito Brunca, diretor de Benefícios do INSS.  

Ele ressalta a importância de a pessoa anotar o nome do envolvido, data e hora da ocorrência para fazer a reclamação formal, relatando o ocorrido, via internet, correio ou telefone. Brunca orienta à população que utilize o fone 135 ou o site do Ministério da Previdência (www.mpas.gov.br ) para agendar o atendimento ou solicitar o benefício.

Foi mal atendido? Registre sua queixa!

Ao registrar sua queixa, você receberá um número de ocorrência para acompanhar o andamento das apurações. Você pode entrar em contato por:  

Internet:

www.previdenciasocial.gov.br  

Preencha o formulário eletrônico no Fale Conosco, selecionando a opção Reclamação sobre Atendimentos ou Serviços em Assunto.  

E-mail:

[email protected]  

Telefones:

· 0800 780 191 -   PrevFone, para mau atendimento  

· 0800 707 0477 -   Disque Denúncia, para casos mais graves, como crimes e irregularidades  

Carta:

Ouvidoria Geral da Previdência Social, Caixa Postal 09714, CEP 70001-970, Brasília, DF.    

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