Seu filho ainda não se adaptou à escola?

Seu filho ainda não se adaptou à escola?

Atualizado: Quinta-feira, 4 Março de 2010 as 12

A adaptação escolar é sempre uma questão tensa, e são inúmeras as dicas para driblar os problemas em torno do primeiro dia de aula. Mas, a fase inicial já passou e seu filho ainda não se acostumou: o que fazer? "Geralmente, após duas semanas de aula, a criança está adaptada, mas existem muitos fatores que influenciam o tamanho desse período", comenta Rosemeire Guesso Mendonça, coordenadora pedagógica da educação infantil do Colégio Piaget (SP). Discussões com outros alunos, cansaço, estranhamento - tudo pode ser um motivo. A observação deve ser diária, e a família e escola devem atuar juntas para diminuir o estresse da criança.

É senso comum entre os especialistas que cada um tem um ritmo diferente na hora da adaptação. Idade e a relação que a criança costuma manter com as pessoas também são importantes. Para se acostumar a um novo ambiente, um aluno pequeno pode levar de uma semana a meses. Não há padrão.

Quando o problema vem de casa

Crianças com dificuldades na adaptação são, muitas vezes, reflexo de pais que se sentem inseguros. "Mais de 50% das razões que explicam as dificuldades dos alunos podem ser encontradas nos pais. Tenho um aluno de 4 anos que ainda chora para ficar na escola. O pai traz, abraça, beija, faz como se ele não quisesse que a criança ficasse. E ela percebe essa insegurança, claro, e usa o choro para atingir o pai", afirma Rosemeire.

A designer de embalagens Maria Alice Gomes teve que colocar Daniel, de 5 anos, seu único filho, na escola aos 3 anos de idade para poder voltar ao trabalho. "Minha vida ficou de cabeça para baixo. Ele demorou cerca de dois meses para conseguir ir para a escola e passar o dia inteiro lá, sem chorar", lembra. "Ele ficava vendo as crianças entrarem. Quando todo mundo havia entrado, ele ficava desesperado", diz. A mãe confessa que ficava de coração partido e fazia de tudo para o menino conseguir dar esse passo. Apelou: dava doces, comprava brinquedos, chegou até a chantagear com outros presentes, mas nada adiantava de forma efetiva. "Durante as duas primeiras semanas fui buscá-lo quatro vezes. Ele não parava de chorar, mesmo depois de entrar, de estar entre os amigos".

A situação parecia impossível, mas não era. A solução veio depois de muita conversa com as orientadoras e algumas mudanças dentro de casa – já que chegaram à conclusão que o nervosismo de Daniel vinha da falta de planejamento em casa. Mãe de primeira viagem, Maria Alice não tinha muitos horários e rotinas. O pequeno, que estudava pela manhã, estava, além de estressado pela nova fase, extremamente cansado e irritado por ter que acordar cedo.

Silvana Leporace, coordenadora do serviço de orientação escolar do colégio Dante Alighieri (SP), também alerta para a relação dos pais com a escola. "Eles precisam estar muito seguros da escolha que fizeram. Confiam na escola? Se sim, devem acreditar no trabalho que os educadores estão fazendo." Conversar com o filho, lembrá-lo dos amigos novos, das atividades legais, das brincadeiras, pode ser de grande ajuda na hora da recusa. Por outro lado, os pais também podem buscar mais atenção. A escola pode usar algo para tranquilizá-los e compartilhar mais sobre o cotidiano da escola, mostrando fotos ou diários.

É sempre bom lembrar que acontecimentos extremos como morte, nascimento de um irmão, separação dos pais, troca de babá, dentre outros, também podem afetar o grau de dependência das crianças dos pais.

Ele estava adaptado, mas agora regrediu

A regressão no comportamento de crianças já adaptadas também acontece, afirma Silvana. "Há aqueles que adoram a escola nas primeiras semanas, se comportam bem, brincam, mas depois de um certo tempo começam a chorar, não querem mais ir à escola."

Quando a aula cai na rotina, muitos alunos acabam entediados e perdem o encanto pela escola. Nesses casos o processo de adaptação escolhido pelos profissionais responsáveis deve ser refeito, desde o começo. "A atenção dada a esses alunos é redobrada", mas é preciso paciência e confiança no trabalho da instituição escolhida, encerra Rosimeire.

Atitudes mais acolhedoras dos professores e assistentes trazem conforto à criança. Passar menos tempo na escola e ir aumentando o período de aula gradativamente também ajuda a aliviar esse estresse. Em alguns casos, o pai chega até a ficar na escola por um período como fazia na adaptação, discretamente, o que ajuda, além de tudo, a controlar a ansiedade dos adultos também. Deixar a criança levar um objeto pessoal para a classe é uma boa alternativa para criar esse laço de intimidade.

Postado por: Felipe Pinheiro

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