Seu marido quer tudo na mão? Saiba como agir

Seu marido quer tudo na mão? Saiba como agir

Atualizado: Quarta-feira, 26 Março de 2008 as 12

Seu marido quer tudo na mão? Saiba como agir

"O meu marido não é mais o mesmo", "ele não me ajuda em casa", "ele quer tudo na mão..." Se essas são algumas de suas queixas, saiba que o comodismo é normal (acontece com todo mundo) e que você também tem uma parcela de culpa.

De acordo com o psicólogo e professor da Universidade de São Paulo Ailton Amélio, tanto o homem quanto a mulher tendem a se acomodar com o tempo. "Em qualquer situação nova, ficamos mais em alerta, mais atentos, mas, conforme as coisas vão se repetindo, a gente vai desativando essa tensão. É a chamada adaptação. É natural em qualquer coisa: emprego, mudança de residência, casamento, quando nasce um filho; a novidade dura um tempo, depois vem a adaptação", explica.

Amélio, que também é co-autor do livro "Para viver um grande amor", explica que todo mundo muda de comportamento, amadurece e evolui. "O que acontece é que o problema normalmente está nos dois. A gente esquece de levar coisas novas para o relacionamento e olhar as coisas novas que ele está trazendo; e o parceiro faz o mesmo. É cômodo, mas acaba engessando o relacionamento", afirma.

Muitas vezes as mulheres agem pelos homens, como trocar uma lâmpada ou consertar o armário, e depois reclamam que eles não fazem nada para ajudar. Essa atitude pode ser péssima. "Em vez de mostrar o que ele poderia fazer e negociar as coisas que estão presentes, ela prefere fazer. Na hora, dá menos trabalho fazer do que ficar pedindo, e então ela faz. Mas, em médio prazo, pode 'matar' o relacionamento", frisa o psicólogo.

Para o professor, a fórmula para não cair na acomodação é negociar desde o início e, se a situação já está cômoda, apesar de ser mais difícil de solucionar o problema, deve-se começar logo. "Reverter dar mais trabalho porque as pessoas se sentem 'donas da situação', uma vez que já se definiram as maneiras de agir e, às vezes, acham-se no direito de continuar agindo daquela forma e se rebelam. O ideal é a pessoa negociar desde o início", analisa.

Ele esclarece que um pouco de acomodação é necessário, pois discutir por tudo, negociar tudo, também vira um transtorno. "A questão é a dose: tanto a falta quanto o exagero são desconfortáveis. Tem que haver conversa e ação. Não acho que só a comunicação resolva tudo, porque se não for seguida de atitudes também perde a eficácia. Tem gente que fala, fala e não adianta nada. Tem que se posicionar, tomar atitudes, deixar de fazer se for o caso. Senão, a pessoa se acomoda também a só falar e perde a credibilidade", orienta.

Apesar de muita coisa ser possível mudar, o psicólogo adianta que nem tudo se pode alterar. "Tudo vai também pela escolha do parceiro. Tem gente que é muito folgado, não faz nada, que não quer e não vai mudar, e ponto final. Não dá pra mudar tudo também. Então, o problema foi na escolha do parceiro, a pessoa tem que saber o que quer e o que não quer em um parceiro e isso tem que estar claro para o outro também. Por isso, é preciso analisar bem antes de casar. Não há uma garantia da mudança", frisa.

Uma atitude importante para um relacionamento harmonioso é valorizar sempre as coisas boas e elogiar. "Caso se fale só as coisas ruins, a situação fica desagradável. Tem que falar nas coisas boas que o parceiro está fazendo, agradecer, ser carinhoso, ser gentil. Tem que começar por aí e não pode se descuidar. Tem que deixar o clima do relacionamento positivo e não negativo. Se caiu na acomodação, que se tragam coisas boas para se falar e se fazer. Não pode pensar que é só exigência, querer corrigir o outro. Enfatizar esse lado apenas se ratifica o lado negativo do relacionamento", finaliza.

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