Teste do olhinho

Teste do olhinho

Atualizado: Quarta-feira, 30 Janeiro de 2008 as 12

Sua importância no diagnóstico precoce de problemas nos olhos, somada à simplicidade, à rapidez e ao baixo custo, fez o "teste do olhinho" ser incorporado à rotina de exames de bebês em muitos estados.

Atualmente, no Brasil, todo recém-nascido passa pelo chamado "teste do pezinho" antes de deixar a maternidade. Instituído como exame obrigatório pela legislação brasileira desde 1990, serve para detectar doenças que, se não tratadas precocemente, podem provocar problemas graves.

Contudo, o "teste do olhinho", que pode evitar a cegueira e detectar diversas moléstias oculares em crianças, ainda não é obrigatório em todo o País. Além de São Paulo, o exame é realizado apenas no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e no Recife.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) pleiteiam que o Ministério da Saúde recomende a realização do teste em todo o território nacional. "A reivindicação das entidades é justa, pois o teste do olhinho pode resguardar muitas crianças da cegueira ou do desenvolvimento de doenças oculares como a catarata, o glaucoma, o retinoblastoma e a ambliopia", afirma o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares (IMO).

No Brasil, para se ter uma idéia da gravidade do quadro, quando se fala em pessoas com idade até 15 anos que não possuem capacidade de enxergar, o número chega perto de 32 mil, o que representa 0,6/1000 crianças.

A justificativa para números tão altos é a falta de um exame detalhado dos olhos do bebê, logo após o nascimento. "A história que, infelizmente, se repete em muitos lugares do País, é a que os recém-nascidos só têm a moléstia ocular diagnosticada quando estão cegos ou quase cegos para o resto da vida", afirma a oftalmopediatra Maria José Carrari, que também integra o corpo clínico do IMO.

O teste do olhinho é um exame indolor e rápido, que leva menos de cinco minutos para ser realizado. O único equipamento necessário é um oftalmoscópio direto.

Após o nascimento, o teste também pode ser realizado nas consultas rotineiras em crianças maiores, de qualquer idade, pois muitas doenças passíveis de diagnóstico pelo método podem aparecer mais tarde.

O que pode ser diagnosticado?

Estima-se que atualmente 0,4% dos recém-nascidos sejam portadores de catarata congênita, que pode ser detectada pelo teste do olhinho. Além dessa doença, são também diagnosticados o glaucoma congênito, tumores malignos intra-oculares, entre outros males.

Hoje, preventivamente, o ideal é que o oftalmologista possa examinar os olhos dos recém-nascidos, pois se o exame ocular é adiado até a idade escolar, pode ser tarde para o tratamento do estrabismo e da ambliopia. "Ocasionalmente, o estrabismo poderá ser secundário a uma catarata, um tumor intra-ocular ou um tumor cerebral. É muito importante que o oftalmologista possa diagnosticar estas patologias o quanto antes, pois assim estas moléstias poderão ser tratadas e o estrabismo corrigido", finaliza a médica.

Postado por: Claudia Moraes

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