Todo ser humano precisa sentir medo

Todo ser humano precisa sentir medo

Atualizado: Quinta-feira, 16 Abril de 2009 as 12

O medo faz parte da vida de toda a pessoa e trata-se de um instinto de sobrevivência. A psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari conta que ele é um fator de proteção contra os perigos e adversidades que as pessoas adquirem ao longo da vida.

Autora do livro "Dirija sua vida sem medo - Caminhos para solucionar os seus problemas", Olga Tessari mostra de forma clara como o medo pode atrapalhar a vida das pessoas se elas não tratarem.

Ter medo, segundo ela, é mais normal do que se pensa, mas a partir do momento que ele começa a tomar conta da vida da pessoa a ponto que ela sinta medo, até de sair de casa, é sinal que algo está errado e aí é preciso procurar um profissional. Segundo Olga, o medo tem seu lado positivo e negativo. O positivo é quando ele serve de defesa para qualquer pessoa, mas se torna negativo quando escraviza quem o sente.

"Se a pessoa começa a se isolar em casa porque tem medo de ser assaltada ou fica apreensiva quando alguém chega perto dela, isto se torna perigoso. O medo não pode comandar a vida de ninguém. Neste caso dizemos que o medo é limitador porque as pessoas não conseguem fazer mais nada por achar que algo vai acontecer com ela", explica.

Ela lembra que apenas dois medos nascem com a gente; o medo do barulho e o medo de cair; os demais são adquiridos. "Vivemos uma época de muitos medos. Sentir medo é normal. Entretanto quando o medo sai do nosso controle, ela torna uma doença que pode e deve ser tratada; é o que chamamos de medo irracionais", explica.

Além do aspecto emocional, onde as pessoas sentem medo até de sair na rua ou se relacionar com outras pessoas, já que acha que todo mundo fará alguma coisa, também existem os aspectos físicos; com a aflição algumas dores começam a aparecer. "A pessoa quando está com medo ou se sentindo ameaçada, começa a ter temores, suores e até taquicardia; ela fica com um nível muito alto de adrenalina. Neste caso, quando o medo domina, é necessário a procura de um profissional que ajudará a superar o problema. Os familiares devem compreender que isto é normal e a paciência deve prevalecer."

Olga Tessari elenca alguns sintomas físicos, comuns quando se está ansioso e, consequentemente, se tem medo de alguma coisa: taquicardia, palpitações, suores, tremores no corpo, rubor nas faces, falta de ar, voz trêmula, gagueira, dores de cabeça, sensação de desmaio, urgência urinária, sensação de afundamento no estômago, diarréia e até náuseas podem aparecer quando uma pessoas está com nível alto de ansiedade.

Na maioria das vezes os medos são criados a partir de uma experiência ruim que a pessoa viveu ou viu alguém passar. "Uma criança por exemplo, tem medo de insetos se presenciou a mãe ou alguém próximo ficar apavorada quando viu um. Ou então tem medo de ser assaltada naquela rua porque sua amiga já foi. Ela tem medo de passar por uma situação que alguém já viveu".

Ela explica que o perfil da pessoa que tem medos irracionais - que são aqueles além do normal - são sempre pessoas inteligentes, bem sucedidas, perfeccionistas e não suportam críticas. "As pessoas que têm este medo incontrolável gostam sempre de controlar uma situação. Tem tudo sob controle e não sabem lidar com as situações imprevisível. Neste caso ela gagueja, fica com ansiedade e um nível de adrenalina muito alto."

Olga Tessari - que tem experiência com centenas de pessoas que sofrem de algum tipo de problema - explica que é preciso que as pessoas não tenham vergonha do que sentem e saibam que um profissional pode ajudá-la a conviver melhor com esta situação.

"A pessoa não deve ficar envergonhada do problema ou achar que isto não é normal. Ter medo de alguma coisa é mais normal do que se pensa, desde que não altere sua rotina."

Outra dica é que as pessoas que convivem com alguém que tem medo tenham paciência. "Os familiares devem entender o medo que uma pessoa tem; seja de sair de casa, de ser assaltada o mesmo de dirigir e ajudá-la a superar esta situação.

Entre os medos mais comuns ela fala do medo de dirigir, do medo insetos e o de se relacionar

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