Trabalhar ou cuidar do filho?

Trabalhar ou cuidar do filho?

Atualizado: Segunda-feira, 3 Outubro de 2011 as 9:16

Profissão, carreira, um emprego em uma ótima empresa e, de repente, uma gravidez. Desejada ou não, este é um momento muito especial para a vida da mulher que, de agora em diante, terá toda a sua vida mudada. Mas, como conciliar o lado profissional com a nova tarefa de ser mãe?

Muitas mulheres, por terem o sonho de ser mães, deixam de lado a sua profissão e se concentram em estar com o filho. Outras conseguem conciliar tudo, seja trabalhando de casa ou por meio período, seja deixando o pequeno na escola ou contando com os cuidados de uma babá ou de uma pessoa da família.

A consultora em gestão Caroline Passuello, é mãe dos gêmeos Leonardo e Rafael, de 1 ano e meio (foto ao lado). Quando eles nasceram, ficou de licença-maternidade durante 6 meses, chegou a pensar em deixar de trabalhar, mas logo mudou de ideia: "No início, eu não sentia falta do trabalho. Depois, fui me dando conta de que eles cresceriam e pensei: 'Vou deixar uma coisa que eu gosto, pra quê?' Não queria deixar a responsabilidade da mudança para as crianças."

Caroline contou com a opção de trabalhar de casa e com a flexibilidade da empresa. "Eles me deixam livre pra fazer o meu horário. As pessoas são muito humanas e isso é fundamental. Eu sempre considerei que o que é importante para a empresa é para mim, e eles, em contrapartida, sempre deram atenção para o que é relevante para mim", afirma. 

Além desta troca de considerações e respeito mútuo existente na empresa onde trabalha, Caroline também conta muito com a ajuda do marido Rodrigo Lagreca (foto abaixo, com a esposa e os filhos), que trabalha em consultoria e faz seu próprio horário. "Ele faz tudo, assume a responsabilidade junto comigo. Em casa não existe o que é meu e o que é dele, todas as coisas são nossas, então, cuidar deles (das crianças) também é para os dois", explica, enfatizando a importância do companheirismo que há entre eles.

É isso o que a psicóloga Dorli Kamkhagi, coordenadora de grupos de psiquiatria do Hospital das Clínicas, indica como o ideal nesta fase de mudanças para ambos. "Para o homem, as coisas também mudam, mas ele não passou pelo estresse da transformação do corpo e, neste momento, pode ser até mais criativo que ela, encontrando soluções ao ajudar o bebê a dormir, dar um banho, uma mamadeira", comenta.

Para a especialista, a mulher deve entender que há um momento para tudo, inclusive para ser mãe. "Principalmente nos primeiros meses de vida do bebê, ela precisa viver isso intensamente, pois é um momento em que o filho precisa muito da mãe, já que ela vai apresentar o mundo a ele. É neste tempo também que a relação entre os dois se estabelece", esclarece.

Dorli ressalta também que depois disso, ela volta a fazer as coisas devagar e recomeça a encontrar o seu espaço emocional, de mulher, de profissional. "E aí sim, decide qual será a melhor opção para ela, com calma e se analisando bem".

E para fazer a escolha sobre voltar a trabalhar, trabalhar menos ou ficar em casa, deixar o filho em escola, com babá ou creche, a psicóloga explica que, seja qual for a opção, sempre haverá um preço por aquilo: "Por isso, é importante entender que, naquele momento, aquela era a melhor escolha pelo bem-estar dela, da criança e da família. Mas também ela deve pensar em fazer escolhas por um período, já que nada é para sempre, e tudo muda."

A mulher possui outros papéis que devem ser exercidos. Além de ser mãe, ela tem a vida profissional, de mulher, de amiga, precisa de um tempo para se cuidar e conversar com o marido. "Depois de estabelecer o vínculo de confiança com a pessoa que ficará com o seu filho, ela vai se agendando e voltando a ter suas coisas. A mãe precisa ter prazeres em outras coisas e não somente em ser mãe", diz.

Caroline, mesmo administrando o seu tempo de estar com os filhos, comenta que conciliar o ‘ser mãe’ com o ‘ser profissional’ é um fator muito particular de cada mulher. "Hoje eu tenho muitos papéis. A maternidade é o mais importante, mas há outras coisas que também são. Porém, esta é uma questão muito individual. Cada mulher tem seus valores, suas crenças. O que é bom para mim, pode não ser para a outra", finaliza a consultora.      

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