Três é demais

Três é demais

Atualizado: Quarta-feira, 30 Março de 2011 as 10:30

CAMILA TINHA UMA FILHA DE APENAS 6 MESES QUANDO SE DESCOBRIU GRÁVIDA. DE NOVO. E DE GÊMEOS

Eu estava de férias com meu marido, e era o primeiro Réveillon com a nossa pequena Manu, de apenas seis meses: alegria de criança, fofa, linda e saudável. Fomos dar uma volta na praia, eu e meu marido, de mãozinhas dadas, e a conversa era o tal do planejamento familiar.

A verdade é que nunca tivemos muito planejamento – o que para bastante gente soa como uma heresia à vida moderna ultra controlada e planificada -, a não ser o de que queríamos filhos, uma família grande, e que fosse logo e cedo nas nossas vidas. Sabe aquela história de “criar tudo junto, de uma vez”? Era o nosso plano.

Mas, naquelas férias, eu estava me sentindo relativamente “livre”: não amamentava mais, havia perdido todos os 20 kg adquiridos na primeira gravidez, recuperado o corpinho pré-maternidade, estava de férias, curtindo um verão maravilhoso em Punta Del Este, com a família linda (porém, pequena) formada, uma filhinha já quase “mocinha”, que ficava sentadinha, dormia a noite toda e até tarde, de manhã. O que mais eu poderia querer ou desejar? Eu poderia só curtir e aproveitar tudo aquilo eternamente...

E foi nesse clima, durante a tal caminhada, que eu disse que não queria ter filhos, naquele momento. Afinal, era a dona da minha vida e resolveria essa questão sozinha. Tudo numa boa, porém, o meu marido falava comigo num tom meio “veja bem, não é bem assim...”, mas eu ignorei.

Na manhã seguinte, acordei enjoada e tinha certeza de que era por conta do calor. Passei mal. Lembrei do jantar na noite anterior e achei que poder ia estar tudo meio “passado”. Perguntei ansiosa, mas não, ninguém mais havia passado mal. O meu marido, com os olhos arregalados, me arrastou para a farmácia e um simples teste levou por água abaixo o calor e o jantar. Grávida. De novo.

Algumas semanas depois, o ginecologista pediu o ultrassom. Gêmeos. Lembro-me de o médico até procurar um terceiro bebê, escondido. O meu marido conseguiu arregalar ainda mais os olhos, quieto, mudo, calado, e eu só consegui ter um acesso de riso.

Depois de chocarmos toda a nossa família e amigos com a notícia, começamos a correr atrás de organizar a nossa vida para a chegada dos meninos. Apartamento maior, reforma, carro novo, contratar uma babá para gêmeos, fazer enxoval com tudo o que era necessário para dois bebês e estar, de fato, preparada para a chegada do segundo e do terceiro filhos, concomitantemente.

A verdade é que a gente vai ficando pronta meio na marra, não tem muito jeito. Um dia após o outro, depois do nascimento do bebê, de conhecer o nosso filho, reconhecer as suas necessidades, identificar e validar a sua personalidade. Isso é um processo.

Não foi fácil, eu tinha uma carga enorme de trabalho, com dois menininhos lindos, mas escandalosos, e mais uma mocinha bastante ciumenta que aprendeu a andar no dia em que os irmãozinhos nasceram.

Não me arrependo de absolutamente nada. Se pudesse voltar no tempo e fazer uma nova escolha, a minha escolha seria essa: Manuela, Joaquim e Pedro. Uma menina e dois meninos gêmeos idênticos (apenas fisicamente, vejam bem). Exatamente como são: carinhosos, risonhos, alegres, cúmplices em tudo, ciumentos, brigões e verdadeiros “disputadores” por brinquedos e atenção dos pais.

A trabalheira é enorme, assim como o cansaço, a bagunça e as despesas, mas é impossível imaginar a vida de forma diferente.

Ser mãe dessas três crianças me traz as maiores realizações, emoções, alegrias e satisfações do mundo, coisa que eu jamais imaginaria sentir e me falta muita habilidade para descrever. É viver o amor mais intenso, puro e verdadeiro nas mínimas coisas.  

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