Um ambiente acolhedor

Um ambiente acolhedor

Atualizado: Quinta-feira, 2 Abril de 2009 as 12

É importante que os filhos levem suas dúvidas aos pais, antes de perguntar aos amigos.

É essencial oferecer à criança uma sólida e genuína educação sexual, principalmente na sociedade em que vivemos, impregnada por sexualidade, perversões, com valores e papéis distorcidos.

Em um dos seminários que ministro para pais, ocorreu uma situação inusitada. Quando estávamos para terminar, um dos pais se levantou e saiu correndo do recinto. Ficamos sabendo depois, que ele se dirigiu o mais rápido que pode para casa, chamou o filho de 13 anos de idade e ambos foram conversar no quarto do adolescente. Ele olhou com ar de seriedade para seu filho, e disse:

"- Filho, agora está na hora de conversarmos sobre sexo! E o filho respondeu:

- Tudo bem, pai o que você precisa saber!!!!"

Se você não riu leia novamente, porque foi uma piada [...] E das boas!

Bom...A verdade é que achamos graça, mas essa é a pura realidade! Alguns adolescentes acham que sabem mais sobre sexo do que os pais. E, infelizmente, às vezes sabem mesmo!

Seja como for, a responsabilidade pela educação sexual dos filhos cai, principalmente, sobre os pais, durante os dez primeiros anos de vida de seus filhos. Digo principalmente, porque a igreja e a escola também devem contribuir na exposição e esclarecimento do assunto.

Tomando como exemplo minha própria experiência, quando eu era menino meus pais nunca conversavam comigo sobre esses assuntos. Cresci "morto" de curiosidade, procurando respostas, pois tinha um grande desejo de obter informações mais reais. Aprendi do modo errado tendo como professores a TV, a banca de jornal, as piadas, as histórias picantes dos colegas e a leitura de frases  nas portas dos toaletes escolares, muitas vezes acompanhadas de desenhos bastante elucidativos.

Trabalhando há anos com jovens tenho constatado como falta em suas vidas uma abordagem aberta e honesta sobre sexo. Vários problemas em que se envolvem poderiam ser evitados se tivessem recebido mais orientação. Não posso culpar totalmente os pais. É provável que eles também não tenham recebido orientações sobre sexo.

Gostaria, então, de destacar algumas prioridades sobre educação sexual para que os pais que lerem agora este artigo possam aproveitá-las ao conversar com seus filhos:

1- Comece cedo

Converse com seus filhos antes que os amigos deles o façam. Se seu filho está chegando aos 9 anos de idade e não houve nenhuma comunicação entre vocês sobre sexualidade, não há tempo a perder!!!!!!

Se, por exemplo, sua filha perguntar:

- Mamãe, de onde eu vim?

De forma alguma deve-se responder que foi da cegonha! A mãe precisa ser honesta porque, quando a filha entender que sua mãe lhe faltou com a verdade, se sentirá constrangida em perguntar qualquer outra coisa e concluirá que sexo é "assunto proibido". A idade apropriada dependerá muito da criança e dos estímulos ambientais. Antes de uma menina atingir os dez anos, a mãe ou pai devem instruí-la. Com carinho, a mãe deve explicar a sua filha o que é menstruação e sua função na vida da mulher. Se ela tiver sido orientada sobre sexo e outras questões que terá de enfrentar no futuro, certamente estará preparada para encarar e aceitar com mais maturidade todas as mudanças que ocorrerão e ficará mais tranqüila quando ocorrerem. Uma compreensão de área sexual liberta a criança da ignorância e da curiosidade. Geralmente esta última é que causa maior problema.

Papai, será muito valioso para seu filho se ao saírem juntos vocês conversarem abertamente sobre polução noturna, circuncisão, reprodução, tamanho do pênis e sobre a atração pelas colegas de classe.

Pois, se vocês apresentarem a seus filhos, o mais cedo possível, os fatos como realmente são, evitarão que eles passem por tensões mentais, emocionais, desinformação e pela exploração curiosa que resulta em sentimentos de culpa.

2 - Seja honesto

Havia uma família com três filhos e o pai estava explicando para o de sete anos que os bebês são formados de uma relação sexual entre a mamãe e o papai. E ele prossegue explicando aquela relação. O menino, então, com uma expressão de perplexidade, vira-se para o pai e pergunta: Então... quer dizer, que você e mamãe fizeram isso três vezes para gente nascer?! (Pode rir que aqui também é outra piada!)

Honestidade é super importante e a regra áurea é: se uma criança tem capacidade para formular uma pergunta da área sexual, ela já tem maturidade para assimilar a resposta. (Por isso sugiro que os pais se assegurem dos termos exatos das partes e as funções do corpo). É melhor que os filhos aprendam enquanto pequenos com os pais. É importante ensinar que o pênis é o pênis e não o "piu-piu" ou periquito.

Se seu filho pequeno chega da escola e fala um sonoro palavrão (ele convive com crianças que as falam), de forma calma explique o que significa e diga que você não quer que ele fale novamente aquela palavra. Mostre que há outras formas de se expressar.

3 - Seja espontâneo

Se você demonstrar sinais de vergonha, seus filhos não farão mais perguntas sobre sexo. Por outro lado, se criar um ambiente acolhedor esse assunto também será natural. Seja espontâneo.

Quando uma criança tem questionamentos sobre sua sexualidade, ela esta inocentemente demonstrando uma curiosidade que faz parte da vida. A pessoa mal-orientada na área sexual constrói barreiras que podem impedir que compreenda, aceite e aprecie o sexo. Então, acolham bem todas as perguntas que surgirem e façam com que seus filhos tenham liberdade para fazê-las.

No dia-a-dia surgem o que chamamos de "momentos ensináveis". São oportunidades naturais que proporcionam transmissão de conhecimento de maneira natural, gradativa e repetitiva. O aprendizado não é feito de forma instantânea! Podemos, sempre, voltar a conversas anteriores para acrescentar novas informações.

Quando a criança ainda é pequena, o pai ou a mãe pode aproveitar a hora do banho e transformá-la em um "momento ensinável". Rapidamente ela aprenderá a distinguir e apontar sua orelha, nariz, olhos, boca, dedos etc. Pode-se também ensinar os termos corretos dos órgãos sexuais, conversando sobre isso à medida em que o banho vai acontecendo.

4 - Considere a idade da criança

A resposta a uma criança de 4 anos é diferente da que se dá a uma de 9. Não se deve dar detalhes a uma criança de 4 ou 5 anos, uma resposta simples e correta será suficiente para satisfazer a sua curiosidade. Já a resposta a um "quase adolescente" deve ser mais detalhada. Porém, em ambas situações é importante que sejamos diretos e honestos. Um diálogo sincero pode ser o maior investimento na vida dos filhos.

Finalizando, gostaria de acrescentar: Pais, não se esqueçam de que seus filhos também aprenderão muito sobre a sexualidade através do modo como vocês, como casal se relacionam. Por exemplo, seu respeito mútuo, o carinho e a afeição que demonstram um pelo outro e a maneira aberta como conversam sobre os "assuntos mais delicados".

Portanto, falem com seus filhos a respeito da sexualidade de modo descontraído, positivo, espontâneo, honesto, natural e saudável.

Afinal de contas, precisamos fazer a nossa parte para que algo tão lindo não seja tão mal-utilizado.

Escrito por: Jaime Kemp . Doutor em ministério familiar e diretor do Lar Cristão. Foi missionário da Sepal por 31 anos e fundador de Vencedores Por Cristo. É palestrante e autor de 50 títulos. Casado com Judith é pai de 3 filhas e avô de 2 netos.

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