Você se gosta?

Você se gosta?

Atualizado: Quarta-feira, 28 Maio de 2008 as 12

Você se gosta?

Já parou para analisar o que você sente em relação a você mesma? Essa resposta é importante para que consiga alcançar a felicidade e um melhor relacionamento interpessoal, pois as pessoas com baixa auto-estima costumam ser frustradas e infelizes, enquanto as com a auto-estima elevada têm a criatividade estimulada e se relacionam melhor.

A auto-estima, segundo definição no Dicionário Aurélio, é a valorização de si mesmo, amor próprio. Para o psicólogo Thiago de Almeida*, esse sentimento faz parte da personalidade e vai sendo constituído ao longo do desenvolvimento humano; desta forma, interfere em vários fatores, desde o relacionamento até a qualidade de vida.

"Pessoas com baixa auto-estima, freqüentemente, recorrem ao isolamento e quando são "obrigadas" a interagir socialmente podem causar grandes transtornos para o seu entorno. Todo ser humano tem necessidade de valorização positiva e esta é aprendida mediante a interiorização, ou introjeção, das experiências de valorização realizadas pelos outros", explica.

Auto-imagem

A rigidez com a forma física também colabora para a desvalorização de si mesmo. Segundo o psicólogo, a auto-imagem (a maneira como a pessoa se vê) é a base para a auto-estima e, geralmente, a imagem que fazemos de nós mesmos dificilmente corresponde à realidade, muito menos é compatível com a forma como os outros nos vêem.

"Auto-estima não é estática e apresenta altos e baixos. Ela se revela nos acontecimentos psíquicos e fisiológicos e emite sinais em que podemos detectar seu grau. Vivemos contemporaneamente e mais do que em quaisquer outros períodos que nos antecederam uma cultura do corpo", afirma.

O professor revela que é possível também a valorização excessiva, mas quando a auto-estima é baixa a preocupação é bem maior. "Se as pessoas não tomarem as devidas precauções, podem permanecer por muito tempo em algum desses pólos. Assim, a qualidade de vida diminui consideravelmente, ora por maximizarem suas pequenas imperfeições com seus altos graus de exigência, ora por desconsiderarem melhorias em seus próprios comportamentos rumo a uma ascese de qualquer natureza", alerta.

Felicidade

A auto-estima elevada e a felicidade estão ligadas, pois é através da primeira que as pessoas se consideram boas, competentes e decentes. "Quando isso não acontece, as pessoas se sentem frustradas e infelizes", informa. Além disso, a valorização de si mesmo influencia no amor.

Segundo o especialista, alguns autores acreditam que quando uma pessoa tem a auto-estima rebaixada nutre ilusões a respeito do que pode esperar dos outros, abriga intensos temores, além de ter uma forte predisposição para manifestar desapontamentos e desconfiar das outras pessoas.

"Haveria uma clara associação entre a auto-estima rebaixada, conseqüentemente, a sensação de insegurança e, finalmente, o ciúme", revela.

Já no trabalho, no ambiente escolar e acadêmico a auto-estima rebaixada influência no rendimento. Quanto mais baixa for a auto-estima, mais drasticamente o indivíduo sofre, chegando a duvidar de si mesmo como alguém que merece respeito", lamenta.

*Prof. Thiago de Almeida é psicólogo e pesquisador do Instituto de Psicologia da USP (Departamento de Psicologia Clínica) especializado em relacionamentos amorosos. Autor do livro: " Ciúme e suas conseqüências para os relacionamentos amorosos" (www.editoracerta.com.br/ciumes.asp)

veja também