Volta às aulas

Volta às aulas

Atualizado: Quarta-feira, 26 Janeiro de 2011 as 1:53

Mais um ano letivo está para começar. Além dos desafios na hora de recolocar os filhos na rotina de estudos, os gastos com educação nessa época dão uma grande dor de cabeça aos pais, principalmente após um período de viagens e presentes de fim de ano. Fechar o orçamento e transmitir confiança ao filho com tantas contas pipocando parece ser uma equação difícil de solucionar.

Veja as dicas dos especialistas:

Reestabeleça a rotina

Na visão de uma criança, as férias escolares são longas. De acordo com a psicóloga e psicanalista Lulli Milman, a criança, de um modo geral, sente saudade do colégio. "Elas querem voltar às aulas, ficam com saudade dos amigos, dos professores. Mesmo as que não gostam de estudar, gostam de ir à escola", afirma. Partindo dessa premissa, a dica é criar um ambiente confortável para que esse retorno seja bem-sucedido. "Os pais têm que entender que é uma coisa agradável. Ressaltar que a criança vai reencontrar toda a turma e se divertir. Tem que 'positivar' a volta às aulas", recomenda.

O principal cuidado nessa retomada é, na opinião do especialista, com relação aos horários. Livres e soltos durante as férias, os filhos se sentem livres para dormir, acordar e comer em horas diferentes daquelas a que estão acostumados. Milman dá a dica: "A última semana tem que ser de readaptação. A graça das férias é a liberdade. Então, dois ou três dias antes do retorno às aulas, no máximo, os pais já devem impor os horários novamente".

Controle de gastos

A readaptação à rotina escolar é tarefa fácil se comparada ao fantasma das contas de início de ano. Reajustes na mensalidade, matrícula, material escolar e uniforme são gastos inevitáveis e têm um peso enorme na montagem do orçamento. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio, nesse início de 2011, os gastos com educação - já incluídos material escolar, mensalidades, matrícula e uniforme - devem alcançar, em média, 7,2% do orçamento familiar.

De acordo com o especialista em economia doméstica Luís Carlos Ewald, o planejamento para esses gastos iniciais deveria ter sido feito no fim do ano passado. "Em novembro e dezembro todo mundo tem a oportunidade de separar uma parte do 13º para essas despesas, que já devem fazer parte da agenda", afirma o engenheiro e autor do livro "Sobrou Dinheiro! Lições de Economia Doméstica".

De olho nas despesas extras

Nas férias, com os filhos em casa, os pais têm despesas extras, o que pode atrapalhar ainda mais o fechamento do orçamento no azul. Segundo Ewald, o importante é dar o valor certo aos gastos. "Não se pode viajar nas férias, gastando muito dinheiro, e começar o ano pagando tudo no cheque especial. Não faz sentido", ressalta.

Para o economista Fábio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio, o momento é de apertar o cinto. Com a inflação alta, os reajustes devem ser elevados e as famílias precisam estar preparadas. "Uma família que, no ano passado, gastou R$ 100 com educação, hoje, para fazer o mesmo investimento, irá gastar, no mínimo, R$106. A tendência é diminuir os gastos com lazer para poder fazer frente a essa alta", analisa. Outro fator que irá pressionar o orçamento é a alta nos preços dos alimentos. "Alimentação é primeira necessidade. A gente consegue adiar a compra de um carro, uma viagem, mas não a alimentação", observa Bentes.

Material escolar

Contudo, alguns pequenos truques podem, ao menos, aliviar um pouco a pressão. Bentes dá uma dica importante para quando chegar o momento de comprar o material escolar: "Nunca leve o seu filho junto. Sempre tem aquele caderno de um personagem da moda que, só por isso, custa mais caro que os demais". Ewald complementa: "Você deve filtrar aquilo que deve ser comprado. Sempre temos lápis e canetas sobrando dentro de casa".

Negocie sempre

O engenheiro lembra uma boa forma de conseguir descontos na escola. "É de praxe os colégios darem um desconto para pais que tenham mais de um filho matriculado na instituição. Chega a ser em torno de 20% para cada. Há muita concorrência entre as escolas, você pode pedir esse desconto sem problemas", diz.

Fenômeno da internet no último ano, os sites de compras coletivas, explica Fábio Bentes, ainda não entraram no ramo do material escolar. No entanto, ele destaca a filosofia das compras coletivas como uma saída para segurar o dinheiro: "Os pais podem se reunir para tentar buscar preços mais em conta na hora de comprar o material escolar nas papelarias. No mais, o que vale é a pesquisa de preço".

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