Casa Branca confirma que Biden manterá embaixada dos EUA em Jerusalém

O governo Biden confirmou a permanência da embaixada dos EUA em Jerusalém, mas lançou dúvidas sobre a soberania israelense sobre as Colinas de Golã.

fonte: Guiame, com informações do Roll Call e Times of Israel

Atualizado: Quarta-feira, 10 Fevereiro de 2021 as 9:21

Local da embaixada dos EUA em Jerusalém antes de sua inauguração, em 13 de maio de 2018. (Foto: Yonatan Sindel/Flash90)
Local da embaixada dos EUA em Jerusalém antes de sua inauguração, em 13 de maio de 2018. (Foto: Yonatan Sindel/Flash90)

A Casa Branca confirmou na terça-feira (9) que o presidente Joe Biden pretende manter a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, para onde foi transferida durante o governo Trump. 

As intenções do governo foram confirmadas por um porta-voz da Casa Branca à CQ Roll Call, uma agência de notícias do Congresso americano.

“A posição dos EUA é que nossa embaixada permanecerá em Jerusalém, que reconhecemos como a capital de Israel”, disse o porta-voz. “O status final de Jerusalém é uma questão que precisará ser resolvida pelas partes no contexto das negociações diretas”.

Uma maioria esmagadora do Senado americano votou na última quinta-feira (4) para manter a Embaixada dos EUA em Jerusalém, com 93 votos a favor e apenas 3 contra o estabelecimento de fundos para manter a missão diplomática.

Em 2017, o ex-presidente Donald Trump reconheceu Jerusalém como a capital de Israel e transferiu a embaixada dos EUA para a cidade, contrariando o consenso da comunidade internacional.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse na segunda-feira (8), durante uma entrevista à CNN, que tanto ele quanto Biden, consideram Jerusalém a capital de Israel e não têm intenção de transferir a embaixada de volta a Tel Aviv.

Blinken também reiterou o apoio do governo Biden a uma solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino, por meio das negociações diretas, mas acredita que “infelizmente estamos muito longe disso neste momento”.

Posição sobre as Colinas de Golã

Antony Blinken, também disse à CNN que, nas condições atuais, ele apoia o controle de Israel nas Colinas de Golã, mas lançou dúvidas sobre a legalidade da decisão do governo Trump de reconhecer a soberania israelense sobre o local.

“Deixando de lado as legalidades dessa questão, como uma questão prática, o Golã é muito importante para a segurança de Israel”, disse Blinken.

“Enquanto [Bashar] al-Assad estiver no poder na Síria, enquanto o Irã estiver presente na Síria, grupos de milícias apoiados pelo Irã, o próprio regime de Assad — tudo isso representa uma ameaça significativa à segurança de Israel, e como uma questão prática, o controle do Golã, nessa situação, continua sendo de real importância para a segurança de Israel”, disse ele.

No entanto, ele indicou que no futuro os EUA poderiam estar abertos para reexaminar essa posição. “As questões jurídicas são outra coisa. E com o tempo, se a situação mudasse na Síria, é algo que olharíamos. Mas não estamos nem perto disso”, disse Blinken.

Em 2019, Trump reconheceu a soberania israelense sobre o Golã, que Israel conquistou da Síria na Guerra dos Seis Dias de 1967 e depois anexou em um movimento não reconhecido pela comunidade internacional.

Os comentários de Blinken contrastam fortemente com os de seu antecessor Mike Pompeo, que fez uma rara visita às Colinas de Golã em novembro, reconhecendo que o local “é uma parte central de Israel”.

O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, respondeu aos comentários de Blinken, dizendo que “as Colinas de Golã permanecerão para sempre como parte do Estado de Israel”.

“A posição israelense é clara. Em qualquer cenário possível, as Colinas de Golã permanecerão israelenses”, disse o escritório de Netanyahu.

veja também