Cristã é homenageada por salvar judeus italianos durante o Holocausto

O rabino Nathan Cassuto e a cristã Matilda Cassin se uniram para salvar judeus que seriam deportados para campos de concentração em Auschwitz.

fonte: Guiame, com informações do Jerusalem Post

Atualizado: Quarta-feira, 4 Dezembro de 2019 as 1:13

A homenagem póstuma foi entregue aos membros da família do rabino Nathan Cassuto e Matilda Cassin. (Foto: Moshe Mizrahi)
A homenagem póstuma foi entregue aos membros da família do rabino Nathan Cassuto e Matilda Cassin. (Foto: Moshe Mizrahi)

Setenta e seis anos depois que os nazistas prenderam o rabino Nathan Cassuto e a cristã Matilda Cassin, eles foram homenageados em uma cerimônia em Jerusalém pelo Comitê de Reconhecimento de Heroísmo dos Judeus.

Cassuto e Cassin eram membros de um grupo antinazista em Florença, na Itália, estabelecido pelo rabino-chefe da cidade, juntamente com o arcebispo Elia Angelo Dalla Costa. Com o apoio do grupo, eles salvaram centenas de judeus que seriam deportados para campos de concentração, os escondendo em instituições católicas e com famílias italianas. 

As homenagens foram apresentadas ao filho de Cassin, Asher Varadi Cassin, e ao filho de Cassuto, David.

“Cassuto e outros membros de seu grupo de resgate [judaico-cristão] foram presos pela Schutzstaffel (organização paramilitar ligada a Adolf Hitler) na sede da Azione Cattolica em Florença, enquanto planejavam futuras atividades de resgate, devido a um informante”, explicou a organização B'nai B'rith International. 

“Cassuto foi deportado para Auschwitz, onde ele morreu. Cassin se entregou à polícia para libertar sua família que havia sido presa, permanecendo sob custódia até janeiro de 1944, quando foi libertada, fugindo mais tarde para a Suíça”, acrescentou.

A Igreja e o Holocausto

O arcebispo Pierbattista Pizzaballa, chefe do Patriarcado Latino de Jerusalém, sentiu-se grato pela oportunidade de falar no evento, “já que não é habitual que um representante da Igreja Católica seja convidado a falar em um evento em memória da Holocausto”.

“Quando nos aproximamos do Holocausto, nós, europeus de origem católica, não podemos deixar de sentir desconforto”, disse ele. “A questão da Igreja e do Holocausto — e de maneira mais geral, a Igreja e o Judaísmo — nunca foi um assunto fácil, mas cheio de mágoas e feridas profundas”.

O arcebispo explicou que a Igreja ainda não concluiu “sua leitura do que aconteceu durante o Holocausto”.

“Mesmo se for discutido menos hoje, esse período permanece como uma pedra em nosso relacionamento”, continuou Pizzaballa. “Enquanto alguns cristãos — entre eles católicos, incluindo clérigos — cooperaram com judeus para resgatar judeus da deportação, devemos reconhecer o silêncio de muitos outros católicos”.

Ele ressaltou que, embora a Igreja não fosse diretamente responsável pelo Holocausto, “devemos reconhecer que o ‘ensino do desprezo’ que emanou por centenas de anos também era da Igreja e influenciou a mentalidade das populações europeias — o que contribuiu, infelizmente, ao que aconteceu”.

O embaixador italiano em Israel, Gianluigi Benedetti, disse aos participantes que “é hora de corrigir o equívoco comum de que os judeus não ajudaram significativamente a resgatar outros judeus durante o Holocausto”.

“As ações do rabino Cassuto e Matilde Cassin foram luzes na escuridão que nunca serão esquecidas”, disse Benedetti.

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