Judeus tocam o shofar como sinal de paz nos Emirados Árabes Unidos

Após o acordo de paz entre Israel e Emirados Árabes Unidos, uma delegação formada por israelenses e americanos estabeleceram as bases para as relações entre os países.

fonte: Guiame, com informações do Times of Israel

Atualizado: Terça-feira, 1 Setembro de 2020 as 10:02

Judeus se reuniram para orar pela paz em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. (Foto: Raphael Ahren/Times of Israel)
Judeus se reuniram para orar pela paz em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. (Foto: Raphael Ahren/Times of Israel)

Judeus se reuniram para um encontro de oração na manhã desta terça-feira (1) em Abu Dhabi, durante a visita histórica de uma delegação conjunta dos Estados Unidos e Israel aos Emirados Árabes Unidos, estabelecendo as bases para o acordo de paz.

O encontro contou com o Conselheiro de Segurança Nacional de Israel, Meir Ben Shabbat, e judeus que fazem parte de comunidades ortodoxas em Dubai.

Embora a Torá não seja lida às terças-feiras, segundo a tradição judaica, os judeus ortodoxos levaram rolos para Abu Dhabi. Ben-Shabat abriu brevemente um dos pergaminhos e recitou uma passagem que fala sobre paz. 

Com a chegada do Rosh Hashaná a pouco mais de duas semanas, o rabino Levi Duchman tocou o shofar e recitou uma oração em hebraico, abençoando os Emirados Árabes Unidos. 


Rabino Levi Duchman tocou o shofar em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. (Foto: Times of Israel)

Nos últimos anos, os Emirados Árabes Unidos têm feito grandes esforços para se mostrar um país tolerante e acolhedor a todas as religiões, incluindo o judaísmo. 

O presidente dos Emirados Árabes, Khalifa bin Zayed Al Nahyan, declarou 2019 como o “Ano da Tolerância” e anunciou a construção de um enorme complexo inter-religioso em Abu Dhabi, que também incluirá uma sinagoga. A chamada “Casa da Família Abraâmica” está programada para ser inaugurada em 2022.

As estimativas de quantos judeus vivem atualmente nos Emirados Árabes Unidos variam de poucas centenas a 1.500.

Horas após o primeiro voo direto de Israel para os Emirados Árabes Unidos pousar em Abu Dhabi, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na noite de segunda-feira (31) que o acordo de paz entre os dois países foi o início de um “novo normal” no Oriente Médio e seria seguido por outras nações na região.

Citando seu próprio livro, em que previa que Israel iria liderar uma revolução no Oriente Médio, permitindo relações bilaterais com seus vizinhos, Netanyahu disse que tem trabalhado pela paz na região.

A paz entre Israel e Emirados Árabes Unidos “será uma paz diferente; esta será uma paz calorosa”, disse ele. “Paz com investimentos, paz com turismo, muitos frutos da paz serão distribuídos aqui, tanto para nossos povos como para todos os povos da região”.

“Esta é uma grande bênção histórica. Este é um dia histórico”, declarou o primeiro-ministro. “Sonhamos com isso, trabalhamos nisso e eis que está acontecendo diante dos nossos olhos”.


Conselheiro presidencial dos EUA, Jared Kushner (esq.), e o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O'Brien (dir.) desembarcam do primeiro voo comercial de Israel para os Emirados Árabes Unidos no aeroporto de Abu Dhabi. Atrás deles está o Conselheiro de Segurança Nacional israelense, Meir Ben Shabbat. (Foto: Karim Sahib/AFP)

O acordo de paz entre Israel e os Emirados Árabes Unidos foi anunciado em 13 de agosto. Mediado pelos EUA, o acordo exigia que Israel suspendesse seu plano de anexar partes da Cisjordânia, conhecidas também como Judeia e Samaria.

Os Emirados Árabes Unidos são o terceiro país árabe a concordar em estabelecer relações oficiais com Israel, depois do Egito e da Jordânia. Autoridades israelenses e americanas expressaram esperança de que outros países árabes façam o mesmo em breve, baseados em interesses comerciais e de segurança, além da inimizade com o Irã.

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