Presidente de Israel condena voto do Brasil na Unesco, durante cerimônia

“Não há um só brasileiro que não saiba da conexão entre o povo judeu e Jerusalém”, disse Reuven Rivlin em reclamação feita ao novo embaixador brasileiro, Paulo Vasconcellos.

fonte: Guiame, com informações de Folha de São Paulo

Atualizado: Terça-feira, 20 Junho de 2017 as 2:34

Presidente israelense Reuven Rivlin no Comitê de Finanças do Knesset. (Foto: Hadas Parush/Flash90)
Presidente israelense Reuven Rivlin no Comitê de Finanças do Knesset. (Foto: Hadas Parush/Flash90)

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, condenou nesta quinta-feira (15) o voto do Brasil na Unesco a favor de resolução que retira a soberania de Israel sobre a cidade de Jerusalém. Sua reclamação foi feita diretamente ao novo embaixador brasileiro, Paulo Cesar Meira de Vasconcellos.

A crítica de Rivlin ao Brasil foi feita durante a cerimônia de entrega das credenciais de quatro novos embaixadores, entre eles Vasconcellos. Suas declarações revelam o grau de irritação do governo israelense, já que esse tipo de ato costuma enaltecer as boas relações entre os países nele representados.

A votação que aprovou a resolução apresentada por países árabes foi realizada no dia 2 de maio com a aprovação de 22 países, incluindo Brasil, Rússia, China, África do Sul, Irã e Paquistão.

Houve 23 abstenções, três ausências e 10 votos contra a resolução, que vieram dos Estados Unidos, Alemanha, Itália, Grã-Bretanha, Holanda, Grécia, Paraguai e Ucrânia.

O documento trata Israel como “poder ocupante” em Jerusalém alega que a nação não teria nenhum laço histórico ou legal com qualquer parte da cidade. Israel considera Jerusalém sua capital, una e indivisível, mas os palestinos reivindicam a parte oriental como a capital de seu eventual futuro Estado.

Durante a cerimônia, Rivlin reconheceu que as relações entre Israel e o Brasil “são muito importantes” e estão sendo ampliadas, mas não deixou de cobrar uma mudança no voto brasileiro.

“Não há um só brasileiro que não saiba da conexão entre o povo judeu e Jerusalém. Nem mesmo a Unesco pode mudar isso. A decisão deveria ser esquecida, deveria realmente ser modificada e eu peço que o governo brasileiro reconsidere seu voto”, disse o presidente.

Em resposta à Rivlin, o embaixador brasileiro preferiu se manter neutro. “Nossa amizade data da criação do Estado de Israel. Como as relações bilaterais envolvem muitos campos de cooperação e temos que aperfeiçoá-las, me dedicarei à agenda positiva entre os dois países”, disse Vasconcellos, segundo o comunicado oficial divulgado pela Presidência de Israel.

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