Turquia é ameaça ainda maior que o Irã para Israel, alerta pastor

Majeed Mohammed apontou a Turquia como um país que tem liderado milícias em diversos países árabes para montar o seu "califado".

fonte: Guiame, com informações da CBN News

Atualizado: Sexta-feira, 2 Fevereiro de 2018 as 10:33

Turquia está levantando milícias na Sìria e outros países árabes. (Foto: Financial Review)
Turquia está levantando milícias na Sìria e outros países árabes. (Foto: Financial Review)

Um pastor curdo emitiu um alerta para Israel e o Ocidente: a Turquia, e não o Irã, é a maior ameaça contra Israel, e a Turquia tem como objetivo dominar as áreas controladas curdas no Iraque.

Em uma carta à CBN News, detalhando o cerco liderado pelos turcos contra os curdos no norte da Síria, o Pastor Majeed Mohammed, que liderou a Igreja Kurdsman em Erbil, diz que o Irã não escondeu sua agenda contra Israel, mas o presidente islâmico turco Recep Tayyip Erdogan é o inimigo maior.

Erdogan está preparando o caminho para o renascimento do califado islâmico ao reunir a "fraternidade islâmica" para cercar o estado judeu e destruí-lo. Essa eventualidade seria agradável ao mundo muçulmano, segundo o presidente turco.

Majeed, que agora vive no exterior, diz que há muitos cristãos em Afrin que estão pedindo ajuda.

O Ocidente, ele implora, deve acordar para o assédio turco contra Afrin e outras cidades curdas na Síria e no Iraque antes que ele consiga ampliar a crescente onda xiita ao longo do norte do Iraque até o Mar Mediterrâneo.

Erdogan mobilizou milícias islâmicas radicais para atacar a população curda no norte da Síria. Ele está usando tanques fabricados na Rússia, ataques aéreos e bombas de fragmentação contra civis.

Majeed diz que milhares de mesquitas dentro e fora da Turquia se juntaram ao apelo de Erdogan para acabar com os curdos, enquanto o Ocidente e os EUA estão em grande parte em silêncio.

"O presidente islâmico da Turquia armou, treinou e equipou essas milícias dentro da Síria", escreveu Majeed, listando vários desses grupos por nome e uma descrição.

• A Brigada Sultan Murad, que obtém todo o apoio financeiro, logístico e militar da Turquia e está treinando soldados em território turco e na Síria.

• O esquadrão de Hamza, também treinado na Turquia, que conquistou Jarablus - uma cidade síria na margem ocidental do rio Eufrates - no ano passado.

• A Legião al-Sham, criada na Síria em 2014, composta por 19 grupos terroristas islâmicos, incluindo a Brigada Suqoor al-Jabal.

• O movimento Noor-aldeen, um dos grupos jihadistas mais perigosos da Síria, foi o primeiro a começar a matar crianças.

Nos sermões semanais às sextas feiras - tradicional dia de oração dos muçulmanos - as mesquitas na Turquia, no Sudão, na Líbia, no Kuwait, no Catar, no Egito, na Síria e no Líbano, entre outros, pediram a Alá para fazer prosperar seu novo sultão, Erdogan e o califado ele vai liderar. De acordo com Majeed, a oração nessas mesquitas é baseada em uma porção no Alcorão.

Pastor Majeed diz que estes fatos em conjunto provam duas realidades:

• Erdogan se vê como chefe do "último califado do Islã" e está empenhado em redesenhar o mapa do Oriente Médio. Ele está contra a estabilização na região e vê seu papel como o uso dos jihadistas para provar que ele é "o único que entende, sente, age, inicia e apoia" o Oriente Médio - não a Rússia, os Estados Unidos ou a comunidade internacional.

• Majeed acredita que a falta de sucesso de Erdogan (através da OTAN) de ser um "membro europeu" o reoriente a ampliar seu poder em todo o Oriente Médio. Os curdos são as únicas "pedra de tropeço" para alcançar seu objetivo. Ao acusá-los de serem infiéis, ele os ataca e justifica sua própria agressão, abrindo um caminho para mobilizar milícias islâmicas em todos os lugares para se unir contra os curdos. O fato de que algumas dessas milícias foram treinadas por aliados internacionais e são membros da coalizão internacional complica ainda mais a situação, conforme explica o pastor.

"Como os Estados Unidos permitem tal violência contra um aliado que se colocou e lutou ao lado dos soldados dos EUA ombro a ombro e respeitou o que os americanos sugeriram no terreno na Síria?", ele pergunta.

O especialista em Oriente Médio, Jonathan Spyer, concorda que as implicações de uma aquisição turca em Afrin "são bastante graves".

"Os curdos estão lutando muito, mas provavelmente no decorrer dos próximos dias e semanas, os turcos vão avançar e suas implicações são bastante graves", disse Spyer à CBN News.

"Quero dizer, há uma grande população curda lá. Os turcos estão operando com alguns guerrilheiros islâmicos jihadistas salafi, combatentes rebeldes sírios no terreno em cooperação com eles. Houve bombardeios aéreos em civis, houve vários civis mortos, "Spyer disse.

"As implicações são ruins do ponto de vista humanitário. Do ponto de vista político, eles também são bastante graves", disse ele.

"Lembremos que os curdos sírios são atualmente parceiros dos Estados Unidos na Síria. Vocês sabem que eles são as pessoas que lutaram contra o Estado Islâmico juntamente com o poder aéreo dos EUA, as forças especiais nos últimos dois anos com sucesso. E há cidades mais ao leste onde o pessoal dos EUA está presente em cooperação com eles. E os turcos chamaram essas cidades como lugares que querem conquistar também e advertiram os americanos para tirar suas forças dessas áreas", acrescentou.

"Então, o potencial para pelo menos um choque de palavras e talvez até algo pior entre os EUA e o chamado aliado da OTAN, a República da Turquia, estão se tornando cada vez mais reais", concluiu Spyer.

Majeed diz que o silêncio do mundo livre estimulou Erdogan a tentar todas as maneiras de conquistar Afrin. As milícias lideradas pelo presidente turco assassinam barbaramente qualquer um que elas capturem, bombardeiam hospitais e escolas, enquanto os atiradores matam inocentes - velhos e jovens, gritando Allahu Akbar (Alá é maior que todos).

"Erdogan é aquele homem que deve ser parado e julgado por seus tremendos crimes contra a humanidade, dentro e fora da Turquia, o mais rápido possível", conclui.

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