Marcos Botelho: "A sociedade quer que você seja esponja, mas o discernimento do espírito nos pede para ser peneira"

Em época de crise da informação, Marcos Botelho fala sobre a ideia do livro 'Ontem esponja, amanhã peneira'

Fonte: Guiame, Juliana Simioni e Marcella MenezesAtualizado: segunda-feira, 10 de agosto de 2015 19:53
Livro 'Ontem esponja, amanhã peneira'
Livro 'Ontem esponja, amanhã peneira'

Marcos Botelho _ livro 'Ontem esponja, amanhã peneira'O Pastor Marcos Botelho esteve em Curitiba divulgando seu livro “Ontem esponja, amanhã peneira” na Primeira igreja do Evangelho Quadrangular nos dias 5 e 6 de agosto.

Em entrevista, Botelho explica sua motivação para escrever sobre o comportamento das gerações “esponja” e “peneira” frente ao que pode se chamar de crise da informação, onde as redes sociais tem papel principal.

GUIAME: O que te motivou a escrever sobre este tema?

Marcos Botelho: O fato de eu perceber que as gerações não estavam mais se falando, eles reclamavam da mesma coisa, mas em códigos diferentes. A linguagem mudou e aí comecei a perceber que o mesmo problema que tinha quando fazia missões transculturais, estava tendo nas gerações, e o conceito de missão transcultural é um conceito ainda não divulgado nas igrejas, ainda não se conversa direito entre os pastores e líderes. Esta foi minha motivação, fazer uma pesquisa um pouco mais profunda sobre comunicação, sobre educação, entendendo a geração atual e fazer uma proposta para que as duas gerações consigam enfrentar a crise da informação, esse 'boom' que a gente teve.

GUIAME: Você acha que o jovem perdeu a noção do debate nas redes sociais? Do discordar de maneira saudável?

Marcos Botelho: Acho que sim, todos os jovens e adultos. A internet é muito nova ainda. É como se fosse assim: Se você está andando na rua e esbarra em alguém você sabe que está esbarrando e pede desculpa, você evita. Se alguém para na tua frente, você para a deixa passar. Se você entra no carro, o relacionamento já não é entre pessoas e pessoas, mas entre carros. E aconteceu isso na internet, deixou de ser relacionamento entre pessoas para ser entre máquinas. Quando é uma máquina criticando a outra, não importa que tenha alma, então há agressividade e ninguém se coloca no lugar de ninguém porque são máquinas.

GUIAME: Houve um boato sobre casal gay no coral da Hillsong Church, você acha que a força e a falta de filtro da rede social tem causado confusão?

Marcos Botelho: Sim e não. Eu acho que isso sempre foi do ser humano de espalhar boato. Quando eu era pequeno tinha um boneco que tinha uma boato que teria um punhal dentro, acho que era o Fofão, que uma criança tirou foi lá e se matou. Eu cresci ouvindo que uma marca de sabão em pó tinha pacto com o demônio, ou a Coca-cola, ou a Disney. Sempre teve boatos para se boicotar marcas e manipular informações. Como teve boatos positivos ‘ah, fulano é dono dessa marca, é crente e usa o dinheiro pra missões, então vamos comprar’, era mentira para vender. Ou pegadinhas, trolls, que era alguém que morreu, entre outras coisas, nem sempre um cunho financeiro, mas sempre existiu esse fato.

Hoje, com as redes sociais, eu acho que cada vez mais está difícil espalhar um boato. Eu acho que essa questão do Hillsong trabalha na ingenuidade do povo evangélico nas redes sociais que não verificam fontes, que logo logo isso vai passar, mas ainda há muitas explosões ainda há muitos videozinhos pra difamar, acontece muito isso na política, então eu acho que apenas potencializou. Hoje se espalha muito mais rápido no viral, mas também se apaga muito mais rápido, não dá nem um dia, é muito efêmero. Antes você ficava com o boato por meses e depois ia falar ‘é verdade que era mentira?’ Hoje explode, mas no mesmo dia já abafa, acabou, passou, já pediu perdão. Então assim, os boatos hoje surgem com muito mais potência. mas morrem muito mais rápido.

GUIAME: Qual é a ideia geral do livro?

Marcos Botelho: Esta é um pouco da ideia do ‘Esponja e Peneira’. Eu gosto de separar geração das pessoas que entraram no mundo da internet e as pessoas que ainda não entraram. As pessoas que não entraram são os esponjas, eles têm uma escassez de informação e principalmente no passado tinha isso, então ele tinha que buscar muita coisa, anotar muito, mas hoje ninguém consegue mais.

O que é peneirar? Peneirar é verificar se um boato é verdadeiro, peneirar é desligar o computador ou o celular, peneirar é esquecer, é ter o direito de esquecer. Por exemplo: hoje as redes sociais não deixam a gente esquecer uma data de aniversário. É benção esquecer as coisas, sabe? A data de aniversario talvez não, mas é uma benção você poder esquecer o passado. Se você se converteu e aquele passado te fez mal, é benção você não ter, mas a internet faz backup da sua vida, sempre está lá. Esse é o problema, a gente vive uma sociedade da informação que quer que você seja esponja, mas o discernimento do espírito nos pede para ser peneira, então esta é a mensagem.

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