A evangelização de Angola como promoção social

A evangelização de Angola como promoção social

Atualizado: Quinta-feira, 21 Outubro de 2010 as 1:59

De uma forma geral, o mundo cristão celebra, no próximo domingo, o Dia Mundial das Missões, uma jornada reservada à reflexão e celebração de uma etapa histórica que marcou o mundo, sobretudo no que toca à campanha da evangelização, que impulsionou os missionários e missionárias de vários países europeus, especialmente Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e Itália a descobrir novos horizontes, e levar aos povos das terras distantes a boa nova de salvação em Jesus Cristo.

Foi, de facto, uma verdadeira "cruzada evangélica", que favoreceu a expansão do cristianismo no mundo, com algumas implicações: os povos que já tinham uma certa tradição, uma cultura, uma História, um sistema de pensamento próprio, um conjunto de crenças, foram convidados a receber outra luz, outra verdade, outra doutrina, tudo resumido na sagrada escritura, que fala de Cristo e do seu projecto para com a humanidade.

Com esta realidade, o cristianismo deixou, há séculos, de ser uma "religião europeia", tendo passado a ser uma crença universal, concentrada num mistério que é, ao mesmo tempo, uma realidade: a salvação em Cristo.

E como a salvação é integral, não sendo apenas algo espiritual, a missionação implicava também a promoção social, embora existam correntes que encaram a evangelização numa perspectiva muito pessimista, apontando esta como uma mera campanha de opressão, que fomentou, ao mesmo tempo, o colonialismo.  Daí, a propalada aliança da "cruz e a espada", que nunca deixou de ser um "mito". Para fomentar o espírito missionário, foi decretado o "Dia Mundial das Missões", visto como uma jornada especial para que os cristãos reflictam seriamente sobre esta questão importante que muito tem a ver com a vida da Igreja e de cada cristão: a missionação.

Sobre as origens deste "Dia Mundial", tudo começou em 1922, quando foi eleito Papa o cardeal arcebispo de Milão Achille Ratti, que tomou o nome de Pio XI (1922-1939). Seu ardor missionário era conhecido por todos e esperava-se dele um grande impulso para a missão. Logo, em 1922, constituiu as Pontifícias Obras Missionárias, recomendando-as como instrumento principal e oficial da Cooperação Missionária de toda a Igreja. Estimulou também a criação de novas missões. No Ano Santo de 1925 e, no ano seguinte (1926), publicou uma Encíclica sobre as Missões, intitulada Rerum Ecclesiae, na qual reafirmava a importância dos objectivos missionários programados no início do seu pontificado.

Chave da missão A partir daí, o "Dia Mundial das Missões" ganhou forma e tradição. Para este ano, na sua mensagem dirigida a todo o mundo, intitulada "A construção da comunhão eclesial é a chave da missão", Bento XVI salientou: "Neste Dia Mundial das Missões, no qual o olhar do coração se dilata sobre os imensos espaços da missão, sintamo-nos todos protagonistas do compromisso da Igreja de anunciar o Evangelho. O estímulo missionário foi sempre sinal de vitalidade para as nossas Igrejas, e a sua cooperação é testemunho singular de unidade, de fraternidade e de solidariedade, que nos torna credíveis anunciadores do Amor que salva!".

A evangelização de Angola não escapou a estes ventos da missionação. A história das missões, nesta perspectiva, é muito rica e interessante, sendo, ao mesmo tempo, uma prova da docilidade do povo angolano em acolher a boa nova que os missionários estrangeiros trouxeram ao país.

Como tudo começou Isto constituiu o grande sinal da religiosidade dos angolanos. Decididamente, os historiadores, com dados precisos, afirmam, claramente, que os angolanos receberam o evangelho no âmbito dos chamados "descobrimentos" e "conquista dos portugueses", que serviram de ocasião para a primeira evangelização, no século XV.

Tudo começou, concretamente, a 29 de Março de 1491, quando os primeiros missionários, vindos de uma expedição, chegaram ao Porto Pinda, na foz do rio Zaire (hoje pertencente à Diocese de Mbanza Congo).

Assim, quando Paulo Dias de Novais chegou à Ilha de Luanda, em 1575, já lá encontrou uma capela construída pelos missionários portugueses em honra de Nossa Senhora da Conceição e alguns angolanos baptizados.

Mesmo assim, a evangelização conheceu muitas dificuldades de vária ordem: incompreensões, doenças, guerras, adaptação, resistência dos nativos em acolher Cristo. É de frisar que além da sua missão espiritual, os missionários apostaram também nas obras da promoção intelectual e social, assinalada com assistência prestada a favor do bem do homem angolano: escolas, postos de saúde, hospitais e outras infra-estruturas foram erguidas com uma finalidade bem precisa.

Outro ponto positivo foi a promoção de línguas locais, através da tradução e publicação de catecismos, gramáticas e dicionários. Fruto da mentalidade de então, os missionários chamavam também esta campanha de "evangelização dos infiéis".  No caso de Angola, é de frisar que foram os capuchinhos, os jesuítas, os dominicanos e os espiritanos, que apareceram como os pioneiros da evangelização. Mas foi só depois da fundação da cidade de Luanda, em 1575, que o cristianismo se propagou no reino de Angola.

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